Taxa de jovens trabalhando em Goiás subiu 2% em dez anos, diz pesquisa

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Índice com carteira assinada e investimento no próprio negócio aumentaram.

joensUma pesquisa divulgada pelo Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos da Secretaria de Gestão e Planejamento (IMB/Segplan) sobre o perfil do jovem goiano revela um crescimento de pouco mais de 2% no número de pessoas entre 16 e 24 anos que já estão inseridas no mercado de trabalho. A análise feita entre 2002 e 2012 também aponta para uma melhoria nas condições de emprego, com a redução dos trabalhadores informais e também da taxa de desocupação. Ainda segundo o levantamento, esses fatores estão diretamente ligados ao crescimento econômico de Goiás.

G1 Goiás publica esta semana uma série de reportagens sobre o perfil dos jovens no estado.

De acordo com a pesquisa, nos dez anos analisados, a taxa de jovens trabalhando passou de 86,7%, em 2002, para 89,1%, em 2012. O cientista social Murilo Macedo, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do projeto, esclarece que, embora pareça um crescimento pequeno, o índice é bom, pois o estado já atingiu um patamar satisfatório de ocupação nessa faixa etária. “Esse número nunca vai chegar a 100%, pois sempre vai existir uma parcela que vai estar saindo de um emprego e indo para outro, além dos que estão à procura do primeiro emprego”, disse.

Um dos fatores que explica esse aumento, segundo o instituto, é a menor participação da agropecuária na economia e a maior influência da indústria e do setor de serviços, que são setores que exigem grande quantidade de mão de obra. Além de muitos empregados, essas áreas também exigem que todos estejam devidamente regularizados, com Carteira de Trabalho assinada e recebendo os direitos trabalhistas. Na década em questão, o índice de jovens com emprego formal aumentou de 33,2% para 51,3%.

Áreas de atuação
Nessa categoria, as áreas que mais cresceram nos últimos dez anos foram as de comércio, serviços de manutenção e reparação, indústria de transformação e serviços prestados principalmente às empresas.

Neste último grupo está a recepcionista Pollyanna Helena da Silva, de 22 anos. Após passar seis meses trabalhando de maneira informal, ela decidiu mudar de emprego e procurar uma oportunidade de emprego formal. “Eu busquei esse tipo de oportunidade por precisar de experiência profissional, porque o mercado exige muito das pessoas, principalmente experiência”, disse.

Pollyana acredita que os jovens estarem cada vez mais inseridos no mercado de trabalho também ajuda a estabelecer qual a carreira realmente querem seguir. “Mesmo entrando no mercado, a maioria dos jovens ainda não sabe o que quer. Eu mesma não sabia o que eu queria, qual o meu perfil. A partir do momento que você entra em um cargo, você acaba experimentando mais. Posso ver pontos com os quais me dou bem e outros não, no emprego que estou”, conta a recepcionista.

Ela explica ainda que, mesmo o jovem buscando essa independência financeira, isso não está diretamente ligado ao fato de quererem deixar a casa dos pais. “Eu moro com meus pais até hoje e não tenho a pretensão de sair de casa tão cedo. Mas eu estou trabalhando porque eu quero ter uma renda, comprar minhas coisas, pagar a faculdade, como estou fazendo agora. Não quero ficar em casa e tendo cobranças por questão de ser acomodada”, relata.

Migração
A possibilidade de trabalhar com carteira assinada também atrai jovens que vêm de outros estados em busca de melhores condições de vida. O atendente de telemarketing José Arlian, de 21 anos, se mudou de Governador Nunes Freire, no Maranhão, há sete meses justamente para conseguir um emprego que lhe dê maior estabilidade. “Na minha cidade, a maioria dos contratos de trabalho é só de boca. A facilidade de ter uma carteira assinada aqui em Goiânia me atraiu”, relata.

Para José, o emprego formal é uma maneira de ter uma maior estabilidade econômica devido à mudança de cidade e também ao recente casamento. Toda essa mudança é encarada como um novo desafio. “Tem que aproveitar enquanto é jovem para fazer essas coias, tentar várias possibilidades”, disse o atendente de telemarketing.

Empreendedorismo
Já Nádilla Alves, 22, decidiu sair de um emprego formal em uma livraria da capital e abrir o seu próprio negócio. Ela faz parte dos 8,7% dos jovens “ocupados por conta própria”. Para a jovem, quem está dentro desse índice, se preocupa mais em ter a satisfação de trabalhar no que gosta e desenvolver o próprio projeto, é mais importante que a estabilidade conquistada com a carteira assinada. “É uma pressão maior quando você faz essa mudança, porque você cuida de todas as partes. Mas, sinceramente, não tenho o que reclamar, eu faço por realização pessoal”, garante.

Além da autonomia em suas próprias decisões, a independência financeira é outro fator destacado por quem busca, cada vez mais, o mercado de trabalho. “Hoje, os jovens não querem mais pedir dinheiro para os pais, não quer mais depender da mãe para ir a uma festa, a um shopping comprar um tênis ou até mesmo para pagar os estudos. O trabalho é uma forma de ter sua própria vida, sua independência”, relata Nádilla.

Para ela, o sentimento de autonomia financeira também se transferiu para o mercado de trabalho quando decidiu abrir seu próprio negócio, fabricando e vendendo tortas e doces. “Eu precisava de um emprego que me desse um retorno financeiro rápido para que eu pudesse me estruturar. Depois, eu percebi que realmente precisava fazer o que gostava. Aproveitei o dinheiro que tinha juntado e abri meu próprio negócio. Eu comecei investindo R$ 50, ele foi crescendo e hoje já vou fazer um investimento de quase R$ 3 mil”, diz.

Mesmo empenhados em obter sua independência, de acordo com o estudo, não houve uma alteração significativa na distribuição entre o estudo e a ocupação da população ao longo da década analisada. Houve aumento apenas na parcela que apenas trabalha – de 36,8% para 40% – e no índice dos que somente estudam, que cresceu 1,5%.

Independência
Para Marisa Brandão Soares Martins, gerente executiva da Junior Achievement, associação que desenvolve projetos de educação prática em negócios, economia e empreendedorismo com jovens, a maior inserção deles no mercado de trabalho reflete um desejo por autonomia.

“Ainda existe uma parcela que trabalha por questão de necessidade, mas os jovens estão começando a trabalhar, cada vez mais para definir melhor sua carreira, ter a chance de experimentar diferentes áreas”, disse a gerente executiva. Com isso, segundo Marisa, os jovens buscam autonomia e liberdade em suas próprias escolhas profissionais, deixando de ser tão influenciados por familiares, padrões estabelecidos pelas escolas ou cultura social vigente.

Já o maior crescimento do índice de trabalho formal pode ser explicado pela forte influência de aspectos culturais, segundo Marisa. “Ainda vejo em Goiás uma questão cultural forte de se buscar um emprego fixo e estável”, diz a gerente executiva da associação. Para ela, isso é uma espécie de referência histórica e cultural da família e até mesmo da sociedade, de maneira geral, que acaba ficando presente.

Mesmo empenhados em obter sua independência, de acordo com o estudo, não houve uma alteração significativa na distribuição entre o estudo e a ocupação da população ao longo da década analisada. Houve aumento apenas na parcela que apenas trabalha – de 36,8% para 40% – e no índice dos que somente estudam, que cresceu 1,5%.

Ainda de acordo com a pesquisa, é “importante ressaltar que a juventude goiana é uma juventude trabalhadora. Ainda que esteja em idade de estudos, a maior parte dessa faixa etária, 59,9% trabalha”.

G1