Aparecida de Goiânia, terça-feira, 11 de maio de 2021

Indígenas vivem dia a dia de aflição, angústia e medo gerados pela atividade ilegal, além de contaminação por mercúrio.

atividade garimpeira clandestina impacta diariamente a vida dos povos indígenas no Brasil. A invasão pelo garimpo ilegal interfere e molda dinâmicas de convivência nas comunidades da região Norte do país. 

Dentro deste contexto, as mulheres sofrem triplamente o impacto da garimpagem, já que são afetadas pelo mercúrio tóxico, cuidam dos adoecidos e também são alvo de violências machistas e misóginas. 

Uma indígena que não quis se identificar (e que a reportagem optou por não divulgar até o estado da federação onde ela vive, tal é a vulnerabilidade que existe) conta que as áreas ocupadas pelos garimpeiros se tornam territórios de perigo extremo. “Eles andam armados e bebem muito, e eles veem a gente [mulheres] como alvos fáceis. Uma vez, pegaram uma menina e ela nunca mais voltou”, relata. 

::Garimpo ilegal desmatou o equivalente a 500 campos de futebol na TI Yanomami em 2020::

Histórias de ameaças, sequestros e estupros são comuns, segundo a jovem indígena. Mãe de duas crianças, ela diz evitar certas regiões porque tem medo de que algo possa acontecer com ela ou com as crianças. 

“São muitos homens e eles não se importam, eles pegam a gente mesmo. E são vários, muitos mesmo”, conta.

O alcoolismo, o tráfico e o consumo de drogas têm adentrado as comunidades e atingido muitos jovens. Tais práticas abrem o caminho de violações. Algumas regiões estão hoje tomadas pela prostituição e pela proliferação de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Telma Taurepang, coordenadora geral da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB), conta que o garimpo ilegal tem destruído a saúde mental das mulheres indígenas. 

“As mulheres são as mais impactadas pelo garimpo porque as violências dos invasores deixam elas depressivas. Elas têm medo, ficam traumatizadas”, explica. 

Esse estado de tristeza é resultado dos crimes sexuais, das ameaças e das perdas de parentes. A rotina dentro dos territórios indígenas vem sendo pautada na atividade ilegal, uma vez que esses impactos ditam como a vida cotidiana se dá.

“Os garimpeiros são homens, né? Eles vão atrás de riqueza, e isso gera muitos conflitos. Eles não respeitam as mulheres. As mulheres dentro dos garimpos estão na prostituição, estão ali fazendo o serviço que eles querem. Não há respeito porque eles veem as mulheres como um objeto que eles têm ali dentro e que serve a eles” explica Taurepang. 

Intoxicação por mercúrio dita dinâmica das comunidades

A intoxicação pelo mercúrio e o adoecimento da população originária é um problema real e em expansão no extremo norte do Brasil. “As mulheres indígenas cuidam diretamente da alimentação, né? Então o contato com a água contaminada afeta a saúde”, explica a ativista, exemplificando por que muitas mulheres sofrem os impactos do mercúrio no organismo.


Imagem de um garimpo ilegal em terra indígena no estado de Roraima / Morsaniel IRAMARI/AFP

Em mulheres grávidas, a substância atinge o feto, podendo causar má formação, retardo no desenvolvimento, entre outras graves complicações que podem comprometer toda uma geração de indígenas.

As consequências da intoxicação por mercúrio podem levar à morte, o que causa angústia das mulheres, que vivem a realidade do medo de perder parentes e filhos.  

Na discussão "Injustiça Socioambiental: Vidas impactadas" realizada pelo Núcleo de Mulheres de Roraima (NUMUR), Marizete de Souza, vice-coordenadora da Região das Serras do Conselho Indígena de Roraima (CIR) destacou que através da contaminação dos rios, peixes, terras e ar, o mercúrio gera impacto na segurança alimentar e causa a desnutrição das populações indígenas. 

Além do adoecimento através do mercúrio, a garimpagem também traz doenças antes desconhecidas pelos indígenas. "Minha mãe faleceu por conta da invasão dos garimpeiros. Eles trazem diversas doenças como a malária, por exemplo. O garimpo não é vida, é morte. O garimpo não traz felicidade", conta a integrante do CIR. 

