O Brasil está liderando o caminho na construção de estradas sustentáveis ao reutilizar resíduos de cana-de-açúcar em asfalto de alto desempenho.
Após a extração de açúcar e etanol da cana-de-açúcar, a polpa fibrosa restante (chamada bagaço) é tipicamente queimada para gerar energia. Esse processo produz cerca de três milhões de toneladas de cinzas de bagaço todos os anos.
Em vez de descartar essas cinzas como resíduo, pesquisadores desenvolveram uma forma inovadora de utilizá-las na construção de estradas. As cinzas são ricas em sílica e servem como uma excelente substituição para a poeira de pedra tradicional em misturas de asfalto. Estudos mostram que adicionar de 5% a 30% de cinzas de bagaço de cana-de-açúcar cria pavimentos significativamente mais resistentes, duráveis e capazes de suportar tráfego pesado e o clima tropical desafiador do Brasil.
Testes iniciais em rodovias demonstraram que essas estradas ecológicas têm melhor desempenho e duram mais do que o asfalto convencional, ao mesmo tempo em que reduzem o impacto ambiental por meio da reciclagem de resíduos agrícolas. Essa abordagem pioneira não apenas ajuda a gerenciar grandes quantidades de subproduto industrial, mas também oferece uma solução escalável e econômica para construir infraestrutura mais sustentável.

O Brasil é o maior produtor de cana-de-açúcar do mundo. E a produção brasileira do insumo na safra 2023/2024 bateu recorde, com 713,2 milhões de toneladas, segundo a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O volume cresceu 16,8% em relação ao ciclo passado. A cana é utilizada para produzir açúcar, caldo, bebidas alcoólicas, produtos medicinais e biocombustíveis como etanol e biometanol, alternativas sustentáveis aos combustíveis fósseis, principais responsáveis pelos gases de efeito estufa, que levam ao aquecimento global e às alterações climáticas.
Publicado na revista Nature e intitulado Functional and structural assessment of an experimental section gap graded modified with sugarcane bagasse ash, o estudo revela que, adicionada às misturas asfálticas, a cinza de bagaço de cana (em inglês, SCBA, sugar cane bagasse ash) aumenta a resistência e a durabilidade do material e, ao mesmo tempo, ajuda a reduzir o impacto sobre o meio ambiente porque reutiliza um resíduo que antes seria descartado e diminui necessidade de extração de materiais como pedras e minerais para fabricar asfalto – extração essa que emite gás carbônico.