Werdum celebra conquista de cinturão interino com festa e muito champagne

Novo campeão dos pesados já planeja celebrar vitória pelas ruas de Porto

werdumO brasileiro Fabricio Werdum conquistou neste sábado o cinturão interino dos pesos-pesados do UFC ao nocautear Mark Hunt no segundo round do card que aconteceu na Cidade do México. Horas depois da vitória, “Vai Cavalo” ainda parecia estar sonhando. Cercado de amigos e companheiros de time, o lutador foi recebido com muito carinho em seu quarto de hotel e depois seguiu para um jantar reservado, onde comemorou a vitória com muito champagne.

– Foram dois meses de treino para chegar até aqui, longe da minha família, dos meus amigos, das minhas duas filhas. Hoje, a minha filha mais nova, a Joana, de apenas nove meses, deu os seus primeiros passos e eu não estava lá para ver. A minha esposa filmou e me mandou o vídeo. Na hora, havia bastante gente no meu quarto e me deu aquele nó na garganta por não estar lá para presenciar isso. Mas eu estou muito feliz porque cumpri meu objetivo. Fiquei aqui esses dois meses, conquistei o cinturão e agora posso voltar para casa e matar a saudade das minhas filhas e da minha esposa – discursou o lutador, antes de fazer o primeiro brinde.

Durante todo o percurso do quarto de hotel ao restaurante, Werdum não desgrudou da cinta. O brasileiro tirou fotos com fãs, distribuiu autógrafos e até cumprimentou novamente o time de Mark Hunt, que jantava no mesmo local. A euforia era tanta, que “Vai Cavalo” não conseguia ficar parado, mas, ao conversar com os amigos, o lutador demonstrava não lembrar muitos detalhes do duelo como um todo:

– Eu não cheguei a ver a luta,vi só o momento da joelhada, mas acho que acontece com todo mundo, você fica meio sem lembrar a luta toda. Eu vi que foi um primeiro round bem difícil e eu sabia que seria assim. Quando olhei para o Mark Hunt, eu vi que ele estava bem concentrado, e eu estava com a visão dispersa. Eu também estava concentrado, mas estava estranho. Quem falava muito isso era o Mauricião. Ele dizia que eu era igual carro velho, que eu demoro para pegar, mas quando pego vou embora. Eu me lembro que tentei ir para as pernas do Hunt, mas ele saiu muito bem e muito rápido. Quando ele me quedou, eu não consegui fazer nada. Eu tinha treinado com o Cobrinha, mas ele me prensou muito bem ali na grade e eu não conseguia me mexer direito. Mas ali ele cansou bastante e não conseguiu me aceitar forte. Eu consigo me defender bem no chão, mesmo com as costas no chão, pois comecei no jiu-jítsu fazendo defesa pessoal e isso ajuda nesses momentos.

“Vai Cavalo” se disse surpreso com a potência do soco do neozelandês.  Ainda no primeiro round, com pouco mais de um minuto de luta, Hunt acertou um overhand de direita que mandou o brasileiro à lona. Fabricio, no entanto, se levantou logo em seguida, prosseguindo no combate. Segundo ele, o camp de quase dois meses feito em Jiquipilco, a mais de 2.750 metros sobre o nível do mar, foi imprescindível para a boa absorção de golpes que levou do “Super Samoano”:

– A pancada pegou, eu senti, mas não fiquei tonto. Quando você leva muita pancada, você começa a cansar mais. Mas eu não senti isso. Veio o soco, mas não senti a tontura. Eu fiquei muito tempo aqui no México, foram quase dois meses e acho que isso ajudou na altitude. Depois o Rafael Cordeiro veio no intervalo do round e disse que o soco dele não ia me derrubar. Eu senti a confiança do treinamento, e eu treinei muito isso. O Mark Hunt sabia que eu queria entrar nas pernas. Quando ele caiu, já pediu para parar, só que o árbitro não ouviu, então eu comecei a bater, ele se encolheu e o juiz parou.

Questionado sobre qual foi a primeira coisa que veio à sua cabeça no momento em que viu Hunt nocauteado, Werdum disse que foi uma mistura de emoção e adrenalina:

– Eu só queria abraçar todo mundo, comemorar com o meu time. Quando o Dana White foi colocar o cinturão em mim, eu queria pegar o cinturão, aí ele mandou eu virar. Não estou acostumado né, é a primeira vez que pego o cinturão (risos).

Fabricio também se disse um pouco desapontado com a reação da torcida mexicana à sua música de entrada na arena. Durante toda a semana, o brasileiro brincou e tocou exaustivamente a canção “Cielito Lindo” nos eventos abertos ao público, para criar uma identidade com o público e, também, prestar uma homenagem a eles.

– A galera cantou a música no momento da entrada, mas eu achei que seria muito mais barulho. Não sei se eu não consegui ouvir, se todo mundo cantou mesmo, mas como o Cain Velásquez estava lá na arena, a galera estava mais contida, até em sinal de respeito. Por um lado, vencer esse cinturão no México foi legal porque a galera está acostumada comigo por causa do TUF e, também,  porque sou comentarista do UFC aqui no país, mas seria muito mais especial se essa luta tivesse sido no Brasil.  Brasileiro é diferente, não tem jeito.

E por falar em seu país natal, o lutador mal pode esperar para realizar outro sonho, dessa vez em terras tupiniquins: desfilar com o cinturão recém-conquistado em um carro do Corpo de Bombeiros pelas ruas de Porto Alegre:

– Eu quero desfilar no caminhão do Corpo de Bombeiros com o cinturão, estilo Ayrton Senna. Vai ser uma celebração muito especial, pois, por dois anos, mantive uma foto do cinturão do UFC como papel de parede do meu celular, para que eu não perdesse o foco. Hoje, finalmente vou poder tirar o cinturão do celular e passar a usá-lo na cintura. Por isso, quero comemorar muito. Agora vou tirar duas semanas de férias com a minha família e, depois disso, quero ir ao Brasil para realizar esse sonho – finalizou.

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