Atualmente o garimpo ilegal também dissemina a covid-19 que já contaminou quase 53 mil e causou a morte de 1.048 indígenas de 163 povos, segundo levatamento do Comitê Nacional de Vida e Memória Indígena

::Entenda como acontece o garimpo ilegal em terras indígenas na região Norte do Brasil::

Adoecimento espiritual 

Quando uma pessoa adoece, a comunidade inteira se mobiliza para levar comida e apoio não só do enfermo, mas da família que está auxiliando com os cuidados. 

“As invasões do garimpo não contaminam só o corpo humano, também adoece a alma e contamina o espírito. E a dinâmica é cuidar, temos que ter muito cuidado com essas pessoas. Cuidamos através das plantas medicinais, através da espiritualidade, através do sobrenatural”, explica Telma Taurepang.

“E esse sobrenatural ele está em todos os lugares. Esse sobrenatural para nós está nas plantas. Ele está na água. Então nós chamamos a espiritualidade através das plantas, através da medicina tradicional para cuidar dessa pessoa que está doente. Não só matéria, mas também espírito e alma. Então, nós temos que cuidar das pessoas nesses três sentidos, do corpo, que é o físico, da alma e do espírito”, finaliza.

União e luta institucional 

“As leis são feitas lá em cima, os Projetos de Lei (PL) e as Proposta de Emenda Constitucional (PEC), e elas atingem a nós, povos indígenas. Temos que pensar quem nós colocamos no município, no estado, na Câmara, no Senado e na presidência”, defende Telma Taurepang. 

A coordenadora-geral do UMIAB explica que é importante a união contra o garimpo.

“[Nós mulheres] Estamos nos unindo cada vez mais contra o garimpo, que é ilegal, perante a Constituição de 88, né? A nossa luta é para que não tenha garimpo. O presidente e sua bancada são a favor do garimpo, mas não são todos na Câmara e no Poder Legislativo que estão a favor”, diz. 

Telma lembra que, no início deste ano, a Assembleia Legislativa de Roraima chegou a aprovar e sancionar projeto de lei que liberava o garimpo de todos os tipos de minérios no estado. A proposta foi de autoria do governador de Roraima, Antônio Denarium (sem partido), e dias depois foi suspensa pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF)


O governador de Roraima, Antonio Denarium (PSL), e seu aliado Jair Bolsonaro (sem partido) / Divulgação

A autorização legislativa permitia que o garimpo fosse realizado mesmo sem um estudo prévio e também englobava o uso de maquinário pesado na exploração da terra, escavadeiras e embarcações. O mercúrio também era permitido. 

“Eu nunca vi um garimpo sustentável, um garimpo que não contamina o ambiente. Então assim, nós, mulheres, estamos sempre na luta contra o garimpo”, explica. 

Segundo a ativista indígena, é preciso ouvir os povos originários. “Nós temos cabeças pensantes, cabeças que têm visões pras novas gerações, nos convidem para elaborar essas políticas públicas voltadas aos povos indígenas”, pede a integrante do UMIAB.  

“Espero que o Poder Judiciário traga uma solução para dentro das terras indígenas, já que essas invasões geram impacto de todas as formas na vida das mulheres indígenas e de toda a comunidade”, finaliza.

Martha Raquel Vinícius Segalla Brasil de Fato

Estudo da Fiocruz e do WWF-Brasil aponta que as queimadas na Amazônia foram responsáveis pela elevação dos percentuais de internações hospitalares por problemas respiratórios nos últimos 10 anos (2010-2020) nos estados com maiores números de focos de calor: Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre.

Estas internações custaram quase 1 bilhão aos cofres públicos. O levantamento aponta ainda que a associação da situação da pandemia com as queimadas florestais na Amazônia pode ter agravado a situação de saúde da população da Amazônia legal, pois os poluentes oriundos das queimadas podem causar uma resposta inflamatória persistente e, assim, aumentar o risco de infecção por vírus que atingem o trato respiratório.

O estudo mostra que mesmo com a possível subnotificação, por conta de inconsistências na base de dados do DataSUS, os valores diários de poluentes são extremamente elevados e contribuíram para aumentar em até duas vezes o risco de hospitalização por doenças respiratórias atribuíveis à concentração de partículas respiráveis e inaláveis finas (fumaça) nos estados analisados. No Amazonas, 87% das internações hospitalares no período analisado estão relacionadas às altas concentrações de fumaça. O percentual foi de 68% no Pará e de 70% no Mato Grosso e também em Rondônia. Já as doenças respiratórias associadas às altas concentrações de partículas de poluentes emitidas pelas queimadas respondem por 70% das internações hospitalares registradas no Pará, Mato Grosso, Rondônia e Amazonas.

