Com informações da TeleSur e Extre News Mundo de Caracas, Venezuela – Dois terremotos consecutivos deixam mais de 160 mortos e destruição na Venezuela. Pelo menos 164 pessoas morreram e quase mil ficaram feridas nos dois fortes terremotos de quarta-feira (24) na Venezuela, que provocaram o desabamento de dezenas de prédios e cortes de energia em dois estados venezuelanos.
O que aconteceu na Venezuela:
- Dois terremotos consecutivos na Venezuela, de magnitude 7,2 e 7,5 na escala Richter — com epicentros nos estados de Carabobo e Yaracuy — abalaram o país e a região do Caribe, tornando-se o terremoto mais poderoso registrado no país desde 1900.
- A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, declarou estado de emergência constitucional após dois terremotos consecutivos de magnitude 7,5 atingirem o país por volta das 18h de quarta-feira.
- O número de vítimas está em atualização. Nas próximas horas, devem chegar socorristas internacionais dos países que manifestaram solidariedade à Venezuela.

População corre assustada com o maior terremoto em 126 anos de história da Venezuela. Foto: Telesur
Onda de solidariedade internacional
Os terremotos provocaram uma ampla mobilização internacional. Com ao menos 164 mortos, mais de mil feridos e dezenas de edifícios destruídos, especialmente em Caracas e no estado de La Guaira. A tragédia desencadeou manifestações de solidariedade, envio de equipes de resgate, assistência médica e ajuda humanitária por parte de governos de diferentes continentes. Em suas redes, Lula se solidarizou e disse que apoiaria o governo para ajudar a reconstruir áreas afetadas.
Na América Latina, América do Norte, Europa e Ásia, chefes de Estado, organismos multilaterais e entidades humanitárias anunciaram medidas de apoio às autoridades venezuelanas. Entre as manifestações de solidariedade está a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que afirmou ter recebido a notícia dos terremotos com “grande preocupação e consternação” e colocou o Brasil à disposição para colaborar na recuperação das áreas afetadas
A dimensão da tragédia levou governos historicamente alinhados e também países com divergências políticas em relação à Venezuela a anunciarem apoio ao povo venezuelano, reforçando a necessidade de cooperação internacional diante da emergência humanitária.


Lula manifesta solidariedade e oferece apoio do Brasil
Em nota divulgada nesta quinta-feira (25), o presidente Lula expressou pesar pelas vítimas e reafirmou a disposição do governo brasileiro de contribuir com os esforços de reconstrução.
“Reafirmo nossa determinação de apoiar o governo da presidente encarregada Delcy Rodríguez na recuperação das zonas afetadas desse país irmão, cujo povo tem dado provas de grande resiliência diante das adversidades”, declarou o presidente.

Nas redes sociais, Lula informou ainda que determinou ao Ministério das Relações Exteriores acompanhar a situação por meio da embaixada brasileira em Caracas e avaliar as formas de assistência que o Brasil poderá oferecer nos próximos dias.
O Itamaraty também divulgou nota de solidariedade ao povo venezuelano e informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas dos terremotos. O governo brasileiro disponibilizou canais de emergência para cidadãos que estejam na Venezuela e necessitem de assistência consular.
Os tremores também foram sentidos em cidades do Norte do Brasil, onde alguns edifícios chegaram a ser evacuados preventivamente.
Países latino-americanos anunciam ajuda
A resposta mais imediata veio de diversos países da América Latina, que ofereceram recursos humanos, equipamentos e apoio logístico.
México
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, informou que determinou à Secretaria de Relações Exteriores a preparação da ajuda solicitada pelo governo venezuelano, especialmente nas áreas de resgate e saúde.
“Nossa solidariedade com o povo da Venezuela. A Secretaria de Relações Exteriores entrou em contato com o governo do país irmão e já instruí a preparação da ajuda necessária”, afirmou.

El Salvador
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, anunciou o envio de uma grande operação de assistência. Segundo ele, 300 socorristas e paramédicos, além de 50 toneladas de equipamentos, medicamentos e suprimentos básicos, estão prontos para seguir rumo a Caracas.
República Dominicana
A República Dominicana confirmou o deslocamento de equipes especializadas das Forças Armadas para atuar em operações de busca, resgate e atendimento emergencial.
Equador
O Equador também colocou ajuda humanitária à disposição. Em comunicado oficial, o presidente Daniel Noboa afirmou que, independentemente das diferenças políticas entre governos, a solidariedade deve prevalecer em momentos de tragédia.
Argentina
A Argentina manifestou pesar pelas vítimas e publicou orientações para cidadãos argentinos que se encontram em território venezuelano. Posteriormente, o gabinete do presidente Javier Milei divulgou nota colocando o país à disposição para colaborar.
“Para além das diferenças que possam existir entre os nossos governos, o presidente Javier G. Milei estende a sua mão em solidariedade ao povo venezuelano diante de uma catástrofe natural que exige uma reação de toda a comunidade internacional”, afirmou o comunicado.
Cuba
Em suas redes, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também prestou apoio e disse que Cuba irá cooperar com a equipe de saúde do país:
“Nossas condolências sentidas e toda a solidariedade ao governo e ao povo de #Venezuela, pelos terríveis terremotos que nesta quarta-feira abalaram o centro do país. O pessoal cubano da Saúde coopera ativamente na atenção aos damnificados“, escreveu.

