Lula une as forças progressistas e é lançado candidato à reeleição

A chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin foi oficializada neste domingo, 2, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo, com o apoio de sete partidos. Em seu discurso, Lula recorreu à própria trajetória e às transformações sociais promovidas pelos governos petistas, em especial neste seu terceiro mandato, para […]

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A chapa formada por Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin foi oficializada neste domingo, 2, durante a Convenção Nacional do PT, em São Paulo, com o apoio de sete partidos. Em seu discurso, Lula recorreu à própria trajetória e às transformações sociais promovidas pelos governos petistas, em especial neste seu terceiro mandato, para projetar um novo ciclo de desenvolvimento mais ousado e transformador, com inclusão social e defesa da soberania brasileira.

A chapa Lula-Alckmin tem o apoio de todos os partidos do campo progressista. É a primeira vez que 7 siglas de esquerda e centro-esquerda – PT, PV, PCdoB, PSB, PSOL, Rede e PDT – se unem em torno de uma única chapa para a disputa presidencial. Desde a primeira eleição direta para a Presidência, em 1989, após o longo período da ditadura militar, os partidos progressistas seguiram mais pulverizados.

Lideranças políticas progressistas consideram que o avanço da extrema direita no mundo e as claras ameaças à democracia e à soberania do Brasil apontaram a necessidade urgente de união.

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↑ Lula na campanha das Diretas Já, em 1984, entre Ulysses Guimarães e Tancredo Neves, Miguel Arraes, Marcos Freire e Lucy Montoro. Foto: Antonio Carlos Piccino/O Globo/Estúdio/AgênciaFoto: Antonio Carlos Piccino – O Globo – Estúdio/Agência

O primeiro adversário de Lula no campo da esquerda foi Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro e fundador do PDT. Eles disputaram as eleições de 1989 e 1994, mas depois, em 1998, Brizola acabou sendo candidato a vice-presidente na chapa de Lula.

Sem Brizola no pleito, também concorreram pela centro-esquerda em 1998 Ciro Gomes, à época no PPS (atual Cidadania), e Alfredo Sirkis (PV). Ciro também disputou com Lula na eleição seguinte, de 2002, a primeira vencida pelo presidente, mas o principal nome que concorreu pela esquerda com Lula foi o ex-governador fluminense Anthony Garotinho, pelo PSB à época, após um rompimento com o PDT de Brizola.

A fragmentação da esquerda se repetiu em todas as eleições seguintes, com exceção de 2022:

  • 2006: Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) concorreram com Lula;
  • 2010: Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) concorreram com Dilma Rousseff, nome do PT;
  • 2014: Marina Silva (PSB), Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) disputaram a Presidência com Dilma;
  • 2018: Marina Silva (Rede) concorreu à Presidência com Fernando Haddad, o nome do PT.

Brizola e Garotinho também tiveram outra peculiaridade: foram os únicos candidatos a presidente na Nova República que deixaram de ir ao segundo turno por muito pouco. Em 1989, Lula avançou à segunda etapa com 17,19% dos votos na primeira, contra 16,51% de Brizola (menos de 500 mil votos de diferença). Quem acabou eleito foi Fernando Collor (PRN). 

Já em 2002, Garotinho deixou de levar a disputa com Lula ao segundo turno por 4,5 milhões de votos, ficando estacionado no primeiro turno com 17,87%, contra 23,20% de José Serra (PSDB), que avançou e perdeu para Lula na segunda etapa.

eleição de 2014 foi a mais emblemática da Nova República, sobretudo para o campo progressista. Além da pulverização e do início da contaminação da política pela Operação Lava-Jato, a disputa sofreu um abalo com a morte de Eduardo Campos (PSB) em um acidente de avião em plena campanha presidencial, aos 49 anos, em 13 de agosto

Aquela eleição também opôs pela segunda vez não só petistas e ex-petistas, como também pessoas que haviam dividido assentos na Esplanada do presidente Lula em seus primeiros governos:

  • a então presidente Dilma Rousseff, que havia sido ministra de Minas e Energia de 2003 a 2005 e da Casa Civil de 2005 a 2010;
  • Eduardo Campos, que havia sido ministro da Ciência e Tecnologia em 2004 e 2005;
  • Marina Silva, que havia sido ministra do Meio Ambiente de 2003 a 2008 – cargo que ocupou novamente no terceiro governo Lula, de 2023 a 2026.

Em 1989, a primeira eleição direta da democracia brasileira, houve 4 candidatos de esquerda entre os 22 que concorreram à Presidência. Em 1994, de 8 candidatos, só 2 eram de esquerda.

A proporção começou a crescer com o surgimento de partidos menores, alinhados com alas mais radicais da esquerda, que lançavam chapas puro-sangue, como PCB, PSTU, PCO e UP. Em 2002, por exemplo, disputaram 5 candidatos de esquerda, de um total de 6.

As candidaturas de esquerda continuaram representando metade ou mais do que o total de candidatos nas eleições de 2006, 2010 e 2014. Em 2018, foram 6 de 13, e em 2022, 5 de 11. Neste ano, há 4 pré-candidatos da esquerda mais radical.

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Lula apresentou 5 compromissos para um novo governo

Ao longo do discurso, Lula apresentou cinco grandes compromissos para um eventual quarto mandato: garantir a soberania sobre os recursos estratégicos, enfrentar a violência contra as mulheres, transformar a educação, criar uma política nacional para os idosos e fortalecer a defesa do país.

O primeiro compromisso envolve o domínio brasileiro sobre terras raras, minerais críticos e novas tecnologias. Lula defendeu que o país deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e desenvolva conhecimento para explorar, transformar e utilizar suas próprias riquezas.