A pesquisadora Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), afirma que embora os percentuais de internação hospitalar por doenças respiratórias na região tenham se mantido estáveis entre 2010 e 2020, uma parte considerável dessas internações podem ser atribuídas às concentrações de partículas respiráveis finas e inaláveis emitidas por incêndios florestais.

“As micropartículas que compõem a fumaça ficam depositadas nas cavidades dos pulmões, agravando os problemas respiratórios. Elas são um fator de risco para pessoas que já possuem comorbidades. Vemos, portanto, um impacto à saúde e perda da qualidade de bem-estar das pessoas, além do elevado custo econômico das doenças respiratórias para o SUS”, explica.

"A fragilização do sistema respiratório é extremamente preocupante no atual cenário de uma pandemia que também causa problemas respiratórios.  Essa sobreposição sugere que a região da Amazônia legal tenderá a ter seu sistema de saúde pressionado, já que as queimadas são mais intensas nos meses de seca, que se iniciam dentro de poucas semanas", alerta.

No ano de 2020, o Brasil alcançou o maior número de queimadas na década. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a floresta amazônica registrou 103.161 focos ante 89.171 em 2019, um aumento de 15,7%. De acordo com o diretor de Conservação e Restauração do WWF-Brasil, Edegar de Oliveira, essa tendência contínua de destruição impacta diretamente não só na saúde das pessoas, mas em todo o ecossistema, que sofre todos os anos durante o ciclo das queimadas intensificado no período de seca.

"As queimadas fazem parte da dinâmica de destruição da Amazônia. As áreas desmatadas são posteriormente queimadas para “limpar” o terreno, abrindo espaço para a pastagem, a agricultura, ou a simples especulação fundiária. A associação entre o desmatamento, queimadas e degradação da floresta traz um custo muito alto para todos nós, especialmente para os povos da floresta, e para o clima do planeta”, afirma.

O estudo traz algumas recomendações para o poder público: os sistemas oficiais de vigilância e monitoramento em saúde precisam de evolução e melhorias sistemáticas, especialmente aqueles direcionados às populações indígenas da Amazônia; políticas consistentes de redução do desmatamento e queimadas na Amazônia são críticas e imediatas, pois o combate ao desmatamento e à degradação do bioma amazônico é fundamental para a garantia de direitos básicos das populações locais, como acesso à saúde e um ambiente saudável e sustentável; desenvolvimento e implementação de programas de vigilância epidemiológica e ambiental efetivos, direcionados à população amazônica exposta aos incêndios florestais, principalmente os grupos mais vulneráveis, como gestantes, crianças, idosos, e aquelas pessoas que apresentam comorbidades precisam de atenção dedicada e a necessidade iminente de esforço preventivo no controle de zoonoses, pois os custos associados aos esforços preventivos são substancialmente menores, comparados com os custos econômicos, sociais e de saúde no controle de potenciais epidemias e ou pandemias.

Metodologia do estudo

Foi analisada a relação das tendências da morbidade hospitalar (a taxa de internações registradas em hospitais) por doenças do aparelho respiratório no período de 2010 a 2020 e as concentrações estimadas de emissões de partículas respiráveis finas (PM2,5), presentes na fumaça de incêndios florestais no mesmo período, investigando os potenciais impactos à saúde nos estados com os maiores registros de focos de calor provenientes das queimadas na Amazônia Brasileira, segundo o Inpe - Pará, Mato Grosso, Rondônia, Amazonas e Acre, que apresentaram maior número de focos de queimadas registrados no período analisado (2010-2020).

O estudo observou as séries temporais diárias de morbidade hospitalar por doenças do aparelho respiratório obtidas no Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), pelo Sistema de Informação sobre internação hospitalar (SIH) e analisados por dia, mês e ano no período de 1º de janeiro de 2010 a 31 de outubro de 2020, segundo a unidade de federação de residência. As internações hospitalares por doenças respiratórias relacionadas ao Covid-19 para cálculo da tendência retrospectiva foram excluídas. Portanto, as internações hospitalares derivadas do Covid-19, não entraram no conjunto das causas de hospitalizações.

