Manifestação põe 42 na Paulista, 41 mil em Copacabana e milhares em Goiânia

O ato contra a PEC da Blindagem e os projetos de anistia que tramitam no Congresso Nacional, marcado para a tarde deste domingo, levou milhares de pessoas às ruas em Goiânia e em outras 22 capitais brasileiras. Na Avenida Paulista o movimento reuniu mais de 42 mil pessoas, e na Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, […]

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O ato contra a PEC da Blindagem e os projetos de anistia que tramitam no Congresso Nacional, marcado para a tarde deste domingo, levou milhares de pessoas às ruas em Goiânia e em outras 22 capitais brasileiras. Na Avenida Paulista o movimento reuniu mais de 42 mil pessoas, e na Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, mais de 41 mil foram ao ato, que condena a PEC da Bandidagem, que libera corruptos e bandidos para serem candidatos a deputado federal e senador, e também contra a anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em Goiânia, milhares de pessoas ocuparam a Praça Universitária ao som de artistas locais e discursos de lideranças sindicais, de movimentos sociais e politicos, contra a PEC da Bandidagem e a anistia aos golpisas.

SP

Nem mesmo a chuva que começou a cair na cidade por volta das 16h, afastou os manifestantes, concentrados nos quarteirões da mais famosa avenida da capital. Segundo a organização do ato, centenas de milhares de pessoas se reuniram para mostrarem sua insatisfação com a votação no Congresso que pretende impedir investigações contra parlamentares, antes de análise prévia das casas legislativas e os projetos que pretendem anistiar ou mesmo diminuir as penas de golpistas.

Segundo Gilmar Mauro, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o ato deste domingo foi o início da “primavera do povo brasileiro em luta”. “Hoje, nós estamos antecipando a primavera, que começa oficialmente amanhã. No final do dia, nós vamos poder falar de milhões contra a anistia aos golpistas, contra a PEC [da Blindagem], e colocar em pauta os temas da classe trabalhadora”, completou .

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Deram o tom para o ato, não apenas as tradicionais bandeiras dos partidos e sindicatos, mas também cartazes populares que revelavam a insatisfação do povo com a condução da política nacional no Congresso. Mesmo pautas como o PL da Devastação foram lembradas pelos manifestantes na avenida Paulista.

“Hoje é um dia histórico. Hoje, a esquerda brasileira retomou o protagonismo das ruas nesse país”, disse o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP). “E as coisas ficaram claras. Existem dois projetos em disputa no país: o primeiro é o nosso, que está aqui. É o projeto que diz que o Congresso, a política, tem que servir para o povo e não o contrário”, completou.

Ao longo da semana, artistas declararam apoio ao ato popular e confirmaram presença no encontro. O cantor Otto destacou que “a manifestação está linda, mas o principal é o povo ter consciência do que tem dentro daquele Congresso e ter o direito de acabar com isso”. “Não é acabar o Congresso, mas é moraliza-lo. Tem coisas que não dá pra aceitar”, explicou o artista.

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Um domingo histórico

Já beirava às 17h quando, no Rio de Janeiro, Caetano Veloso deu início ao ato no Posto 5 da Praia de Copacabana. O dia histórico ainda reuniu Djavan, Gilberto Gil, Chico Buarque, Geraldo Azevedo, Ivan Lins, Lenine, entre outros, retomando a participação dos artistas em atos importantíssimos do Brasil, como a Passeata dos Cem Mil, em 1968.

“Nós já passamos por momentos parecidos, sempre buscando a autonomia do nosso povo e esse é um desses momentos”, disse Gilberto Gil.

Em Salvador, a manifestação teve apoio da cantora Daniela Mercury e do ator Wagner Moura, que dançaram juntos sobre o carro de som diante da orla lotada de manifestantes no Morro do Cristo.

“Sem anistia, porque foi essa lei, essa lei da anistia, num país que esculhamba sua memória, com uma lei como aquela que a gente teve antigamente… É por causa daquela lei que a gente teve Bolsonaro. E isso não pode acontecer nunca mais”, declarou o ator, em referência à Lei da Anistia decretada em 1979, durante a ditadura militar. A norma permitiu o perdão aos torturadores.

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Show de gigantes: Caetano Veloso, Djavan, Chico Buarque e Gilberto Gil juntos contra anistia e PEC da Blindagem. Imagens: Mídia Ninja