Levantamento da Gedin-Fieg, com base em dados da Rais e do Caged, mostra que o setor industrial do Estado registrou rotatividade acima da média nacional em todos os anos entre 2020 e 2025
A rotatividade da mão de obra na indústria cresceu 29% em cinco anos, saltando de 48,3% para 62,3%. É o que aponta a Análise da Rotatividade no Mercado de Trabalho Industrial em Goiás 2020 – 2025, elaborado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial (Gedin) da Fieg, com base em dados da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado no último mês.
Segundo o levantamento, o movimento acompanha uma tendência observada em todo o mercado de trabalho formal goiano, no qual a rotatividade avançou de 37,2% para 50,3% no mesmo período. De acordo com a Gedin, o resultado mostra que o crescimento do emprego no Estado tem sido acompanhado por uma movimentação cada vez mais intensa de admissões e desligamentos.
O economista da Fieg, Cláudio Henrique, explica que a alta taxa de rotatividade não significa necessariamente um mercado de trabalho ruim. “Goiás está gerando empregos, mas também está substituindo trabalhadores em ritmo elevado. O desafio para a indústria é transformar essa maior mobilidade em ganho de eficiência, evitando que a rotatividade excessiva se converta em perda de produtividade e aumento de custos”, destaca.
O estudo aponta que a indústria goiana apresentou rotatividade superior à média nacional em todos os anos analisados. Em 2025, a taxa estadual chegou a 62,3%, frente a 53,1% no Brasil. A diferença entre os dois patamares, que era de 5,5 pontos porcentuais em 2020, subiu para 9,2 pontos em 2025, indicando que a movimentação da mão de obra industrial avançou mais rapidamente a nível estadual do que nacional.
Cláudio salienta ainda que o aumento da rotatividade reflete uma maior mobilidade da mão de obra em um mercado formal mais dinâmico, mas que não representa necessariamente precarização ou instabilidade das contratações.
Análise setorial
O setor de construção foi o que apresentou a maior taxa nos anos analisados, saindo de 84,6% em 2020 para 101,0% em 2025, um salto de 17,6%, permanecendo acima da média nacional (83,4%) no último ano. A Gedin atribui o patamar elevado a fatores como organização da atividade em obras com duração determinada e etapas que exigem diferentes perfis de trabalhadores, além da distribuição territorial dos empreendimentos, ajuda a explicar o patamar elevado.
O especialista da Fieg explica que o grande aumento faz parte do setor, que atua com constante troca de equipes conforme fases distintas da obra se completam e se iniciam. O especialista enxerga o salto como uma combinação da expansão da construção, aliada à abertura de novas frentes de trabalho, ao encerramento de obras e à mudança territorial da demanda por mão de obra.
Já na indústria de transformação, a rotatividade passou de 40,4% para 49,5% no período, também acima da média nacional de 44,9% em 2025. Em termos práticos, a taxa de 2025 representa um volume equivalente a aproximadamente cinco substituições para cada dez trabalhadores.
A indústria extrativa apresentou o segundo menor patamar entre os setores, variando de 25,2% em 2020 para 31,7% em 2025, com pico de 34,2% em 2024. A Gedin associa o comportamento à natureza intensiva em capital e à qualificação específica exigida por atividades como a mineração, fatores que elevam o custo de substituição e favorecem vínculos mais estáveis.
Já o setor de eletricidade e gás foi o que registrou a menor rotatividade da indústria goiana, subindo de 12,1% em 2020 para 18,7% em 2025, com oscilações pontuais (26,7% em 2021 e 22,3% em 2023). O segmento de água e saneamento, por sua vez, teve o crescimento mais acentuado, com a taxa mais que dobrando, de 16,2% em 2020 para 36,7% em 2025, superando, pela primeira vez na série, a média nacional (35,2%). O segmento também ampliou sua participação no emprego industrial goiano, de 3,2% em 2015 para 6,2% em 2025.
Perfil dos trabalhadores
Em 2025, a taxa de rotatividade foi composta em 56,1% entre os homens e 43,3% por mulheres. Por faixa etária, o indicador chegou a 83,2% entre trabalhadores de 18 a 29 anos, caiu para 43,4% na faixa de 30 a 49 anos e para 19,9% entre aqueles com 50 anos ou mais. Já por escolaridade, a maior rotatividade em 2025 foi registrada entre trabalhadores com ensino médio completo (65,7%), enquanto os que têm ensino superior completo apresentaram menor variação (14,1%).
Na indústria especificamente, o estudo indica que o perfil etário e educacional dos trabalhadores também vem se transformando: atualmente, os dois grupos que apresentam maior rotatividade no mercado goiano têm cerca de três em cada dez trabalhadores industriais entre 18 e 29 anos e seis em cada dez com ensino médio completo.
“Os trabalhadores jovens normalmente estão em uma fase de entrada, experimentação e construção da trajetória profissional. É mais comum que tenham vínculos mais curtos, mudem de empresa para adquirir experiência ou busquem melhores oportunidades. Já trabalhadores mais velhos tendem a possuir maior experiência, qualificação acumulada e vínculos mais consolidados, tornando a substituição menos frequente.”, explicou o economista da Fieg.