Os pesquisadores selecionaram informações referentes ao valor em reais (R$) gasto com as hospitalizações de baixa e alta complexidade (Unidades de Terapia Intensiva – UTI) por doenças do aparelho respiratório para estimativa do custo econômico em saúde dessas hospitalizações que pudesse ser atribuível à poluição decorrente das queimadas.

As estimativas de concentração do material particulado (PM2,5) foram obtidas por meio de dados de satélite da Nasa, com as informações de profundidade óptica de aerossóis (Aerosol Optical Depth – AOD) convertidas por modelagem matemática em estimativas de concentração de PM2,5 e disponibilizadas para acesso público pelo Copernicus Atmosphere Monitoring Service (CAMS), que é o mais recente conjunto de dados de reanálise global de composição atmosférica produzida pelo Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF).

Material recolhido em 96 bairros garante trabalho e renda para 40 famílias de duas cooperativas apoiadas pela Prefeitura de Aparecida

Em Aparecida de Goiânia, todo material reciclável recolhido pelas equipes da Coleta Seletiva é destinado à duas cooperativas apoiadas pela administração municipal. O que antes era descartado irregularmente e, às vezes, considerado como lixo, agora, garante emprego e renda para 40 famílias.

A Coleta Seletiva, que é realizada pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SDU), recolhe papelão, plástico, metal, isopor e vidro diariamente em diversas regiões da cidade. O material, que antes de ser recolhido é separado pela população, é pesado no aterro sanitário e em seguida encaminhado às cooperativas.

O sucesso da Coleta Seletiva depende da conscientização e adesão da população. Para isso, o morador precisa apenas separar o material reciclável e colocar na calçada no dia em que o caminhão passa. Nos últimos anos, segundo a SDU, a quantidade de material recolhido tem aumentado graças a compressão e sensibilidade dos aparecidenses.

“Hoje, a Coleta Seletiva, que é feita porta a porta, atende 96 bairros na cidade. Fazemos esse trabalho com auxílio de cinco caminhões durante o dia de segunda a sexta-feira e recolhemos cerca de 100 toneladas por mês”, explica o diretor de resíduos sólidos da SDU, Sávio Calaça, sobre a logística empregada no trabalho.

Em Aparecida, a Coleta Seletiva foi implantada em 2012 em cumprimento a Lei Federal de Resíduos Sólidos que determina a extinção dos lixões. “Com a construção do aterro sanitário, as famílias que recolhiam material reciclável no lixão foram cadastradas em duas cooperativas e atualmente trabalham em galpões construídos pela prefeitura onde recebem auxílio com alimentação e transporte”, completa o diretor.

O sinal sonoro emitido pelos caminhões da Coleta Seletiva indica que está na hora de contribuir com a preservação do meio ambiente, evitando descarte irregular de plástico, vidro, metal e outros e ainda ajudar dezenas de famílias que sobrevivem da reciclagem.

“Acho muito importante [a coleta]. Durante a semana, nós vemos a quantidade de material que é reaproveitável. Quando escutamos o barulho do caminhão da coleta nós já saímos para colocar nosso ‘lixo’. Fazemos a separação de plástico, papelão e todo material que entendemos ser reciclável”, disse o policial militar e morador do Setor Village Garavelo, Cléber Alves Ribeiro na manhã desta segunda-feira, 26.

Logo que recebem o material recolhido, as cooperativas fazem uma minuciosa triagem, separando por tipo, cor e outras características tudo aquilo que será reciclado. Em seguida, é feita a prensagem em grandes volumes e depois o material é encaminhado às empresas que compram das cooperativas.

“O faturamento é igual para todos os cooperados, rateamos em partes iguais. Cada um recebe ao final do mês conforme sua produção: produziu tem, não produziu não tem. Precisamos que a população continue nos ajudando, separando o material e colocando para ser recolhido pelos caminhões. Sem essa ajuda o material não chega aqui [ ao galpão]”, aponta o presidente da Cooperativa de Catadores de Lixo de Aparecida (COOCAP), Francisco Juarez da Silva.

Atualmente, duas cooperativas de catadores no município recebem auxílio da prefeitura: a Cooperativa de Catadores de Lixo de Aparecida (COOCAP) e a Cooperativa de Trabalho de Recicláveis Feminina de Aparecida (COORFAP). O programa de Coleta Seletiva possui parcerias com ONGs e empresas que desenvolvem projetos sociais. As parcerias possibilitam também palestras educativas para os cooperados, aquisição de folders para mobilizar a população e obtenção de uniformes.