Nem chinês, americano ou francês vão meter o dedo na nossa terra rara. Já que a inteligência artificial existe, ela pode ser útil e vamos investir muito nisso“, afirmou.

Ao anunciar os compromissos de um quarto mandato, Lula colocou a educação entre as principais prioridades.

Eu sou candidato pela quarta vez para resolver definitivamente o papel da educação nesse país”, afirmou.

Proteção às mulheres

O enfrentamento à violência contra as mulheres apareceu como outro compromisso central. Lula afirmou que o combate ao feminicídio não pode ser tratado como uma responsabilidade apenas das vítimas ou dos movimentos feministas.

Lula defendeu relações baseadas em respeito, companheirismo e igualdade. “Não existe contrato que permita ser dono”, disse, ao criticar homens que tratam namoradas e esposas como propriedade.

O presidente lembrou a criação do Pacto Nacional contra o Feminicídio e as medidas recentes adotadas pelo governo. Entre elas estão o pagamento de pensões alimentícias por meio do Pix e o uso de tornozeleiras eletrônicas com mecanismos capazes de alertar mulheres protegidas por medidas judiciais.

Se bater na mulher, não precisa votar em mim”, afirmou.

Desculpas pelo o que não fez

Lula afirmou que o quarto mandato não pode apenas repetir o que já foi realizado. Com o combate à fome, a recuperação de direitos e a reconstrução dos ministérios e programas desmontados pelo governo anterior, o país precisa avançar sobre aquilo que ainda não foi resolvido.

“Eu quero o Lulinha que vai fazer o que a gente ainda não fez, porque o básico nós já cuidamos”, apontou.

O presidente reconheceu que nem todas as promessas e expectativas construídas ao longo de sua trajetória puderam ser atendidas. Governar, explicou, significa escolher caminhos, lidar com limitações e tomar decisões que nem sempre agradam a todos.

Eu peço desculpa pelos erros que eu cometi, peço desculpa pelas coisas que eu não fiz”, declarou.

Na sequência, Lula afirmou que os resultados do governo oferecem à militância instrumentos inéditos para o debate político. A campanha, disse, deverá ser feita com argumentos, diálogo e comparação entre os projetos de país.

“Quando a gente governa, a gente não faz tudo o que quer. É importante saber que governar é decidir”, afirmou.

Entregas vão prevalecer sobre mentiras

Ao tratar da disputa eleitoral, Lula alertou para a circulação de conteúdos falsos produzidos ou impulsionados por inteligência artificial. Para ele, o campo democrático precisa conhecer as realizações do governo e dialogar com a população, inclusive com eleitores que foram atraídos pelo bolsonarismo.

A gente não tem que brigar, a gente tem que esclarecer. Tem gente que é bolsonarista porque é bolsonarista, mas tem um monte de gente que não é e que nós vamos convencer”, afirmou.

O presidente disse confiar que as políticas públicas e os resultados alcançados pelo governo serão mais fortes do que as campanhas de desinformação.

“Nós não podemos permitir que a essência da mentira utilizada pela inteligência artificial venha ganhar uma eleição nesse país. A mentira não prevalecerá. O que vai prevalecer é a entrega que nós estamos fazendo ao povo brasileiro”, declarou.

Ainda sobre o extremismo, o presidente Lula deixou um alerta: “Nós não temos o direito de permitir que a extrema direita volte a governar esse país”.

PT e a democracia na esquerda

Lula revisitou a criação do Partido dos Trabalhadores e homenageou pessoas que participaram da construção da legenda. Citou Paulo Freire, Henfil, Betinho, dirigentes sindicais e militantes que não chegaram a presenciar todas as conquistas alcançadas pelo projeto iniciado no fim da década de 1970.

Lula destacou que o PT conseguiu reunir sindicalistas, movimentos populares e organizações de diferentes tradições ideológicas. Mesmo mantendo suas posições e divergências, esses grupos aprenderam a respeitar as decisões tomadas coletivamente.

O PT é um partido político que ensinou a esquerda a viver democraticamente na diversidade”, afirmou.

O presidente também recordou a criação do Foro de São Paulo, em 1990, após a disputa presidencial contra Fernando Collor. Segundo Lula, o objetivo era convencer partidos e movimentos latino-americanos de que a transformação política poderia ser alcançada pela organização popular, pelas eleições e pela democracia.

A melhor via para a gente chegar ao poder não era a luta armada. Era a organização do povo, a eleição direta e a participação no processo eleitoral”, declarou.

Elogios ao vice Geraldo Alckmin

Lula dedicou parte do discurso ao vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), novamente escolhido para integrar sua chapa. Ele destacou a experiência acumulada pelo ex-governador de São Paulo e sua atuação à frente do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

O presidente lembrou que, ao formar o governo em 2023, buscava alguém capaz de compreender a indústria, a inovação e as necessidades do setor produtivo. A escolha de Alckmin, disse, combinou experiência administrativa, habilidade política e compromisso com o projeto de reconstrução nacional.

Ao recordar as primeiras direções do PT, Lula destacou que dirigentes sindicais como Olívio Dutra, Jacob Bittar e representantes de diferentes categorias conseguiram construir um espaço comum para grupos que antes pouco dialogavam.

Cada corrente manteve suas ideias, publicações e teses, explicou Lula, mas passou a conviver dentro de uma organização democrática e a respeitar as decisões tomadas pelas instâncias partidárias.

O partido é o guarda-chuva que unificou toda essa esquerda”, afirmou.

Lula agradeceu aos partidos que novamente se reuniram em torno de sua candidatura, entre eles PSB, PCdoB, PV, PDT e Rede. Também recordou lideranças como Miguel Arraes, Eduardo Campos, Leonel Brizola e João Amazonas.

Fonte: Rede PT de Comunicação.