Aparecida de Goiânia, terça-feira, 11 de maio de 2021

Pesquisa transcreve cinco músicas do compositor, músico e ator e identifica os recursos composicionais por trás de sua riqueza criativa.

Reconhecido pelo seu trabalho com a viola caipira no Brasil, uma pesquisa revelou como o compositor, músico e ator Almir Sater modernizou a música de viola no País. A dissertação apresentada na Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP analisou a obra de Sater identificando e descrevendo os recursos composicionais presentes em cinco músicas do artista: CorumbáDomaLuzeiroViola de Buriti e Cristal. A autoria da pesquisa em musicologia A diversidade composicional na obra instrumental de Almir Sater  é de Max Junior Sales, com orientação do professor Ivan Vilela.

Em 2018, as violas foram reconhecidas como patrimônio cultural do Estado de Minas Gerais. O Registro dos Saberes, Linguagens e Expressões Musicais da Viola foi realizado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA-MG), destacando a importância do instrumento musical na cultura do Brasil e sua ligação com as tradições mineiras.+ Mais

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A viola tem origem portuguesa e chegou ao Brasil junto com os colonizadores. À medida que se espalhou pelo território nacional, o instrumento assumiu expressões culturais de cada região e foi incorporando diferentes materiais e formas à sua construção.

Sales chama a atenção para o fato de haver “uma carência significativa de estudos dedicados às obras dos instrumentistas de viola”, assim como de pesquisas científicas que se dediquem às composições de Almir Sater, ainda que elas sejam incorporadas com frequência ao repertório de músicos Brasil afora.

Viola instrumental: diferentes possibilidades de abordagem

As composições de Almir Sater recebem influências de gêneros musicais como o rock e o blues. O disco Instrumental, de 1985, apresenta possibilidades musicais até então inexploradas com a viola. As obras do violeiro apontam para uma modernização da música instrumental de viola, uma vez que a sonoridade delas se assemelha à sonoridade da música instrumental contemporânea e da MPB. Segundo a pesquisa, “alguns músicos e pesquisadores se referem à produção musical de Almir Sater como uma obra que apresentou novas possibilidades musicais e instrumentais ao universo da viola de dez cordas”.

Em Corumbá, “Almir Sater faz uso de um recurso técnico característico da técnica guitarrística na execução do blues”, denominado bend. Nessa técnica, se eleva a altura de uma nota sem que haja interrupção do som, “por meio de uma distensão da corda com o dedo que a pressiona”.

A inserção de elementos do blues, assim como a relação entre modalismo e tonalismo e a elaboração complexa da instrumentação em Luzeiro, entre outros recursos identificados no trabalho, revelam a diversidade presente nos processos criativos do compositor. Para o pesquisador, “foi surpreendente constatar como um recorte tão pequeno da obra [de Almir Sater] pôde gerar um estudo tão extenso. Ainda assim, há um sem-número de possibilidades de estudos para abordar a obra por diferentes perspectivas.”

O pesquisador demonstrando características das composições instrumentais de Almir Sater durante a apresentação de sua dissertação de mestrado, em agosto de 2019 – Foto: Mônica Monteiro

Através de sua pesquisa, Junior Sales tinha como objetivo criar uma base para que mais estudos explorem o universo da música instrumental de viola, além de contribuir para um “entendimento mais sólido da história desse instrumento como um importante elemento da cultura brasileira”, que não se limita a uma única região e pode ser utilizado em diversas linguagens musicais, como o rock, o choro e a música clássica.

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Sales conta que, antes de iniciar o mestrado em 2017, se deparou com a dissertação A Viola Caipira de Tião Carreiro, realizada pelo também violeiro João Paulo Amaral, na Universidade de Campinas (Unicamp). “Achei a pesquisa incrível e comecei a procurar outros trabalhos semelhantes dedicados a outros violeiros. Encontrei pouca coisa. Nesse momento, me ocorreu de eu mesmo desenvolver um estudo dedicado à obra do violeiro sul-mato-grossense [Almir Sater], uma referência musical pessoal desde o período em que eu ainda não tinha contato com a viola.”

A música instrumental faz parte da vida de Max Junior Sales desde muito cedo. Ele relata que o interesse pela música teve início em sua adolescência e conta dois eventos marcantes da época. O primeiro diz respeito à lembrança de momentos em que observava seu pai “tocar alguns acordes e assoviar algumas melodias” no violão. O segundo evento remete a uma experiência da época em que o pesquisador começou a frequentar um grupo de capoeira, no bairro vizinho ao que morava. Logo no primeiro encontro, o que lhe chamou a atenção não foram os movimentos da prática, mas o som que saía do aparelho usado para reproduzir uma fita cassete. “Aquela sonoridade das vozes, berimbau, atabaque e caxixi foi muito impactante para mim”, ele diz e destaca que, desde o início, o aspecto instrumental – como timbres, dinâmicas e melodias – foi o que mais chamou sua atenção.

