Flávio prepara 200 decretos para derrubar direitos trabalhistas

A poucos dias do segundo turno das eleições, a máscara de moderação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) voltou a cair. Uma reportagem do jornal Correio Braziliense revelou que aliados do senador já mantêm pronto um pacote com mais de 200 decretos para serem assinados no primeiro dia de um eventual mandato. O objetivo central é […]

5 min de leitura

Imagem destacada do post: Flávio prepara 200 decretos para derrubar direitos trabalhistas

A poucos dias do segundo turno das eleições, a máscara de moderação do candidato Flávio Bolsonaro (PL) voltou a cair. Uma reportagem do jornal Correio Braziliense revelou que aliados do senador já mantêm pronto um pacote com mais de 200 decretos para serem assinados no primeiro dia de um eventual mandato.

O objetivo central é desferir um golpe imediato contra a legislação trabalhista, a proteção ambiental e a participação social.

O plano de bastidores prevê um agressivo “revogaço” de medidas do governo Lula e um “decretaço” que visa, fundamentalmente, neutralizar as conquistas recentes da classe trabalhadora, em especial a regulamentação do fim da escala 6×1.

O arsenal de normas foi desenhado em segredo e mantido sob sigilo pela campanha, sem qualquer transparência para a sociedade ou pronunciamento oficial da assessoria do candidato.

flavio tesoura

O pacote da destruição: trabalho, meio ambiente e privatizações

Segundo as informações vazadas por interlocutores do senador, as medidas guardadas na gaveta para o dia 1º de janeiro articulam um verdadeiro choque de desmonte:

Esvaziamento dos direitos trabalhistas: Utilizando a regulamentação do Executivo como atalho, o plano busca esvaziar a recém-promulgada Emenda Constitucional 141/2026. O texto prevê reintroduzir a lógica da “negociação individual”, isolando o trabalhador frente ao patronato e enfraquecendo a atuação dos sindicatos.

Ataque à fiscalização ambiental: Os decretos preveem a limitação da atuação de órgãos de fiscalização ambientais sobre vegetações em áreas rurais e propriedades privadas não classificadas expressamente como de proteção. Na prática, trata-se de um salvo-conduto para o desmatamento e a impunidade no campo.

Fim da participação popular: Alterações administrativas planejam extinguir conselhos, comitês e grupos de trabalho da administração federal. Sob a justificativa de “enxugar a máquina”, o projeto busca calar a sociedade civil organizada e eliminar mecanismos constitutivos da democracia participativa.

Ofensiva privatista: Para os primeiros três meses, o plano traça o envio ao Congresso Nacional de um pacote de privatizações de empresas públicas e estatais estratégicas para o desenvolvimento nacional.

Estelionato eleitoral em marcha

A revelação dos decretos secretos expõe a falsidade do discurso do candidato na reta final da campanha. Flávio Bolsonaro, que criticou abertamente a proposta pelo fim da jornada 6×1, classificando-a como “oportunista” e defendeu a flexibilização irrestrita de horários, recalculou a rota apenas diante do amplo apoio popular à medida. Em entrevistas recentes, o senador chegou a declarar que “todos os direitos trabalhistas estão garantidos” e que respeitaria as decisões do Parlamento.

Entretanto, as informações de bastidores desmascaram o candidato, que publicamente prega a manutenção de direitos, mas nos bastidores articula um “revogaço” para esvaziá-los via decreto executivo e medidas provisórias logo após empossado, se vencer.

A ameaça à conquista histórica da jornada 6×1

A tentativa de contornar a emenda constitucional que acabou com a extenuante escapa 6 X 1, via normas infralegais no primeiro dia de governo atinge diretamente o coração dessa conquista, além de pretender aprovar a PEC do seu coordenador de campanha, Rogério Marinho que introduz o conceito de pagamento por horas trabalhadas, sem descanso remunerado, devolvendo o trabalhador à vulnerabilidade da imposição patronal.

Alerta máximo para o segundo turno

A falta de transparência e o silêncio da candidatura diante do vazamento do pacote não atenuam a gravidade do cenário, pelo contrário, elevam o estado de alerta das forças populares e democráticas. A omissão deliberada de textos que afetam diretamente a vida cotidiana da população impede o eleitor de conhecer a real agenda do candidato, que sabemos nunca será a favor do trabalhador.