Aparecida de Goiânia, quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Vacinação

Variante delta eleva mortes e internações nos EUA, onde 99% das vítimas são as que recusaram as vacinas

Redação
10 de agosto de 2021

A variante delta está mudando a maneira como os Estados Unidos vêm lidando com a pandemia de covid-19, após a constatação de que a nova cepa está fazendo o país voltar a números trágicos de novos casos e óbitos a cada dia. Desde fevereiro, o país não registrava média móvel acima de 100 mil novos casos diários. Os governadores e até a Casa Branca mostram preocupação, e medidas de segurança, como o uso obrigatório de máscaras, estão sendo retomadas. O Pentágono comunicou que vai exigir vacinação de todos os militares da ativa.

Ao lado da agressividade da nova variante, o negacionismo de grande parte da população contribui para a nova aceleração da pandemia em território americano. No país, onde movimentos que rejeitam a ciência divulgam mentiras sobre as vacinas, apenas 46,13% da população está imunizada. Isso em uma nação que tem abundância de imunizantes, suficientes para 100% dos habitantes.

Negacionismo mata
O Centro de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos reforçou nesta segunda-feira (9) que mais de 99% das mortes por covid-19 na última semana foram de pessoas que recusaram-se a se vacinar. Entre os internados, o percentual de não imunizados é de 97%. “Se eu soubesse o que sei agora, definitivamente teria me vacinado”, disse o trabalhador Joshua Garza, de 43 anos, morador do Texas, à emissora de TV norte-americana ABC. Ele teve de realizar um transplante duplo de pulmões na última semana para tratar das complicações da covid.

Os estados do Sul, historicamente mais conservadores e alinhados com a direita e a extrema direita, apresentam aumento considerado explosivo de casos e internações. Na cidade de Austin, no Texas, com mais de 2 milhões de habitantes, havia apenas 14 leitos de UTI disponíveis até o início da tarde de hoje (hora local).

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Número de internações explode no Texas. Estado conservador sofre com negacionismo e baixa vacinação. Fonte:NewsNodes

No Brasil
Até o início da noite de hoje, o Brasil registra 22,68% da população completamente imunizada, com duas doses ou vacina de dose única. Outros 55,49% dos brasileiros já tomaram a primeira dose. Contudo, enquanto a vacinação avança e as medidas de distanciamento social vão caindo, a variante delta ganha espaço no país. Mais contagiosa e resistente às primeiras doses das vacinas, a mais recente mutação do coronavírus deve se tornar dominante no Brasil a partir das próximas semanas. Autoridades sanitárias como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alertam que onde a variante delta chega seguem a explosão de casos e mortes entre não vacinados.

No balanço da pandemia de hoje, consolidado pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), o Brasil registrou 411 mortos pela covid-19. Com o acréscimo, chega a 563.562 o total de vítimas oficialmente registradas. No período, também foram notificados 12.085 novos casos da infecção, totalizando 20.177.757 desde o início da pandemia, em março de 2020.

Os dados às segundas-feiras são inferiores à realidade, já que um menor número de diagnósticos é realizado aos fins de semana, em razão do descanso de parte dos profissionais de saúde. Além disso, mais uma vez o Ceará não informou os números do dia até o fechamento do balanço, alegando problemas técnicos. A defasagem dos dados tendem a ser corrigida nos próximos dias.

Vacina protege
Embora a subnotificação seja uma realidade desde o início do surto, o avanço da vacinação no país segue apresentando indicadores positivos, apesar da lentidão. Apesar de ainda em números tragicamente elevados, a última semana foi a de menos mortes desde o início do ano – 6.382 óbitos. O número de mortes no período é inferior às piores semanas da chamada primeira onda, entre maio e agosto de 2020. Também são inferiores à chamada segunda onda, mais letal, que atingiu o país com mais força entre maio e abril deste ano, com números na casa das três mil mortes por dia.

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Números da covid-19 no Brasil. Fonte: Conass

Riscos
No Brasil, que não adota medidas sanitárias eficientes para frear o vírus, e a cobertura vacinal alcançada até agora ainda é insuficiente para impedir a variante delta de provocar estragos, o cenário preocupa especialistas cada vez mais. Em duas postagens no Twitter, a epidemiologista Denise Garrett alerta que o cenário norte-americano pode se reproduzir no Brasil. Também deu orientações sobre como reduzir o risco de contaminação. “É um alerta fundamental. Média móvel de casos nos EUA: há oito semanas: 12.386; quatro semanas: 29.254; duas semanas: 52.143; uma semana: 78.433. Hoje: 110.360. Não há nenhuma evidência q o mesmo crescimento exponencial pela delta não ocorrerá no Brasil. Proteja-se.”

“Para a minha proteção individual, além da vacina, lógico, eu sigo uma regra básica. Não compartilho ar com ninguém. A covid-19 está no ar. Se em ambiente fechado ou mal ventilado, estou sempre com uma N95/PFF2”, completou a especialista.

Fonte: RBA

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