Nascido em Lavras, Minas Gerais, Max Junior Sales se mudou para cursar graduação em Música pela Universidade Federal de São João del-Rei. Lá ele se formou em violão em 2010. Foi também nessa época que o interesse pela viola “foi se tornando cada vez maior a ponto de começar a substituir o violão como meu instrumento principal de trabalho”. Ele afirma ter encontrado no mestrado a possibilidade de fazer essa transição e se aprofundar no universo da viola caipira.

Texto: Natália Milena/LAC-ECA

Fonte: Jornal da USP

Mais informações: (11) 3091-1646/4068 ou e-mail [email protected]

As inscrições para o 7º Juriti - Festival de Música e Poesia Encenada prosseguem até o dia 1º de maio. Além de premiação em dinheiro para os três primeiros colocados de cada categoria, compositores e poetas selecionados receberão ajuda de custo

Artistas e  produtores do Festival  durante confraternização de encerramento do 6º Juriti 

O Juriti - Festival de Música e Poesia Encenada está de volta e a sua 7ª edição, devido à pandemia do novo coronavírus, será realizada de forma remota. As inscrições, somente para artistas de Goiás e Distrito Federal, para poesia e música autoral, prosseguem até o dia 1º de maio, sábado que vem, e podem ser feitas por e-mail de acordo com o regulamento que pode ser acessado no site www.festivaljuriti.com.br.  Todos os selecionados do Juriti ganham R$ 300,00 de ajuda de custo e concorrem a premiações de 1 mil, 2 mil e 3 mil reais. A 7ª edição do Juriti conta com o apoio do Fundo de Artes e Cultura do Estado de Goiás.

Banda Mundhumano - 1º lugar na categoria música  no 6º Festival Juriti de Música e Poesia Encenada 

A direção do festival, preocupada com o avanço da pandemia, afirma que conseguiu encontrar um formato observando os protocolos de saúde exigidos.  “Estamos montando todo um planejamento com os objetivos de resguardar a saúde das pessoas e equiparar as condições de concorrência no formato virtual, já que somos um festival competitivo. Nesse planejamento, daremos um voo de cada vez, até porque futuras etapas estão sujeitas a novas adaptações, conforme o andamento da pandemia. Primeiramente estamos determinando uma nova data limite para inscrições”, afirma Ricardo Edilberto, diretor do 7º Juriti.  

 Segundo Ricardo, as inscrições feitas antes da modificação da realização presencial para on-line, estão mantidas. O diretor alerta que todo o processo de inscrição pode ser feito dentro de casa. “Ninguém precisa se arriscar. Na Categoria Poesia Encenada não muda muito, pois são enviados apenas arquivos em PDF. Já na Categoria Música, destacamos que enviar o áudio gravado em estúdio ou de forma caseira não fará diferença à seleção dos concorrentes. Nosso foco são a originalidade, a qualidade e a diversidade apenas das composições”, frisa o diretor.   

A atriz e escritora Sandra Santiago - 1º lugar na categoria  Poesia Encenada no 6º Juriti

   

Lara Morena, produtora do 7º Juriti - Festival de Música e Poesia Encenada, acredita que o momento exige ação no sentido de promover a cultura no País, já que a classe cultural foi uma das mais prejudicadas nesta pandemia que avança há mais de um ano. “O Juriti precisa voar. Acreditamos ser notório o papel fundamental que o Festival alcançou no meio artístico regional. Se o palco virtual é, hoje, nossa única opção, que assim seja. E que o nosso voo on-line ajude-nos a formar uma grande onda de força para que possamos enfrentar esse momento cada vez mais com união, sabedoria e solidariedade. Vamos juntos invadir o espaço internético com a vitalidade de nossa performática arte. Inscrevam-se!”, incentiva a produtora. 

O Juriti na História

Criado por um grupo de jovens do Setor Criméia Leste, em Goiânia, o Festival, mesmo sendo competitivo, tem como característica principal a confraternização de artistas da música, poesia e artes cênicas, além de se notabilizar como um grande revelador de nomes na cena cultural do Estado.

O jornalista, publicitário e cineasta Ricardo Edilberto, Diretor Geral do Festival é remanescente deste grupo de jovens. Ele fala  com orgulho do crescimento do Juriti que começou na periferia de Goiânia  e vem consolidando o seu nome como um dos festivais  da cena autoral mais importantes de Goiás.

