Manifestantes ocuparam ruas das principais capitais do país e cobraram o Senado pela tramitação da proposta, que está parada

Milhares de trabalhadores e trabalhadoras ocuparam as ruas das principais capitais do Brasil, na terça-feira, 30, véspera da primeira audiência pública no Senado Federal sobre o fim da escala 6×1, medida aprovada pela Câmara dos Deputados há mais de um mês.
O protesto, batizado pelos movimentos sociais de Dia Nacional de Mobilização pela Redução da Jornada de Trabalho, foi convocado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), pelo Fórum das Centrais Sindicais e pelo movimento Vida Além do Trabalho (VAT), entre outras organizações.
Em São Paulo, os manifestantes caminharam pela Avenida Paulista até a Praça Roosevelt. Houve críticas ao Senado pela falta de empenho em agilizar o trâmite da proposta de emenda constitucional que trata da redução da jornada da classe trabalhadora. Há mais de um mês a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais e garante dois dias de folga aos trabalhadores, sem redução de salário, está parada no Senado, sem deliberação da Presidência da Casa.
“Desde que eu me conheço por gente, eu trabalho na escala 6×1, isso é cansativo. Você acaba trabalhando um mês inteiro, aí não consegue nem gastar o que você recebe porque está trabalhando. Tem um dia de folga para poder gastar e, nesse dia, você quer descansar”, reclamou Marcos Biangolini, 33 anos, à Agência Brasil.
O presidente do diretório municipal do PT de São Paulo, Hélio Rodrigues, discursou durante o ato e disse que o Congresso precisa escutar as vozes dos trabalhadores do país. “O fim da escala 6×1 é urgente. É agora que precisamos lutar cada vez mais contra essa superexploração do capital sobre a classe trabalhadora”, concluiu.
Também presente na manifestação, a vereadora de São Paulo e secretária-geral do diretório municipal do PT, Luna Zarattini, relembrou a vitória histórica da votação na Câmara. “Ocupar as ruas é um ato democrático; é um ato de defesa dos direitos sociais e trabalhistas. Eles acharam que a gente não ia ter vitória na Câmara dos Deputados, mas nós teremos a vitória também no Senado, porque o povo é soberano e está ocupando as ruas pelo fim da escala 6×1”, concluiu a vereadora.

A mesma insatisfação foi vista nos protestos do Rio de Janeiro. A operadora de caixa Fátima Dantas de Souza Alves, 22 anos, trabalha em pé, oito horas por dia. “Nós estamos cansados”, contou. “Hoje eu não tenho tempo de qualidade com a minha família. Não tenho tempo de cuidar da minha saúde”, acrescentou Fátima, que, ao lado de outros manifestantes, caminhou 6 km, incluindo por trechos da Avenida Brasil, uma das principais vias de acesso à região central da capital fluminense.
Trabalhadores e trabalhadores de Belo Horizonte se reuniram na Praça Sete, no Centro da capital mineira. Uberlândia, Juiz de Fora, São João del-Rei, Divinópolis e Teófilo Otoni também tiveram protestos pelo fim da escala 6×1.
Na capital federal, a Esplanada dos Ministérios foi ocupada por manifestantes. As mobilizações de Brasília serviram como preparação para as audiências públicas no Senado.