O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quinta-feira (23) que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar o destino das verbas que supostamente financiaram o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), atualmente preso em domiciliar por tentativa de golpe de Estado.
A decisão foi tomada após a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitir parecer favorável à abertura do inquérito no STF. A solicitação de investigação partiu do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que pede a apuração de possíveis irregularidades no financiamento do filme pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Na representação, o parlamentar aponta uma suposta relação entre os recursos que seriam destinados à produção cinematográfica, solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e a atuação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
Relator da notícia-crime, o ministro André Mendonça encaminhou o caso à PGR para manifestação em 30 de junho. O processo tramita sob sigilo de nível 3 no STF, classificação adotada para preservar diligências, assegurar a efetividade de decisões judiciais e resguardar informações sensíveis durante as investigações.
Um contrato exclusivo obtido pelo Intercept Brasil mostra que Eduardo Bolsonaro detinha poder direto sobre o dinheiro destinado ao projeto “Dark Horse”. Segundo a investigação, o ex-deputado não era apenas um apoiador, como ele alegou em suas redes sociais na última quinta-feira (14), mas exercia papel de liderança nas orientações sobre o fluxo de caixa do projeto.
Mensagens e o contrato da produção do filme indicam que o parlamentar orientou o envio de recursos para os Estados Unidos, verbas estas que teriam sido negociadas por seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), junto ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O montante negociado chegaria a R$ 134 milhões, dos quais a família teria recebido R$ 61 milhões.
O valor é considerado elevado para uma produção cinematográfica. Para efeito de comparação, “O Agente Secreto”, produçã brasileira indicada ao Oscar 2026, custou cerca de R$ 28 milhões.
O filme “Dark Horse” contará uma versão ficcionalizada da vitória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2018. O roteiro, divulgado na internet, mostra uma história com um traficante como vilão, que apoia o governo de esquerda e trama o atentado com a facada.
Conexões com Ricardo Nunes
A produtora responsável pelo filme, GoUp Entertainment, ligada a setores evangélicos e aliados da extrema direita, possui um contrato de R$ 108 milhões com a prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) para a instalação de pontos de Wi-Fi na capital.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) está sob pressão para investigar se houve favorecimento político ou desvio de finalidade, dado o estreito laço entre a produtora-executiva do filme e a cúpula do bolsonarismo, que inclui Nunes.
De acordo com a GloboNews, o Supremo Tribunal Federal (STF) tenta intimar o deputado federal Mário Frias (PL-SP) há mais de um mês, para que explique “possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas”.
O parlamentar enviou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, que é administrado pela GoUp Entertainment, via emenda parlamentar. O Intercept consultou os sócios da empresa, mas eles não se manifestaram.BdF