“Cada edição é uma luta. Quando a gente começou, há 27 anos, não imaginávamos que poderíamos ir tão longe e ser hoje um festival importante para os artistas goianos. No início era só uma alternativa de lazer para a  comunidade. A prefeitura, na época, transformou o campo de futebol da região em praça. Esse campo era o nosso principal ponto de convivência, onde acontecia um grande campeonato de várzea. Morreu o campo, morreu a convivência”.

Com o fim do campo, Ricardo explica que ele e mais alguns jovens do bairro resolveram fazer a primeira edição do Juriti em 1993 como alternativa de convivência comunitária. “Depois, por falta de incentivo, não demos continuidade. A partir de 2009 iniciamos a retomada, já com a parceria de instituições governamentais por meio de leis de incentivo. Desde então, estamos seguindo nessa luta e consolidando nossa história  agora com esta 7ª edição que será online devido à pandemia”.

Ricardo faz questão de ressaltar, ainda, que o Juriti, em suas últimas edições,  deixou de ser realizado presencialmente no Crimeia Leste por falta de uma estrutura local que comportasse o tamanho atual do Festival. “Voamos para outros espaços culturais por uma questão de necessidade estrutural, mas nunca deixamos de pousar com parte do evento em nossa aldeia que é o Crimeia. Por isso, pelo menos a abertura, a gente continuou realizando no bairro movimentando a cena cultural local”, frisa. 

Artistas

Ao longo de sua história, o Juriti tem contribuído com o voo de poetas, bandas e cantores locais de várias estilos como a  Carne Doce, Chá de Gim, Diego de Morais, Kleuber Garcez,  Rheuter, Lorranna Santos, Milla Tuli, Paula de Paula, Flávia Carolina; dos poetas Kesley Rocha, Dayse Kenia, Luiza Camilo, Mazinho  e Camila Leite, entre tantos outros, além de diversos atores e companhias de teatro com belíssimas encenações das poesias selecionadas.

Edição on-line

Nas últimas edições, o Festival tem conseguido trazer também atrações nacionais como Jorge Mautner, Walter Franco, Badi Assad e o Grupo Último Tipo, com shows que encantaram o público presente e ajudaram a qualificar o evento, ampliando geográfica e culturalmente seu intercâmbio de saberes. Nesta edição online Ricardo afirma que, devido a pandemia, ainda não há nada definido. ”A gente vive um momento em que tudo é incerto. Não temos como prever nem o que vai acontecer amanhã devido ao avanço da pandemia. Estamos pensando nesta possibilidade, mas não vamos criar expectativas e depois não termos como realizar. Pode acontecer nesta edição on-line,  mas se acontecer, será divulgado posteriormente”.

Os artistas goianos vão contar com cerca de R$ 50 milhões, divididos em 21 editais, após a aprovação do Projeto de Lei  795/2021, na madrugada de quarta-feira (21/04), na Câmara dos Deputados. O projeto prorroga os prazos de execução e de prestação de contas e permite a utilização dos recursos remanescentes da Lei Aldir Blanc. 

O projeto, de autoria do Senado, que contou com o apoio do Governo de Goiás e de outros estados, prorroga os prazos de utilização de R$ 3 bilhões repassados a todo o País, a título de apoio ao setor cultural em decorrência da pandemia de Covid-19. A matéria será enviada à sanção presidencial.

“A Secretaria de Cultura tem os editais prontos para usar todo o recurso da Lei Aldir Blanc, e só aguardávamos a liberação do Congresso Nacional. Já conversamos com vários parlamentares, fomos a Brasília e a própria classe artística está empenhada para isso”, destaca o secretário Cesar Moura. 

O artista pirenopolino Sergio Pompeo foi um dos contemplados pelos editais da Aldir Blanc em 2020, e doou uma obra de sua autoria à Paróquia Nossa Senhora do Rosário, de Pirenópolis: com aprovação do PL 795/2021, novos projetos poderão ser executados

Para o superintendente de Fomento e Incentivo à Cultura, da Secult, Nilson Jaime, a estratégia do Governo de Goiás para usar 100% da verba, tão logo seja destravada, é ampliar os editais. “São 21 editais para atender especificamente os segmentos. Estamos trabalhando com planejamento, realizando lives semanais para pessoas do interior e dando capacitação para sanar qualquer dúvida”, destaca. 

Uma das medidas para dar celeridade na captação do recurso é retirar obstáculos, como o de limitar a participação a quem recebeu outro auxílio do governo federal ou de quem declarou Imposto de Renda. “As pessoas vão poder se inscrever, pois estamos criando as condições para que o edital atenda o artista”, garante o superintendente.

Os três editais da Lei Aldir Blanc lançados pela Secult/Goiás no ano passado beneficiaram mais de 1.530 projetos em todo o Estado. A maioria deles já está em execução e abrange diversas áreas como música, audiovisual, culinária, artes plásticas e outras.

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