Turistas estrangeiros matam pelo menos 600 leões por ano na África

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Levantamento feito por ONG ambientalista internacional mostra que anualmente 2% da população mundial da espécie morre na região vítima de caça legalizada

Estimativa feita por uma organização ambientalista internacional aponta que turistas que praticam caça esportiva legal matam pelo menos 600 leões no continente africano a cada ano. Como, segundo aponta a ONG, existem no mundo apenas 30 mil destes felinos, a prática significa que anualmente 2% da população mundial de leões é vítima dos caçadores, cuja maioria é formada por cidadãos norte-americanos.

A polêmica sobre a caça de animais, prática legalizada em alguns países africanos, aumentou após a notícia de que Walter James Palmer, um dentista do estado norte-americano de Minnesota, matou Cecil, o leão mais famoso do Zimbábue, o que gerou imediata repercussão na internet.

Em entrevista à imprensa dos EUA, Jane Smart, diretor global da União Internacional pela Conservação da Natureza, afirma que a cifra de 600 leões por ano consta em um relatório feito pela entidade — o levantamento é antigo e, segundo Smart, o número atual deve ser, na realidade, ainda mais alto.

Os turistas norte-americanos — ricos, dado o custo da atividade, que supera os US$ 50 mil — são os primeiros da lista de adeptos da caça esportiva legal: entre 1999 e 2008, 64% dos “troféus” (cabeças, couros e outras partes empaladas) concedidos aos algozes de leões vão parar nos EUA.

De acordo com a entidade, a população da espécie não conseguirá, a longo prazo, sobreviver em meio a tantas mortes por conta da caça legal. No ano passado, um órgão do governo norte-americano se recusou a listar os leões africanos como espécie “em perigo”, o que impediria que esses “troféus” circulassem  no país, desestimulando a prática.

O norte-americano que matou Cecil se defende afirmando que não tinha conhecimento de que estivesse praticando uma atividade ilegal. Cecil era residente do Parque Nacional de Hwange, área de proteção ambiental no Zimbábue.

“Pelo que eu sabia, todo o relacionado à viagem era legal e adequadamente administrado e conduzido”, disse Palmer, em comunicado repercutido nesta quarta-feira (29/07).

O dentista Walter Palmer, que pagou US$ 55 mil (cerca de R$ 183 mil) pelo sáfari no Zimbábue, já havia sido condenado nos EUA por caça ilegal: em 2006, teve que pagar uma multa de US$ 3.000 após ter matado um urso-negro no estado de Wisconsin.

Atraído para fora do parque

A morte de Cecil abriu uma grande polêmica entre os conservadores locais porque consideram que o safári foi organizado de forma ilegal.

Segundo a Força Especial para a Conservação do Zimbábue, Palmer participou de uma caçada noturna no Parque Nacional de Hwange, no último dia 6.

O leão, de 13 anos, foi atraído com uma presa amarrada a um veículo como isca para levá-lo para fora do parque, quando tecnicamente deixaria de ser ilegal caçá-lo.

“Palmer disparou contra Cecil com um arco e uma flecha, mas este disparo não o matou. O rastrearam até encontrá-lo, 40 horas mais tarde, e voltaram a atirar contra ele com uma arma”, explicou o presidente da ZCTF, Johnny Rodrigues, aos meios de comunicação locais.

O ato provocou indignação no mundo todo e reacendeu os pedidos de proibição de caça de leão no Zimbábue.

Operamundi