Tensão no Oriente Médio cresce após Israel prometer vingar morte de jovens e lançar ataque a Gaza

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gazaIsrael bombardeou dezenas de locais na Faixa de Gaza nesta terça-feira (01/07), atacando alvos do grupo islâmico Hamas depois da descoberta dos corpos de três adolescentes, cujo sequestro e morte o premiê Benajmin Netanyahu atribuiu ao grupo militante palestino. O Hamas, por sua vez, negou qualquer envolvimento nas mortes. O governo palestino em Gaza alertou a população para a escalada da violênciaenquanto a ANP (Autoridade Nacional Palestina) convocou reunião de emergência.

O gabinete da área de segurança de Israel, que manteve uma reunião de emergência na noite de segunda-feira e iria reunir-se na manhã desta terça novamente, ficou dividido sobre a escala de uma nova investida contra o território costeiro e a Cisjordânia, sob ocupação de Israel. Netanyahu prometeu que o Hamas iria pagar pelas mortes dos três estudantes seminaristas judeus, encontrados na segunda-feira sob uma pilha de pedras perto da cidade de Hebron, na Cisjordânia.

Autoridades militares disseram que a força aérea atacou 34 locais, na maioria pertencentes ao Hamas, embora o comunicado não relacione os bombardeios com os sequestros. Equipes médicas palestinas disseram que duas pessoas ficaram levemente feridas. Em vez de citar o caso dos jovens sequestrados, os militares israelenses mencionaram os 18 foguetes lançados pelos palestinos nos últimos dois dias contra Israel como a causa da ofensiva, já que as autoridades do país atribuíram os disparos ao Hamas.

Os corpos de Gil-Ad Schaer e Naftali Frenkel, de 16 anos, e Eyal Yifrach, de 19 anos, foram encontrados nesta segunda-feira no quintal de uma casa do vilarejo palestino de Haljul, a poucos quilômetros de Hebron, escondidos debaixo de um arbusto e cobertos por pedras. Os três eram alunos de escolas religiosas judaicas. Segundo investigações, eles foram sequestrados quando tentavam pegar carona voltando para suas casas. 

O sequestro dos jovens ocorreu em 12 de junho. Nos últimos 18 dias, Israel montou uma megaoperação de busca, matando seis palestinos. Segundo uma porta-voz militar, o Exército já prendeu 420 palestinos na Cisjordânia, incluindo 305 integrantes do Hamas e o presidente do Parlamento de Gaza, e revistou 2.200 prédios.

A Faixa de Gaza é controlada pelo grupo Hamas enquanto a Cisjordânia pela Autoridade Nacional Palestina, ligada ao Fatah. Os grupos rivais iniciaram um histórico processo de reaproximação em maio para montar um governo conjunto para os dois territórios. O acordo foi duramente criticado por Netanyahu, que suspendeu uma já fragilizada conversa de paz mediada pelo secretário de Estado norte-americano, John Kerry. Israel considera o Hamas um grupo terrorista.

ANP

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas, convocou nesta segunda-feira uma reunião de emergência da liderança palestina para analisar a situação. “Analisarão as possíveis medidas a se tomar por causa do ocorrido”, disse à Efe o porta-voz oficial da presidência, Murad Al Shabi, que destacou que se trata de “medidas políticas” e “independente das que Israel tomar”. A ANP não aceitou a postura israelense de que o Hamas é responsável pelo sequestro e assassinato dos três jovens.

Quando ocorreram os fatos o presidente Abbas condenou o “sequestro” e advertiu que, se a participação do grupo se confirmasse, romperia seu pacto de reconciliação com o Hamas. Shabi não quis confirmar nem desmentir sobre uma possível ruptura. O correspondente de assuntos árabes do Canal 2 da televisão israelense informou que o líder palestino manteve nas últimas horas contatos com Washington para “tentar tranquilizar” a situação e impedir uma operação militar israelense de “vingança” em Gaza ou contra a ANP

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