Também prestaram solidariedade e ofereceram apoio Bolívia, Uruguai, Costa Rica, Honduras, Peru, Nicarágua e outros governos da região.
Estados Unidos anunciam envio de equipes de resgate
Os Estados Unidos foram um dos primeiros países a anunciar medidas concretas de apoio.
O presidente Donald Trump manifestou solidariedade às vítimas e afirmou que o país atuará ao lado da Venezuela diante da tragédia.
“Estaremos lá para nossos novos e queridos amigos. Os primeiros relatos não são bons”, declarou.

Posteriormente, autoridades norte-americanas detalharam o plano de assistência. O vice-secretário de Estado, Christopher Landau, informou que Washington está em contato permanente com as autoridades venezuelanas.
O secretário de Estado, Marco Rubio, confirmou o envio imediato de equipes de busca e salvamento, recursos médicos e ajuda humanitária.
Segundo o Departamento de Estado, uma força-tarefa especializada em resposta a desastres naturais já foi mobilizada para coordenar as operações.
Jeremy Lewin, subsecretário de Estado para Assistência Externa, Assuntos Humanitários e Liberdade Religiosa, afirmou que os Estados Unidos trabalharão em cooperação com as autoridades venezuelanas nos primeiros dias após o desastre.
A presidente encarregada da Venezuela, Delcy Rodríguez, informou ter conversado por telefone com Rubio e agradeceu o apoio oferecido por Washington.
União Europeia amplia monitoramento e assistência
Na Europa, governos e instituições comunitárias também anunciaram medidas de apoio.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, manifestou solidariedade ao povo venezuelano, enquanto a comissária para Gestão de Crises da União Europeia, Hadja Lahbib, informou a ativação do sistema de monitoramento por satélite Copernicus.
A ferramenta fornecerá imagens atualizadas e dados em tempo real para auxiliar equipes de resgate na identificação das áreas mais atingidas e na organização das operações de socorro.
A França anunciou o envio imediato de 85 especialistas em busca e salvamento. Em mensagem publicada na rede social X, o presidente Emmanuel Macron informou ter conversado com Delcy Rodríguez.
“Estamos prontos, juntamente com nossos parceiros europeus, para prestar assistência às populações afetadas”, afirmou.

A Espanha também colocou recursos à disposição da Venezuela. O governo espanhol informou que 54 militares especializados em resposta a emergências permanecem preparados para serem enviados ao país.
Já a Alemanha declarou que poderá disponibilizar até seis aeronaves militares para missões humanitárias, transporte de equipes técnicas e envio de suprimentos emergenciais.
China e Índia também oferecem cooperação
Na Ásia, China e Índia anunciaram disposição para colaborar com os esforços de recuperação.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, afirmou que Pequim acompanha a situação com preocupação e está pronta para fornecer toda a assistência solicitada pelo governo venezuelano.
Segundo o representante chinês, não há informações sobre vítimas entre integrantes da comunidade chinesa residente na Venezuela.
O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, também manifestou solidariedade e declarou que seu país está preparado para prestar apoio às autoridades venezuelanas.
“Oramos pela rápida recuperação dos feridos e nos solidarizamos com todos os afetados neste momento difícil”, afirmou.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, divulgou mensagem semelhante, expressando condolências às famílias das vítimas.
Solidariedade supera divergências políticas
A repercussão internacional dos terremotos mostrou um raro momento de convergência diplomática envolvendo governos com posições políticas distintas em relação à Venezuela.
Países aliados históricos de Caracas, como Cuba e Nicarágua, ofereceram ajuda. Ao mesmo tempo, governos que mantêm divergências com as autoridades venezuelanas, como Estados Unidos, Argentina e Equador, também anunciaram apoio.
O presidente de extrema-direita eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, manifestou solidariedade ao povo venezuelano.
“A Colômbia os acompanha nesta hora difícil com afeto, respeito e esperança”, declarou.

Mensagens semelhantes foram divulgadas por autoridades do Reino Unido, Catar, Jordânia, Barbados, Curaçao e outros países.
Enquanto equipes de resgate seguem trabalhando entre os escombros, a expectativa é de que o apoio internacional continue crescendo nos próximos dias. O desafio imediato das autoridades venezuelanas é ampliar o atendimento aos feridos, localizar desaparecidos e iniciar a recuperação das áreas mais atingidas pelos terremotos.
A mobilização diplomática registrada nas horas seguintes à tragédia demonstra que a dimensão do desastre ultrapassou fronteiras e transformou a reconstrução da Venezuela em uma preocupação compartilhada por governos e organismos internacionais de diferentes regiões do mundo.
Fonte: TeleSur e TVTNews, Foto: TeleSur