Oxfan: 1% mais rico responde por 20% do aquecimento global

O relatório da Oxfam Internacional, divulgado terça-feira passada (27), revela que o 1% mais rico da população mundial foi responsável por 20% do aquecimento global registrado desde 1990. Cada indivíduo desse grupo emite, em média, 100 vezes mais carbono do que uma pessoa situada na metade mais pobre da humanidade. Com o título Disaster Divide: […]

4 min de leitura

Imagem destacada do post: Oxfan: 1% mais rico responde por 20% do aquecimento global

O relatório da Oxfam Internacional, divulgado terça-feira passada (27), revela que o 1% mais rico da população mundial foi responsável por 20% do aquecimento global registrado desde 1990.

Cada indivíduo desse grupo emite, em média, 100 vezes mais carbono do que uma pessoa situada na metade mais pobre da humanidade.

Com o título Disaster Divide: How climate chaos deepens inequality and enriches the few (“O Fosso dos Desastres: como o caos climático aprofunda a desigualdade e enriquece poucos”), o documento foi publicado às vésperas da COP31, agendada para ocorrer entre 9 e 20 de novembro em Antalya, na Turquia.

Os dados mostram a dimensão da desigualdade climática. O estrato dos 0,1% mais ricos, cerca de 8 milhões de pessoas, lança na atmosfera mais poluição por carbono do que os 3,5 bilhões mais pobres somados. Esse volume supera em mais de três vezes o total emitido por toda a população da África Subsaariana (1,3 bilhão de pessoas). Uma pessoa pertencente a esse topo contribuiu quase 400 vezes mais para as atuais ondas de calor extremas do que alguém entre os 50% mais pobres.

As consequências atingem assimetricamente as populações de menor renda. Apenas um ano de emissões do 1% mais rico causará cerca de 1,9 milhão de mortes adicionais ligadas ao calor, sendo que 78% desses óbitos ocorrerão em países de renda baixa e média-baixa, nações responsáveis por apenas 8% das emissões globais. Até 2050, essas emissões deverão gerar US$ 53 trilhões em danos econômicos e provocar o deslocamento de até 1 bilhão de pessoas, a maioria residente no Sul Global.

“A crise climática é frequentemente descrita como um desafio humano compartilhado. Mas não é. Aqueles que menos contribuíram para causá-la estão perdendo suas casas, suas colheitas e, cada vez mais, suas vidas. Enquanto isso, os super-ricos podem comprar sua segurança, refugiando-se em bunkers subterrâneos de alta tecnologia, contratando equipes privadas de combate a incêndios e adquirindo seguros privados, além de lucrarem ativamente com as consequências da poluição que geram. Isso não é uma tragédia de destino compartilhado; é um crime de desigualdade extrema”, afirmou Amitabh Behar, diretor executivo internacional da Oxfam.

A mercantilização dos desastres

Além da poluição, a organização aponta o avanço da mercantilização dos desastres. O mercado global de reconstrução pós-desastre deve movimentar US$ 92 bilhões anuais até 2029. O Índice “Destruir e Reconstruir”, formulado pela Oxfam, identifica 217 corporações que lucram simultaneamente com setores poluentes e com a resposta a emergências. As gestoras BlackRock e Vanguard possuem investimentos em 92% dessas empresas, somando mais de US$ 1 trilhão.“Os super-ricos estão incendiando o planeta e depois cobrando do resto de nós pelos extintores. Eles lucram com a poluição. Eles lucram com o desastre. E lucram novamente com a reconstrução”, completou Behar.

Para conter o ciclo de degradação, a Oxfam defende a taxação permanente sobre grandes fortunas e corporações de combustíveis fósseis, a proibição do lucro privado sobre desastres e o aumento expressivo dos recursos públicos destinados ao financiamento climático no Sul Global.

Foto: Secom/RS