Visita do papa a ‘Muro da Vergonha’ vale por dez anos de intifada palestina, diz especialista

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abbasO encontro promovido pelo papa Francisco entre os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, no Vaticano, para falar sobre a paz, e a visita papal à Terra Santa no final do mês passado são emblemáticas, avalia o sociólogo, professor, escritor e arabista Lejeune Mirhan, em entrevista a Opera Mundi. Para ele, Francisco “avançou mais do que qualquer outro líder do Vaticano” para fomentar o diálogo entre israelenses e palestinos. 

O fato de Francisco ter quebrado o protocolo ao descer do papamóvel e rezar pedindo paz no muro da Cisjordânia, conhecido como “Muro da Vergonha”, que separa Israel da Palestina, durante sua visita à região, “carrega muito significado. Esta atitude vale por dez anos de intifada”, disse Lejeune, referindo-se ao tipo de protesto comum na Palestina, em que pessoas atiram pedras contra o muro.

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A reunião dos líderes no Vaticano realizada neste domingo (08/06) foi uma resposta ao convitefeito por Francisco quando este visitou a Terra Santa. Embora não tenham dado nenhuma declaração política, os presidentes sinalizaram que o encontro, classificado pelo sociólogo como “surpreendente”, é um esforço a mais para avançar nas negociações para o fim do conflito na região. 

Sinais emblemáticos

“Na diplomacia, você vive de sinais emblemáticos”, observa Lejeune, que destacou a importância dos gestos realizados pelo papa, que “representa uma igreja com 1,2 bilhão de seguidores em todo o mundo”.

Ele avalia também que as ações de Francisco contribuem para o contínuo isolamento do primeiro ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e para a “contenção do radicalismo na região”. As atitudes do papa foram “muito bem recebidas pelos palestinos”, avalia o sociólogo. Os israelenses, no entanto, se dividem ao avaliar tais sinais. De acordo com a imprensa internacional, Netanyahu se mostrou contrariado pela participação de Peres no encontro com Abbas.

A relação entre palestinos e israelenses voltou a piorar com a formação de um governo de unidade nacional entre o Partido Hamas e a OLP (Organização pela Libertação Palestina). Após o anúncio, Netanyahu suspendeu as negociações que vinham sendo realizadas e anunciou que vai impor sanções ao novo governo.

Notícia postada em  

  • 10 de junho de 2014
  • Da Redação