Entrevista de Lula na Record teve o dobro da audiência do debate na Band

Os números de audiência da noite de domingo (23) confirmaram, com dados concretos, o que a ausência anunciada de Lula e Flávio Bolsonaro já sugeria: sem os dois favoritos, o debate presidencial da TV Bandeirantes praticamente não despertou interesse do público. Segundo medição em tempo real na Grande São Paulo, o programa Band Eleições — […]

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Os números de audiência da noite de domingo (23) confirmaram, com dados concretos, o que a ausência anunciada de Lula e Flávio Bolsonaro já sugeria: sem os dois favoritos, o debate presidencial da TV Bandeirantes praticamente não despertou interesse do público. Segundo medição em tempo real na Grande São Paulo, o programa Band Eleições — que reuniu Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) — marcou apenas 2,06 pontos às 20h57, a quarta posição entre as emissoras abertas monitoradas naquele horário.

Na mesma faixa, a entrevista exclusiva de Lula à jornalista Mariana Godoy, exibida pela Record dentro do Domingo Espetacular, registrou 4,28 pontos — mais do que o dobro da audiência do debate, e suficiente para garantir à emissora a terceira colocação isolada no horário. A escala completa da noite mostra a dimensão da disparidade: Globo liderou com folga, com 16,13 pontos no Fantástico; o SBT veio em segundo, com 7,84 pontos no Programa Silvio Santos; a Record ficou em terceiro; e a Band, com o debate presidencial, fechou atrás até da própria audiência histórica que costuma reunir nesse horário aos domingos.

O contraste de conteúdo ajuda a explicar a diferença de engajamento. Na Record, Lula tratou de temas de impacto direto na vida do eleitor e na política externa do país: detalhou as conversas em andamento com Donald Trump sobre comércio bilateral e minerais críticos, defendeu a criação de um Ministério da Segurança Pública e apresentou indicadores recentes de queda na inflação de alimentos e geração de emprego. No estúdio da Band, o debate reuniu justamente os candidatos que, segundo as pesquisas mais recentes, somados não ultrapassam uma fração pequena das intenções de voto — um cenário que, sem a presença de Lula ou Flávio no palco, reduziu o interesse do público em acompanhar ao vivo.

A leitura política do episódio é dupla, e ajuda a validar, retrospectivamente, o cálculo feito pela campanha de Lula ao recusar o convite da Band. Se, de um lado, a estratégia de evitar debates no primeiro turno já havia sido criticada por especialistas como um risco ao debate democrático — na medida em que reduz a exposição direta dos candidatos ao contraditório —, os números de audiência sugerem que, do ponto de vista puramente eleitoral, a aposta rendeu dividendo real: mais gente assistiu Lula falar sozinho, sem qualquer contraponto direto de adversários, do que assistiu ao confronto simultâneo entre os concorrentes menores.

Com informações do site O Cafezinho