Entre eles está a ex-assessora de Flávio Bolsonaro (PL) e viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, Daniele Nóbrega
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), manteve a quebra dos sigilos fiscal e bancário da ex-assessora de Flávio Bolsonaro (PL) e viúva do miliciano Adriano da Nóbrega, Daniele Nóbrega, que participava do esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) terá acesso aos dados fiscais e bancários entre 2008 e 2018 de Daniele e outras figuras importantes no esquema, como Fabrício Queiroz, que operava o recolhimento de dinheiro e os pagamentos para seu chefe, Flávio Bolsonaro.
Quando era deputado estadual, Flávio Bolsonaro indicava amigos e familiares para serem “funcionários fantasmas” em seu gabinete. Tudo o que essas pessoas precisavam fazer era entregar parte do seu salário para ele.
Daniele Nóbrega era casada com o miliciano Adriano da Nóbrega, que era chefe do grupo de assassinos de aluguel chamado “Escritório do Crime”. Ao mesmo tempo em que o marido respondia por homicídio, ela era assessora de Flávio.
O então deputado estadual também empregava a mãe de Adriano, Raimunda Veras Magalhães. Flávio Bolsonaro já defendeu publicamente a milícia e condecorou Adriano da Nóbrega com a Medalha Tiradentes, em 2003.
Outros assessores e funcionários fantasmas de Flávio também tiveram seus sigilos quebrados. Entre eles, Fabrício Queiroz, Marcia Aguiar e suas filhas, Nathalia e Evelyn Queiroz.
Ainda constam na lista a ex-assessora Luiza Souza Paes, que chegou a confessar para os investigadores que era parte do esquema de rachadinha, e Wellington Sérvulo. A investigação demonstrou que o dinheiro público desviado por meio dos assessores era lavado em uma franquia da loja Kopenhagen, por onde passaram pelo menos R$ 1,6 milhão desviados.
Flávio Bolsonaro chegou a ser denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, mas o caso foi arquivado depois que ele conseguiu anular parte das provas.
Gilmar Mendes explicou na decisão que a quebra do sigilo de Daniele e dos demais assessores parte de outras provas que não foram anuladas.