Haddad cobra BC redução dos juros

Na véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (4) em um evento em São Paulo que uma diferença muito grande entre a taxa de juros e o nível da inflação pode transformar o remédio em veneno. “Por mais pressão que […]

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Brasília (DF) 17/05/2023 Ministro da Economia, Fernando Haddad, durante audiência pública conjunta das comissões de Desenvolvimento Econômico; Finanças e Tributação; Fiscalização Financeira e Controle fala sobre a política econômica do governo federal. Foto Lula Marques/ Agência Brasil.

Na véspera da decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) sobre a taxa Selic, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta terça-feira (4) em um evento em São Paulo que uma diferença muito grande entre a taxa de juros e o nível da inflação pode transformar o remédio em veneno.


“Por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central para não baixar juros, elas vão ter que cair. Não tem como sustentar 10% de juro real, com a inflação batendo 4,5%. Você vai sustentar um juro de 15 em nome do quê?”, questionou.


Ao ser questionado se acredita que a queda dos juros poderia ocorrer já nesta semana, respondeu: “Eu não sou diretor do Banco Central. Se eu fosse, eu votava pela queda.” É preciso lembrar que no governo do presidente Jair Bolsonaro (2019-2022) o Banco Central do Brasil foi transformado numa instituição independente, ou seja, o governo federal indica o presidente e diretores, mas não controla a política de juros diretamente, como havia sido nos mandatos anteriores, dos presidentes Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e nos mandatos de Lula e Dilma Roussef.

Haddad também disse que o alto patamar dos juros pode causar o efeito contrário do esperado e pressionar a inflação, dificultando investimentos que poderiam ampliar a capacidade da indústria para atender a demanda do mercado.

Defendendo sua gestão, o ministro destacou que o Brasil deve registrar a menor inflação acumulada em quatro anos desde o Plano Real, o menor desemprego da série histórica e que o presidente Lula deixará o país com as contas públicas em pleno equilíbrio.

“O melhor resultado fiscal em quatro anos desde 2015”, afirmou. “Eu fico lendo os jornais e fico lendo comentaristas que eu não sei se são pagos pra isso. A impressão que dá é que estamos vivendo uma crise fiscal. É um delírio que eu precisava entender do ponto de vista psicológico, porque, do ponto de vista econômico, eu não consigo entender.”