Mensagens eletrônicas obtidas pela Polícia Federal (PF) indicam que uma conta identificada com o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, esteve vinculada ao perfil administrativo de acesso bancário de uma empresa do advogado Willer Tomaz, alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro no esquema de fraudes contra aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A informação foi revelada pelo portal UOL em reportagem publicada neste sábado (10).
A apuração do veículo aponta que os e-mails foram localizados em arquivos armazenados em serviço de nuvem de Tomaz, apreendidos no âmbito da Operação Sem Desconto, que investiga desvios que podem alcançar R$ 6,3 bilhões por meio de cobranças associativas indevidas em aposentadorias e pensões.
Segundo a Polícia Federal, a troca de mensagens com o banco Santander tratava de uma conta relacionada à Alcazar Holdings, firma sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, da qual o advogado é sócio.
Em mensagem enviada à instituição financeira em 22 de maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou a exclusão de uma conta com a identificação “Flávio Bolsonaro” do conjunto de acessos vinculados ao chamado “usuário master” atribuído ao advogado. No mesmo dia, o banco confirmou a exclusão do cadastro. A solicitação ocorreu exatamente um mês após a deflagração da primeira fase ostensiva da operação da PF.
O sistema adotado pelo banco para contas de pessoas jurídicas permite múltiplos usuários autorizados: o perfil master detém autorização para realizar todas as movimentações financeiras, enquanto os usuários secundários operam com permissões restritas.
Conforme os relatórios da investigação, a conta com o nome do parlamentar aparecia associada ao mesmo contato administrativo em que o escritório havia pedido a inclusão da conta da Alcazar Holdings e de uma conta pessoal de Tomaz.
Em relatório citado na reportagem, a PF destacou a necessidade de aprofundar as apurações sobre o fluxo financeiro do advogado e sua relação com agentes públicos. A corporação apura se a estrutura montada por Tomaz — descrita pelos investigadores como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” que envolvia empresas, imóveis, aeronaves e operadores — também atendia aos interesses de Flávio Bolsonaro.
Além da troca de e-mails sobre a conta bancária, os investigadores identificaram que duas empresas de Tomaz em Portugal (Alcazar Holdings e Cathedral Holdings) bancaram voos em jatos executivos utilizados por Flávio Bolsonaro e familiares em 2024 e 2025.
Uma das aeronaves utilizadas foi um jato Legacy 650, do qual a Alcazar possui uma cota e que também tinha entre os cotistas a empresa Prime You, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A PF apura ainda outros vínculos entre o parlamentar e os investigados pelo caso do INSS. O escritório individual de advocacia de Flávio Bolsonaro em Brasília é administrado por Letícia Caetano dos Reis, irmã do contador Alexandre Caetano dos Reis, preso sob a acusação de prestar serviços para Antonio Carlos Camilo Antunes, apontado como operador central dos desvios previdenciários.
Em nota encaminhada ao UOL, a assessoria de Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade e rechaçou as conclusões da apuração: “O senador nunca manteve conta tendo como usuário master o Sr. Willer Tomaz ou qualquer de suas empresas. Toda e qualquer afirmação nesse sentido é falsa. Igualmente falsa é a alegação de que o senador teria criado um usuário no sistema Rede Loto. Isso jamais ocorreu”.
O parlamentar também atribuiu o vazamento a interesses eleitorais e declarou que acionará a Justiça contra a divulgação de notícias falsas.
A defesa de Willer Tomaz também repudiou a reportagem e afirmou que a conta mencionada “nunca lhe pertenceu”. Em manifestação, o advogado afirmou que “jamais criou usuário em nome do senador Flávio Bolsonaro em qualquer plataforma” e disse que mantém com o parlamentar apenas relação de amizade pessoal, sem qualquer vínculo de natureza comercial ou financeira.
BdF