Troller T4 2015 continua valente, mas estilo é controverso

O jipe Troller é um daqueles veículos que nem precisam ser tão bons para conseguirem clientes. O modelo é envolvido por uma “aura” que fez dele um produto que não é necessariamente um sucesso de vendas, mas é famoso. Seus donos são verdadeiros “advogados” da marca, como define Carla Freira, supervisora de marketing da marca baseada em Horizonte (CE). Proprietários do veículo o defendem com unhas e dentes e adoram contar suas histórias com ele. Até se cumprimentam quando cruzam pela rua, mesmo sem se conhecerem. Mas agora esse encontro será diferente.

T4 finalmente mudou. Entre 1997 e 2014, o modelo teve pouquíssimas alterações no visual comparado ao que a Troller e a Ford, que comprou a marca em 2007, prepararam para a segunda geração. A versão final do novo jipe é uma continuação quase idêntica do conceito TR-X, apresentado no Salão de São Paulode 2012. O visual segue um estilo “durão”, à la Hummer, com a frente alta estilizada com um enorme para-choque, que na mesma peça envolve a grade e os faróis.

De fato, o novo Troller T4 chama atenção. Ele está mais alto, a carroceria cresceu e o interior está mais parecido com o de um automóvel de passeio, o que garante mais conforto. Há também uma clara tentativa da Troller em reforçar sua marca no design do jipe. Vários “T” podem ser vistos pelo desenho. Eles estão na grade frontal, no friso lateral que corta as portas, além do para-choque. “Nossa ideia no novo projeto era distanciar a Troller de algo que já existia (o Jeep Wrangler), por isso adotamos uma identidade própria”, explica José Carlos, diretor de design da Troller, durante o lançamento do novo modelo.

Por isso tudo, no entanto, não quer dizer que o novo T4 é bonito. Para alguns pode soar estranho, mas a Ford espera que os novos donos achem lindo. A distância entre-eixos alongada para 2,58 metros (antes tinha 2,41 m) é boa para ganhar mais espaço na cabine, mas deixou o Troller meio confuso. Os para-choques ainda têm vincos que deixam a impressão de que alguma peça pode ter caído, mas são apenas elementos de design. Já o desenho traseira ganhou bordas no estilo “round square” (“quadrado arredondado”), como um iPad, e o estepe foi deslocado para o centro da tampa.

O material da carroceria continua sendo fibra de vidro, mas agora moldada com outro processo em vez da laminação, que leva mais tempo e faz uma sujeira sem fim. A fibra agora é moldada em prensas, em um processo chamado Sheet Molding Compound (SMC). A tecnologia oferece maior precisão e pode acelerar o tempo de produção.

Trator de passeio

O visual reformulado do Troller T4 também acompanha uma atualização na parte mecânica (diesel). O jipe deixou de usar o motor 3.0 16V 4 cilindros MWM-Internacional de 165 cv e 38,7 kgfm para agora ser impulsionado pelo bloco 3.2 20V 5 cilindros Duratorq da Ford de 200 cv e 47,9 kgfm de torque máximo. Tem ainda a troca do câmbio manual de cinco marchas por um novo com seis – é o mesmo motor e câmbio da picape Ranger. Já o sistema de tração mantém os modos 4×2, 4×4 High e 4×4 Low, com acionamento eletrônico. Além da força extra, esse novo motor, segundo a Troller, é até 10% mais eficiente no consumo.

Em um curto test-drive com modelos “pré-série”, os primeiros da linha de montagem, o T4 mostrou que continua com o espírito de cavalo bravo. Alguém ainda havia esquecido o câmbio no modo reduzido e ao tentar sair já começamos com um pulo. A alavanca, aliás, é bem difícil de manusear. Com o modo 4×2 ativado o câmbio se “amansa” e o jipe começa a andar e mesmo devagar já pede marchas. As relações são bem curtas, o que reforça ainda mais a vocação off-road do veículo, mas dificulta sua condução em trechos pavimentados. A suspensão dura também denuncia que esse carro não serve para o asfalto. Qualquer buraco é um estardalhaço.

Na terra, onde é mais prudente andar devagar, o Troller fica mais à vontade. Para ir com tranquilidade, engato o modo reduzido, e o carro foi “soltinho” pela trilha. Os ângulos de entrada e saída bastante acentuados também permitem ao modelo literalmente entrar e sair de buracos. Só ficou faltando um bom trecho de lama para deixar o jipe bem sujo.

Interior de automóvel

Uma das principais reclamações de quem não tem um Troller (ou que não foi envolvido pela aura da marca) é sobre o seu conforto. O modelo atual tem bancos duros e com posicionamento ruim e na traseira só conseguem viajar malas, sem falar do porta-malas inexistente. Pois bem, a montadora quer que essas pessoas comprem o novo T4 e para isso elaborou um novo interior.

Os bancos estão mais confortáveis e na traseira, enfim, há espaço para dois ocupantes e o porta-malas leva 134 litros (antes cabia apenas 94 l). O painel deixou de ser um misto de carros da Ford para adotar um desenho próprio. A parte central tem os controles do ar condicionado digital e o sistema de som, apesar de simples, ao menos tem conexão Bluetooth para smarthphones.

Por conta de uma brecha na lei, que abre exceção para veículos off-road, o novo Troller T4 conseguiu ser homologado sem airbags frontais. O modelo, contudo, vem com freios ABS com calibração para uso na terra.

A Troller anuncia que o novo T4 vai chegar ao mercado em agosto, mas ainda não divulga o preço do produto. A fabricante, todavia, assume uma postura de que o jipe, com a reformulação visual e os novos equipamentos, subiu de nível e por isso seu preço ficará em até 15% acima do atual, que custa R$ 96.844. Portanto, o valor do jipão cearense deverá passar dos R$ 110 mil, um preço alto para um veículo essencialmente recreativo e fabricado no Brasil.

IG

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