Projeto legaliza a farra do veneno e pode ampliar os casos de contaminação e envenenamento no país

A liberação de agrotóxicos e a manutenção de isenções para insumos agrícolas são pautas permanentes no Congresso Nacional. Com a pandemia, o aumento da impopularidade do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e as ameaças de impeachment, essa agenda tinha esfriado, mas com a vitória do centrão no Senado Federal e na Câmara dos Deputados ela volta com toda a força. 

De autoria do ex-senador Blairo Maggi, barão da soja e um dos maiores desmatadores da  Amazônia, o projeto de lei 6299/2002 propõe, entre outras medidas, impedir a continuação do trabalho dos órgãos de fiscalização e excluir os Ministérios da Saúde e do Meio Ambiente da análise e do registro dos agrotóxicos do país. Com a nova conformação do Congresso, a bancada ruralista ganha terreno para garantir a aprovação da proposta.

:: Coquetel de veneno": organizações denunciam risco crescente do uso de agrotóxicos ::

O BdF Explica como a bancada ruralista se articula pela aprovação do chamado PL do Veneno, uma proposta que afrouxa ainda mais a liberação de substâncias tóxicas, legaliza a farra do veneno e pode ampliar brutalmente os casos de contaminação do meio ambiente e de envenenamento da população. Confira!

Edição: Rodrigo Durão Coelho - Brasil de Fato

Dos 1,5 bilhões de hectares cultivados no mundo, apenas 190 milhões utilizam sementes transgênicas, ou seja, 13% da área total.

As sementes transgênicas, em especial de grãos, são aquelas sementes que sofreram mutações genéticas em laboratório, para se transformarem em plantas mais resistentes ao uso de determinados agrotóxicos. Assim, as pesquisas, a produção e a difusão dessas sementes modificadas são patrocinadas pelas grandes corporações mundiais que também produzem os agrotóxicos, como a Monsanto/Bayer, Basf, Syngenta, apenas para ficar entre as principais.

A adoção de sementes transgênicas leva, necessariamente, ao aumento do uso de agrotóxicos e, com isso, a destruição da biodiversidade nas áreas, trazendo como consequência todo tipo de desiquilíbrio ambiental, desde a destruição da vida, a contaminação das águas, da atmosfera, até das chuvas (pelo agrotóxico secante que evapora e sobe às nuvens) e das mercadorias produzidas. Além disso, o reconhecimento do direito à propriedade privada das empresas sobre essas sementes obrigam o pagamento de royalties na hora da colheita em todo mundo, que variam de 2 a 8% do valor da produção.

Essas empresas ainda utilizam muitos recursos para viabilizar esse grande negócio. Está comprovado que compraram inclusive pareceres técnicos de “cientistas” que venderam seus artigos para justificar que as sementes transgênicas não traziam problemas. Mesma prática adotada no passado pelas fábricas de cigarro, que compravam pareceres de médicos para dizer que o tabaco não produzia câncer. E milhões de pessoas morreram com essa doença em seus pulmões provocados pelo tabagismo.

Gastaram milhões de dólares em propaganda, na imprensa burguesa e em meios de comunicação de massa, afirmando que os transgênicos aumentariam a produtividade, a renda dos agricultores e eliminariam a fome. Nas últimas duas décadas, os transgênicos foram tomando conta da agricultura de grãos, mas nenhuma dessas promessas foram cumpridas. Ao contrário, aumentaram os desiquilíbrios climáticos, o monocultivo eliminou a biodiversidade e a fome atinge um número ainda maior de pessoas. E também as pragas se mostraram cada vez mais resistentes e os agricultores precisam aplicar cada vez mais agrotóxicos. As empresas agradecem eufóricas.

Graças à essas manipulações midiáticas foi criado o senso comum de que agora, na agricultura, toda a produção é transgênica e, portanto, melhor; o progresso da tecnologia.

Mas a realidade é outra

Segundo as informações da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o planeta utiliza mais de 1,5 bilhões de hectares para cultivos, o que representa 11,62% do território mundial com aproximadamente 3,1 bilhões de pessoas que vivem no meio rural (40% da população mundial), em 193 países. A FAO divide os usos da terra nos segmentos agrícolas, cultivadas, arável, florestal, outras terras, águas interiores e áreas com agricultura orgânica. As áreas florestais apresentaram um valor de mais de 4 bilhões de hectares e as áreas destinadas para agricultura orgânica no planeta somaram 71 milhões de hectares. Na tabela abaixo é possível ver os principais países em função daqueles com maiores áreas cultivadas, a partir dessa distribuição.

