Petrobrás reduz em R$ 0,15 o litro da gasolina

Em 31 de dezembro de 2018, litro da gasolina nas refinarias da Petrobras custava R$ 1,50. Estatal mantém PPI e reduções recentes não resolvem o problema

Da Redação
28/07/2022 - 21:17
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Petrobrás reduz em R$ 0,15 o litro da gasolina

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (28) uma redução de R$ 0,15 por litro no preço da gasolina. O novo preço, de R$ 3,71 por litro, representa queda de 3,9% e passa a valer a partir de amanhã. Na semana passada, a estatal já havia reduzido em R$ 0,20 o preço do combustível – redução de 4,9%. Ainda assim, durante o governo Bolsonaro, a gasolina acumula alta de 147,3%. Em 31 de dezembro de 2018, às vésperas da posse do atual presidente, o litro do combustível nas refinarias custava R$ 1,50.

Tanto a escalada anterior quanto a recente queda é resultado da política de Preço de Paridade Internacional (PPI), que a Petrobras vem aplicando desde 2016. Assim, a companhia repassa as variações do petróleo no mercado internacional – com cotação em dólar – diretamente ao consumidor brasileiro. Além disso, o PPI também considera custos de logística para importação que são inexistentes.

No início do ano, o barril de petróleo tipo brent custava cerca de US$ 80. No início de março, em função da guerra na Ucrânia, chegou a custar quase USS$ 130. Desde então, o preço do petróleo voltou a cair, por conta do risco de recessão nos Estados Unidos e da desaceleração da economia chinesa. No mês passado, o barril chegou a ficar abaixo dos US$ 100. Hoje, era vendido a cerca de USS$ 107 o barril.

Recentemente, o real se valorizou frente ao dólar. A moeda americana, que chegou a valer R$ 5,50 na semana passada, hoje fechou cotada em R$ 5,15. São esses os principais fatores que explicam a recente redução da gasolina nas refinarias.

Nos postos

Já a redução do preço da gasolina nos postos (-5,01% em julho, segundo o IPCA-15) é decorrente, principalmente, da aprovação do teto do ICMS, limitado em 17%. Antes da redução tributária, o preço da gasolina nos postos também acumulava alta de 69% durante o governo Bolsonaro, segundo dados da ANP tabulados pelo Observatório Social do Petróleo (OSP).

Nesse sentido, a recente queda no preço da gasolina na bomba não tem qualquer ligação com a política de preços da Petrobras. Mostra disso é que as ações preferenciais da estatal registraram alta de cerca de 3,0% hoje. Isso porque os investidores aguardam a divulgação do balanço trimestral da companhia, que deve trazer novo lucro recorde, de até R$ 60,4 bi.

Os dividendos a serem pagos aos acionistas da empresa devem ficar entre R$ 47 bilhões e 58 R$ bilhões, conforme calculou o Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). A Petrobras deve divulgar o balanço nesta quinta a partir das 18h, após o fechamento do mercado de ações.