Bispo também questionou o uso de armas por crianças e fez um apelo à responsabilidade, à valorização das políticas públicas e à defesa da soberania nacional
Durante homilia realizada no último dia 11 de outubro, Dom Limacêdo Antônio da Silva falou sobre a importância da democracia, da soberania nacional e das políticas públicas que ampliaram o acesso à educação.
Em sua reflexão, o bispo questionou o que considera uma contradição entre o discurso patriótico e a submissão aos interesses dos Estados Unidos: “Gente, algumas pessoas do nosso país querem nos entregar aos Estados Unidos, imagine. Somos uma democracia adulta, minha gente. Não é perfeita, porque nenhuma é, mas temos todos os elementos necessários para sermos aquilo que somos. E fico triste quando alguém, ao invés de respeitar a bandeira do Brasil, se curva, homenageia a bandeira dos Estados Unidos”, afirmou.
“Você é patriota fazendo isso? Está muito longe de ser patriota. Patriota é aquele que defende sua raça, sua classe, seu povo, a luta, a esperança, as conquistas, defendendo as políticas públicas”, declarou.
O bispo também chamou a atenção para as condições de vida daqueles que dependem de políticas de inclusão para ampliar suas oportunidades e convidou os fiéis a refletirem sobre as oportunidades educacionais que alcançaram diferentes gerações e sobre os riscos de perder avanços sociais.
“Quantos de nós estudamos apoiados pelo governo do nosso país, com as políticas públicas, as cotas, quantos negros chegaram à universidade, quantos são doutores, mestres? Na nossa região, quantas pessoas tiveram acesso à universidade, minha gente? Vamos jogar tudo isso fora?”, questionou.
“Quanta coisa nosso no país nós avançamos. Não podemos retroceder, minha gente. Vamos ser responsáveis, conversar com a nossa família e ver quem historicamente quer bem à nação brasileira.”
O bispo criticou as ameaças à Constituição e alertou para o risco de uma ditadura fascista no país: “Mas qual é o problema da nossa Constituição atual que precisa ser mudada? Eis um perigo do fascismo chegar pelo Poder Legislativo. O Brasil já teve o golpe militar, pelos militares, mas poderá ter também uma ditadura querida, aplaudida e permitida pelo Legislativo dessa nação. Olhemos a formação do nosso futuro Congresso”. “Se o outro era ruim, esse parece que será pior”, disse.
“Não vamos votar somente em uma pessoa. É no projeto de sociedade. Nós recebemos o Brasil como está hoje, os acertos e os erros. E o que é que vamos deixar com o nosso voto para aqueles que virão depois de nós?”, questionou.
RESPONSABILIDADE COM O FUTURO
O bispo também criticou iniciativas que, em sua interpretação, representam uma tentativa de transferir a condução dos assuntos brasileiros a interesses externos. Ao abordar a possibilidade de participação estrangeira em processos de transição de governo, defendeu que a organização política do país seja conduzida pelos próprios brasileiros.
“Quem historicamente não quer o bem nosso, quer o bem dos outros lá de fora, inclusive entregar o nosso país, convidando para fazer parte de uma comissão de passar de um governo para outro. Mas como é que pode uma coisa dessa? Nós aqui é que temos que combinar e organizar, se for necessário, essa transição”, afirmou.
CRIANÇAS COM ARMAS NA MÃO
Além das questões políticas e sociais, Dom Limacêdo abordou um episódio envolvendo uma criança com uma arma, em ato em apoio a Flávio Bolsonaro.
“Como é que dias atrás ouvi, vocês devem ter visto, uma criança com a arma na mão comemorando? Quando eu vi, eu disse: ‘não, o mundo está se acabando, perdemos o juízo’. Se aquela criança é estimulada ou não é controlada, não é educada, o que é que vai ser dessa criança? O que é que ela poderá fazer até com vocês e comigo, dependendo da circunstância?”, questionou.