A Índia é o país que possui a maior área cultivada, atingindo 169,4 milhões de hectares, o que representa mais de 51,5% de seu território e 10,8% da área cultivada no mundo. Após a Índia, temos os EUA cultivando em 160,4 milhões de hectares, o que representa 16,32% de seu território e 10,23% da área mundial cultivada. Em terceiro lugar temos a China, com 135,7 milhões de hectares, cultivando em 14,13% de seu território e em 8,7% da área mundial cultivada.

O Brasil é o quinto colocado em termos de área cultivada, com a utilização de 7,46% do território. Em 2018, o país usou 63,5 bilhões de hectares para o cultivo, o que representou uma participação de 4,05% da área cultivada no mundo.

Voltando a parcela cultivável mundialmente, dos 1,5 bilhões de hectares, apenas 190 milhões de hectares são cultivados com sementes transgênicas, ou seja, apenas 13% da área total cultivada no mundo. Dos 193 países, somente 29 adotam sementes transgênicas. Muitos países da Europa, inclusive, já estão começando a proibir, por exemplo, o milho e o trigo transgênico, por estarem diretamente ligados à dieta alimentar das pessoas. Assim como as variedades de arroz transgênico estão proibidos na maioria dos grandes países produtores.

E entre as nações que utilizam as sementes transgênicas, 90% de toda área mundial de transgênicos estão concentradas em apenas cinco países: EUA, com 71,5 milhões de hectares, Brasil, com 53 milhões de hectares, Argentina, com 24 milhões de hectares, Canadá, com 12,4 milhões de hectares, e a Índia, com 12 milhões de hectares, totalizando 173 milhões de hectares. Cerca de 90% da área de transgênicos são cultivas com sementes de milho, soja, algodão e variedades de cana-de-açúcar e de feijão.

A boa notícia, depois da expansão crescente da área nos últimos 20 anos, ainda que concentrada em apenas cinco países, é que na safra de 2019 houve um recuo de menos 2 milhões de hectares plantados com transgênicos.

No computo geral, 71 países admitem consumir produtos transgênicos, sendo que 42 são dependentes de importação de grãos transgênicos. E outros 29 países autorizaram o plantio. Porém, como se viu, essa prática está concentrado nos cinco países dominados pelo modelo do agronegócio, ou seja, do capital financeiro e das corporações transnacionais que controlam os grãos, o algodão e o etanol.

Dessa forma, podemos afirmar que, na realidade, a produção de sementes transgênicas, longe de dominar todo o uso da terra cultivável, se mantém concentrada em apenas 13% do total de terras cultiváveis, desmitificando a falácia construída pelo grande capital que opera no agronegócio em relação as sementes transgênicas.

Fonte: Tricontinental

Um caminhão caçamba foi apreendido em flagrante nesta quinta-feira, 22, ao fazer o descarte irregular de entulho em uma área sem edificações no Jardim Bela Vista, em Aparecida de Goiânia.

Por meio de denúncia anônima, fiscais das secretarias de Meio Ambiente (Semma) e Desenvolvimento Urbano com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM) foram até o local e constataram a irregularidade.

O caminhão já tinha descarregado duas caçambas de entulho na área pública. O veículo foi apreendido minutos depois, no mesmo bairro, carregado de restos de materiais de construção.

Uma moradora do bairro afirma que falta consciência da população. “A prefeitura já limpou a área várias vezes e mesmo assim pessoas sem consciência descartam todo tipo de entulho aqui”, disse ela. “Geralmente são moradores de outros bairros, e até de Goiânia, que vem aqui e depositam todo tipo de lixo, entulho e animais mortos”, afirmou um morador do Jardim Bela Vista.

De acordo com os fiscais, o material estava sendo recolhido da Vila Redenção, na capital, e descartado de forma clandestina em Aparecida de Goiânia. O condutor confessou que havia sido contratado para fazer o transporte de todo o resíduo. O caminhão foi multado em R$ 5 mil pela infração ambiental cometida e levado para o pátio de apreensão da Secretaria de Meio Ambiente.

