Mudanças previstas pela reforma tributária podem levar empresas optantes pelo Simples Nacional a adotarem uma estratégia híbrida, exigindo análise mais cuidadosa dos créditos tributários e do perfil dos clientes.
A Reforma Tributária começa a mudar, na prática, a forma como as empresas brasileiras devem pensar sua gestão tributária. Entre os pontos que merecem atenção está o impacto sobre as empresas enquadradas no Simples Nacional, especialmente diante da possibilidade de utilização de um modelo híbrido de tributação.
A partir das novas regras, o empresário poderá precisar avaliar não apenas a carga tributária da própria empresa, mas também o impacto que sua escolha terá na cadeia de créditos dos seus clientes. Para empresas que vendem principalmente para outras pessoas jurídicas, essa análise pode ser determinante para a competitividade.
Para o contador e consultor de negócios Israel Rodrigues, o momento exige que o empresário deixe de enxergar o Simples Nacional apenas como uma opção automaticamente vantajosa.
“A reforma tributária muda a lógica da tomada de decisão. Não basta olhar somente para quanto a empresa vai pagar de imposto. É preciso analisar o impacto da tributação na cadeia, principalmente em relação aos créditos que o cliente poderá aproveitar.”
Segundo o especialista, o chamado regime híbrido pode se tornar uma alternativa estratégica para determinados negócios, combinando características do Simples Nacional com a possibilidade de recolhimento dos novos tributos pelo regime regular, conforme as regras de transição e as opções disponibilizadas pela legislação.
“O empresário precisa fazer conta antes de escolher. Dependendo do perfil da empresa, do tipo de cliente, da margem e da composição dos custos, permanecer integralmente no Simples pode não representar necessariamente a melhor decisão. A reforma tributária transforma a questão tributária em uma decisão também comercial e financeira”, explica Israel.
A recomendação é que as empresas iniciem o planejamento com antecedência, simulando diferentes cenários e avaliando faturamento, margem de lucro, perfil dos clientes, fornecedores, possibilidade de geração e aproveitamento de créditos e impacto no preço final.
Para Israel Rodrigues, a principal mudança está justamente na necessidade de integrar contabilidade e gestão financeira.
“A reforma tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança de impostos. Ela pode alterar preço, margem, fluxo de caixa e até a relação comercial com os clientes. Quem deixar para analisar somente quando a mudança estiver totalmente implementada poderá perder tempo e competitividade”, conclui.