A direção estadual do PT entrou com ação contra o deputado estadual Amauri Ribeiro (União Brasil), que tem usado a tribuna da Assembleia Legislativa para fazer ataques machistas contra a deputada estadual Bia de Lima (PT). A representação no Comissão de Ética da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), informa que Amauri adota reiteradamente conduta atentatória ou incompatível com o decoro parlamentar e pede punições, que vão desde perda de mandato a retratação pública do legislador.
No documento, os advogados ressaltam que “o comportamento do deputado [Amauri Ribeiro] não apenas reiterou as condutas incompatíveis com o decoro parlamentar, como também extrapolou os limites do embate político e da divergência ideológica, assumindo contornos de violência simbólica, verbal e potencialmente física contra uma parlamentar mulher no exercício pleno do mandato.
Conforme o documento, a fala do parlamentar durante a sessão ordinária dessa quarta-feira, 21, foi “evidentemente caluniosa e ofensiva, imputou à deputada a prática de conduta criminosa gravíssima (pedofilia), extrapolando de forma evidente os limites da imunidade parlamentar”.
Por meio da representação, Bia de Lima solicita a instalação imediata de procedimento disciplinar contra o deputado, a expedição de advertência formal e pública, a adoção de providências para garantir a manutenção da ordem nas sessões e o respeito às prerrogativas constitucionais dos parlamentares.
Rádio Interativa critica postura do presidente da Alego
Durante o programa “Falando Sério”, da Rádio Interativa, o jornalista Pablo Kossa criticou a postura do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Bruno Peixoto (UB), que, na visão dele, estaria passando a mão na cabeça de Amauri Ribeiro ao invés de tomar medidas mais duras para pôr fim às baixarias do parlamentar, que, segundo Pablo, está manchando a imagem da Alego.
Veja o vídeo abaixo:
Machismo e violência de gênero
“Se as agressões acontecessem com as esposas, irmãs e mães de vossas excelências [deputados], acho que não estariam nesse silêncio. Trabalhei muito pela instalação da Procuradoria Especial da Mulher nesta Casa, que realiza atividades importantíssimas em todo o estado, e a Alego não vai ficar refém dessas posturas inadequadas. Os comportamentos são inaceitáveis e nada é feito. Isso não pode acontecer mais. A Casa precisa tomar providências”, afirmou a deputada.
A deputada relatou ainda que quase foi agredida por Amauri Ribeiro na quarta-feira, 21, e que precisou ser escoltada até o seu gabinete.
“Ele é reincidente. Ninguém aguenta mais esse palavreado chulo, que suja esta Casa, que constrange e envergonha a todos. Sou mãe, sou professora, tenho caráter e não vou tolerar situações como essa”, ressaltou.
A parlamentar fez um apelo para que as providências sejam tomadas. “Faço um apelo ao presidente desta Casa, que eu votei, para tomar as providências cabíveis. Trabalhei muito para chegar aqui e sou diariamente desrespeitada. O deputado quis imputar a mim, que sou uma mulher de respeito, algo que nunca aconteceu. Tenho sido agredida e violentada diariamente, para mim basta. Peço ao senhor que tome as providências cabíveis”, enfatizou.