“Recebemos denúncia na Secretaria de Desenvolvimento Urbano e nossa equipe deslocou imediatamente até o local para averiguar o caso. São situações como essa que prejudicam a população. É importante as pessoas se conscientizarem e fazerem o descarte correto de todo material inutilizável, além de colaborar com a limpeza urbana da cidade. É um ato de cidadania cuidar do bairro onde moramos”, afirmou o secretário de Desenvolvimento Urbano de Aparecida, Max Menezes.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Claudio Everson, reforça que a população pode ainda ajudar na fiscalização. “Nossa atuação é contínua e os moradores de Aparecida podem contribuir com o trabalho dos fiscais da Semma, denunciando qualquer dano ambiental ou irregularidade. A Central de Atendimento da Semma, que funciona 24h, pode ser acionada pelos telefones telefone 3238-7216 e 3238-7217 ou enviar vídeos e mensagem de texto para WhatsApp 98459-1661.

Dano ambiental

O descarte irregular de entulho e lixo em lotes baldios e áreas públicas é crime contra o meio ambiente e gera uma série de problemas para quem vive próximo ao local onde esse material é descartado. Entre eles, proliferação de insetos e aumento do número de criadouros do mosquito Aedes Aegypti, que transmite dengue, zika vírus, febre amarela e chikungunya.  As multas para quem comete esse crime, conforme legislação municipal, variam de R$ 500 a R$ 5.000,00.

Em média são recolhidas cerca de 4,2 mil toneladas de entulho e/ou lixo descartados irregularmente nesses locais todos os meses pela Prefeitura de Aparecida, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Urbano. “Para realizar esse trabalho, a SDU emprega servidores e maquinário que poderiam ser usados em outras frentes como na reforma e construção de praças, poda de árvores e outros serviços”, aponta o secretário Max Menezes.

Para realizar a retirada dos resíduos despejados de forma irregular a SDU dispõe de caminhões trucados, pás carregadeiras, motoristas, auxiliares e fiscais. “Pedimos que as pessoas descartem de forma correta esse tipo de material. Quem está construindo ou reformando um imóvel deve se responsabilizar pelo entulho. Para isso, basta alugar um contêiner de uma empresa credenciada à prefeitura e não descartar no lote ao lado”, destaca Menezes.

O secretário explica que a SDU está autorizada a recolher, caso solicitada pela população, até 1,5 metros de entulho e resíduos. Esse serviço é solicitado pelos telefones: 3545-5930 e 3545-6040.

Em discurso na Cúpula do Clima, o presidente da China, Xi Jinping, propôs uma união com os EUA para conter as emissões de carbono como forma de preservar o meio ambiente.

“A China está ansiosa para trabalhar com os Estados Unidos para melhorar a governança global”, disse o presidente chinês. “Nós lutamos por uma sociedade mais equilibrada e priorizamos o meio ambiente, queremos atingir nossas metas climáticas antes de 2030 e a neutralidade na emissão de carbono antes de 2060. Queremos sair do pico do carbono para carbono zero em tempo mais curto que outros países desenvolvidos.”

Xi Jinping também sinalizou que a China pretende “restringir comércio com países que não cumprirem suas metas climáticas”.

Veja abaixo:https://platform.twitter.com/embed/Tweet.html?dnt=true&embedId=twitter-widget-0&features=eyJ0ZndfZXhwZXJpbWVudHNfY29va2llX2V4cGlyYXRpb24iOnsiYnVja2V0IjoxMjA5NjAwLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfSwidGZ3X2hvcml6b25fdHdlZXRfZW1iZWRfOTU1NSI6eyJidWNrZXQiOiJodGUiLCJ2ZXJzaW9uIjpudWxsfX0%3D&frame=false&hideCard=false&hideThread=false&id=1385212799161413635&lang=pt&origin=https%3A%2F%2Fwww.diariodocentrodomundo.com.br%2Fessencial%2Fvideo-xi-jinping-usa-cupula-do-clima-para-propor-uniao-com-eua-contra-emissoes-de-carbono%2F&sessionId=5e5a0004f19eb795598fda6325ff127a525b7d31&theme=light&widgetsVersion=ff2e7cf%3A1618526400629&width=550px

Xi Jinping: "China está pronta para trabalhar com os EUA"

Fonte: CNN

DENÚNCIA DE IRREGULARIDADES?

envie um email para

[email protected]

2005 - 2021
magnifiercross linkedin facebook pinterest youtube rss twitter instagram facebook-blank rss-blank linkedin-blank pinterest youtube twitter instagram