Carestia: Diesel teve variação de 100,20% e gás de cozinha 62,58% e movimentos organizam protesto contra aumentos dos preços

Um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra a variação dos preços de produtos que o brasileiro mais consome em uma comparação entre janeiro de 2019, primeiro mês de mandato do atual presidente, com os dias atuais.

Da Redação
21/06/2022 - 05:03
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Carestia: Diesel teve variação de 100,20% e gás de cozinha 62,58% e movimentos organizam protesto contra aumentos dos preços

Um estudo feito pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra a variação dos preços de produtos que o brasileiro mais consome em uma comparação entre janeiro de 2019, primeiro mês de mandato do atual presidente, com os dias atuais.

Nos combustíveis, a variação do diesel, por exemplo, chega a 100,20%. Veja a tabela comparativa:

Combustíveis – preço médio ao consumidor no Brasil, Janeiro de 2019 e Junho de 2022
Tipo Janeiro de 2019 (R$) Junho de 2022  (R$) Variação (%)
GLP 69,26 112,6 62,58
GNV 3,084 5,266 70,75
GASOLINA COMUM 4,268 7,234 69,49
OLEO DIESEL 3,437 6,881 100,20
ETANOL HIDRATADO 2,812 5,015 78,34

A cesta básica, por consequência, também aumentou. Em janeiro de 2019, a média nacional do preço da cesta básica era de R$ 467,65. Em maio de 2022, último mês medido pelo Dieese, a média foi de R$ 777,93, uma alta de 66,35%. Somente a carne aumentou 88,35%. O Leite, 49%. O feijão 63,71%. As maiores altas foram da batata (115,5%) e óleo (198,8%).

Para o povo, o principal responsável pelo aumento de preços, que impactam diretamente nas famílias, tem nome e sobrenome: Jair Bolsonaro. E tem especialitas que analisam os fatos e chegam a mesma conclusão.

“O Brasil tinha ferramentas que poderiam interferir nessa alta de preços, mas ao invés de usá-las,  preferiu aumentar os juros para baixar a atividade econômica em um momento de já baixa atividade”, afirma a técnica da subseção do Dieese da CUT Nacional, Adriana Marcolino.

Duas das ferramentas, ela diz, são a política de preços da Petrobras, o PPI, que se baseia na variação internacional do barril do petróleo e na cotação do dólar para definir os preços no pais de de importação, implantada pelo governo Temer em 2018), e os estoques reguladores de alimentos mantidos pelo governo que na atual gestão foram esvaziados não possibilitando uma ação do Estado para controlar preços em tempos de crise.

“O Brasil reduziu a capacidade de suas refinarias. Com isso nos tornamos mais dependentes da importação do petróleo refinado”, explica Adriana.

Na outra ponta, o país também adotou uma política de não incentivar a Agricultura Familiar, dificultando o acesso desses agricultores a crédito e tecnologia necessária para a produção. O setor é responsável por cerca de 70% do que vai à mesa do brasileiro. Com menos crédito e menor capacidade, falta produção e os preços ficam mais caros ao consumidor.

“Bolsonaro extinguiu o Consea [Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional] que poderia pensar em medidas de acesso a alimentos mais baratos e privatizou armazéns que mantinham os estoques reguladores”, diz Adriana.

O controle de mercado com esses estoques se dão pela intervenção do Estado que em épocas de alta produção compra os alimentos como grãos (arroz, milho, soja, feijão, por exemplo) a preço competitivo e vende quando há escassez desses produtos, assim, mantendo um patamar de preços no mercado. Sem estoques, a demanda é que estabelece esses preços, ou seja, encarece o custo final aos brasileiros.

Os aumentos dos preços são resultados da política econômica. Temos um cenário complicado por fatores como seca, guerra e pandemia que contribuem para que haja inflação e problemas de abastecimento, mas a diferença entre o Brasil e todos os outros países onde houve aumento da inflação é o tamanho do índice e a letargia do governo brasileiro em adotar políticas para aliviar o processo inflacionário

– Adriana Marcolino

Ou seja, a culpa pela disparada dos preços é de Bolsonaro é isso que o povo vai dizer nas ruas para quem ainda não sabe.

INPC acumulado e endividamento

Ainda mostrando a escalada de reajustes, de acordo com os dados do Dieese, o setor de transportes acumulou alta em 12 meses (de junho de 2021 a maio de 2022) de 18,08%. A alimentação subiu 13,44%. Nessa toada o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação oficial do país, em junho, deverá fechar em 11,40%.

Outra consequência da inflação é o aumento do endividamento das famílias que perto do fim do mês acabam não conseguindo fazer as contas caberem no orçamento. Incluindo dívidas relacionadas à habitação (prestação da casa própria ou aluguel), hoje, 52,57% dos brasileiros não estão conseguindo pagar todas as contas. Em dezembro de 2020, o índice era de 43.87%

“Estamos vivendo um aumento do endividamento das famílias, inclusive para compra de itens básicos, em um contexto de aumento dos juros”, diz Adriana Marcolino. Na semana passada, o Banco Central elevou a taxa de juros básica (Selic) mais uma vez, passando de 12,75% ao ano para 13,25% ao ano.

Aumento da fome e da pobreza

A técnica do Dieese explica ainda que como os preços estão relacionados ao consumo básico das famílias, ou seja a alimentação e o transporte, a inflação acaba impactando na renda dos mais pobres.

“Não tem como abrir mão disso [alimentação e transporte] sem passar por necessidade profunda. A fome está relacionada a isso. As pessoas ou compram menos ou não compram porque não têm dinheiro e então, passam fome”, diz Adriana explicando que são os alimentos os produtos que mais pesam orçamento – cerca de 60% do salário mínimo, conforme estudo do Dieese.

Em um cenário de desemprego, baixa renda e preços de alimentos nas alturas, a realidade não poderia ser outra a não ser o aumento da fome no país. Só entre dezembro de 2020 e abril de 2022, aumentou de 19 milhões para 33,1 milhões o total de pessoas com fome no Brasil, segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan).

Para sair do buraco

Adriana Marcolino avalia que o desafio de fazer o Brasil retomar o rumo do desenvolvimento não é fácil porque o Estado foi severamente desmontado em suas políticas econômicas e sociais principais após o golpe de 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff.

Mas ela destaca que, apesar de o desmonte ter diminuído a capacidade de reação do país, há medidas que são necessárias para a reconstrução do Brasil. São elas:

  • Proteger desempregados não só com o seguro-desemprego, mas com programas de transferência de renda, como bolsa-família, vale gás, transporte social, isenção de tarifas em serviços públicos;
  • Programas de garantia de segurança alimentar à população mais vulnerável;
  • Revisão de preços de serviços e produtos essenciais como alimentos, energia, medicamentos e combustíveis;
  • Suspenção da PPI da Petrobras;
  • Fortalecimento da agricultura familiar e estoques reguladores:
  • Fazer programa de renegociação de dividas.

Para abrir os olhos do presidente sobre a sua rsponsabilidade e o que precisa ser feito para mudar o quadro, o povo estará nas ruas nos dias 24, 24 e 25.

De acordo com os organizadores, “vale manifestação, panfletagem, diálogo com a população e até visitas de porta em porta e em ‘estas juninas”.

O objetivo da mobilização é estimular todos que querem fazer algo para reconstruir o Brasil a se engajarem de alguma forma, com atividades em todas as cidades, como visitas de casa em casa, distribuição de materiais educativos, ações de solidariedade e também caminhadas, bicicletadas, panfletagens, eventos culturais, entre outras ações.