Trio matou estudante por discussão banal e riu após crime, diz polícia

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Três jovens foram presos e confessaram que crime ocorreu por motivo fútil. Gabriel Caldeira, 19 anos, foi morto a tiro ao sair de um bar, em Goiânia.

A Polícia Civil concluiu que o assassinato do estudante de administração Gabriel Caldeira de Souza, de 19 anos, baleado após sair de um bar no Setor Marista, em Goiânia, ocorreu por um motivo banal e fútil. A delegada Ana Cláudia Rodrigues, responsável pelo caso na Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios (DIH), informou que os três suspeitos presos confessaram o crime. Segundo ela, eles riram após cometerem o assassinato.

“Eles disseram que houve uma discussão banal, quando passaram de carro pela rua. Mas foi apenas porque um deles achou que a vítima o encarou. O Gabriel respondeu perguntando o que foi que ele tinha feito e isso já foi motivo para que os suspeitos voltassem e a vítima fosse morta. E depois saíram rindo”, afirmou a delegada.

Os três jovens suspeitos pelo crime, que tiveram a prisão temporária expedida pela Justiça, são os irmãos Arthur e Bruno Dias Stival, de 20 e 19 anos, respectivamente, e Murillo Eduardo Conceição, de 20. Eles foram apresentados durante uma entrevista coletiva, na manhã desta quinta-feira (7), na Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO).

Segundo as investigações, os três rapazes estavam no Toyota Corolla, com outras adolescentes, quando cruzaram com Gabriel, que tinha acabado de sair de um bar e estava acompanhado por quatro amigos, na noite do último domingo (3). Câmeras de segurança registraram a movimentação dos suspeitos (veja no vídeo acima).

Após a discussão, Gabriel foi atingido por um tiro no abdômen e chegou a correr por alguns metros em uma calçada, até que caiu na frente de uma casa. O Corpo de Bombeiros informou que foi acionado, mas, quando a equipe chegou ao local, o rapaz já tinha sido levado para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

Em nota enviada ao G1, a unidade de saúde relatou que o rapaz deu entrada às 23h40 de domingo e “foi submetido a procedimentos cirúrgicos”. O óbito foi constatado às 9h30 da última segunda-feira (4).

A delegada ressaltou que os tiros foram disparados sem nenhuma razão. “Eles não conheciam a vítima e não houve nenhuma discussão no bar ou em qualquer outro lugar. Simplesmente os rapazes estavam no Corolla e cruzaram com o Gabriel na rua. O veículo, que é de propriedade do Bruno, era dirigido por Arthur. Já o Murillo estava no banco traseiro e foi ele quem efetuou dois disparos, que atingiram a vítima”, detalhou.

Ana Cláudia explicou que a identificação dos suspeitos foi possível após a análise de mais de 10 horas de gravações de câmeras de segurança da região onde o crime ocorreu, além de outras informações colhidas pela inteligência da Polícia Civil.

“Inicialmente, partimos dos dados do veículo e, com outras apurações que fizemos, identificamos os suspeitos. Aí passamos a monitorá-los e descobrimos que o Murillo havia ido até o Mato Grosso com o intuito de buscar dinheiro para que pudesse fugir com o Arthur e o Bruno. Porém, assim que ele voltou para Goiânia, montamos uma operação para prender os três em sequência”, explicou.

Murillo, que estava com o revólver calibre 38 usado no crime, foi detido na GO-070, na Vila Mutirão, em Goiânia, na quarta-feira (6), quando estava em um veículo com familiares da namorada. Já os irmãos Stival estavam na casa de uma tia, no Setor Aeroviário, onde estavam escondidos juntamente com o Corolla. O veículo foi apreendido.

Após a prisão, os suspeitos foram ouvidos e, segundo a delegada, disseram que os tiros foram disparados pelo Murillo. “O Bruno iniciou a discussão, pois foi ele quem mexeu com o Gabriel. Foi ele quem mandou os colegas fazerem o retorno na via pública e ele quem instigou o Murillo a atirar. De qualquer forma, todos eles foram embora dando risadas”.

Brigas banais
A delegada ressaltou que, de acordo com relato de testemunhas, essa não foi a primeira vez que os três suspeitos se envolveram em brigas por motivos banais. “Esse tipo de atitude era frequente entre eles, que saiam com o objetivo de causar confusões. Já chegaram, inclusive, a mostrar a arma, que era do Bruno, para intimidar pessoas nas ruas. Porém, nunca tinham atirado, mas dessa vez, infelizmente, o fizeram. Por isso, a prisão deles foi importante, já que eles poderiam fazer novas vítimas”, disse Ana Cláudia.

De acordo com o delegado Douglas Pedrosa, titular da DIH, nenhum dos três suspeitos tinha passagens pela polícia. No entanto, ainda é apurada a participação deles em outros crimes.

“Eles são jovens que, apesar de estarem com um carro relativamente caro, são de classe média baixa. No entanto, eles costumavam sair nas ruas ameaçando as pessoas para satisfazer mesmo o sadismo. Mesmo sem tendo passagens anteriores, isso não quer dizer que eles não estavam envolvidos em práticas criminosas. Isso segue sendo apurado”, disse.

Os três suspeitos foram indiciados pelo crime de homicídio qualificado. Murillo, que estava com o revólver, também vai responder por porte ilegal de arma. Por enquanto, eles estão em uma cela na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Já as duas adolescentes que estavam no Corolla foram ouvidas e liberadas. “Mas ainda vamos analisar a postura de cada uma delas para as devidas responsabilizações”, destacou Ana Cláudia.

Motivação
O pai de Gabriel, o comerciante Gilson Caldeira de Souza, disse que desconhece os motivos que levaram ao crime, já que o filho não tinha inimizades. “Ele não era de briga, de confusão, então é isso que eu acho estranho, a pessoa passar na rua e sair atirando, matando as pessoas. Quero justiça”, disse Gilson.

Revoltado, ele pede que os responsáveis pelo crime paguem pelo homicídio. “Eu tinha muitos projetos para a vida dele [Gabriel], mas infelizmente foram interrompidos. Espero que quem matou o meu filho pague, pois ele destruiu uma família”, lamentou.

Pai de Murillo, que esteve presente durante a apresentação do caso na SSP-GO, o auxiliar de produção Geraldo Márcio Conceição, de 41 anos, pediu perdão à família de Gabriel e disse que também está sofrendo muito.

“Eu sei que não há chances de perdão, mas quero que eles saibam que estou sentindo na pele tudo isso. Nunca imaginei que meu filho estaria envolvido em uma situação dessas. Estou muito machucado e sofrendo muito”, lamentou.

Geraldo rebateu a informação da polícia de que o filho pretendia fugir. “Ele ficou de cabeça quente quando soube da morte do rapaz, pegou a motocicleta e foi para o Mato Grosso. Mas nós conversamos com ele, que decidiu voltar. Ele ia se entregar. Meu filho é uma pessoa direita, que trabalhava vendendo água na rua, e estava se preparando para casar. Ele agiu por impulso e foi incentivado pelos colegas”, disse.

Para ele, Murillo não tinha a intenção de matar Gabriel. “Ele está muito arrependido e jamais queria que isso tivesse acontecido. Mas acabou se envolvendo com esses amigos, que eu não conhecia, e não tinha ideia de que poderiam estar mexendo com coisas erradas. Estou muito envergonhado e sinto muito por tudo o que aconteceu”, ressaltou o auxiliar de produção.

O G1 não localizou parentes ou a defesa dos irmãos Stival para comentar o assunto.

G1