Suposto serial killer revolta avó de vítima ao ficar cabisbaixo: ‘Monstro’

Da plateia, idosa gritou para o vigilante em audiência em Goiânia.

serikO vigilanteTiago Henrique Gomes da Rocha, de 27 anos, permaneceu calado e de cabeça baixa nas audiências de instrução sobre os assassinatos de duas estudantes, ambas de 14 anos, realizadas na manhã desta segunda-feira (23) em Goiânia. As sessões ocorreram no 1º Tribunal do Júri.

Valdomira Ribeiro do Nascimento, avó de Bárbara Luiza Ribeiro, morta em uma praça da capital, se revoltou com a postura do réu e, da plateia, esbravejou: “Levanta a cabeça monstro, você levantou a cabeça para matar a minha neta”.

A senhora teve de ser retirada do Tribunal. Do lado de fora, familiares a acalmaram e deram um medicamento. Eles disseram que era um momento “muito difícil” e preferiram não comentar o ocorrido.

Réu em silêncio
Mesmo com a reação de Valdomira, Tiago se manteve cabisbaixo. Como não ia responder às perguntas de defesa nem acusação, ele foi retirado do local. As advogadas afirmaram que o cliente escolheu ficar calado, e que não foi “orientação da defesa”.

Antes da audiência de instrução sobre a morte de Bárbara, houve a sessão relativa ao processo de Ana Lídia de Sousa Gomes, que foi assassinada em um ponto de ônibus, no dia 2 de agosto do ano passado.

Presididas pelo juiz Eduardo Pio Mascarenhas, as audiências ocorreram em seguida e duraram, juntas, pouco mais de duas horas.

Processos suspensos
O magistrado determinou a suspensão dos processos de Ana Lídia e de Bárbara até a conclusão do laudo do exame de insanidade mental de Tiago. No início desde mês, o vigilante passou por uma avaliação psiquiátrica feita pela Junta Médica Oficial do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO). Segundo o TJ, o diagnóstico deve ficar pronto em março.

“O laudo será juntado a esses processos também. Não há a necessidade de se pedir um exame a cada processo, pois a conclusão tem que ser a mesma e seria um gasto desnecessário ao erário”, afirmou o juiz.

Testemunhas
Em cada uma das audiências, cinco pessoas prestaram depoimento. Entre elas, pessoas que presenciaram os crimes, participaram das investigações ou familiares das vítimas.

Avô de Ana Lídia, Aloísio Fernandes Gomes foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local do crime, um ponto de ônibus do Setor Conjunto Morada Nova, no dia 2 de agosto do ano passado.

Durante a audiência, o idoso contou que a neta já estava morta quando ele chegou ao local. “Ela sempre ia de carro ou de carona para a Feira da Lua, mas dessa vez ela foi de ônibus. Eu pensei que ela fosse para o ponto final, que é movimentado, mas ela foi para o ponto que fica isolado”, recordou o avô.

Aluísio se emocionou muito ao falar de Ana Lídia, que morava na casa dos avós desde os 4 anos. “Ela era tida como líder das colegas de escola. Todo mundo a adorava. Ela contagiava as pessoas com a alegria dela”, disse.

Bárbara foi morta em 18 de janeiro do ano passado, no Setor Lorena Park. Ela foi baleada enquanto espera a avó buscá-la em uma praça em frente a um salão. “Eu a deixei no salão para ela tirar a sobrancelha e fui para o mercado. Uns dez minutos depois me ligaram falando do que aconteceu. Voltamos correndo pra lá, tentei reanimá-la, mas não deu. Ela era uma criança”, disse Valdomira.

Vítimas
Além dos processos de Ana Lídia e Bárbara, Tiago responde na Justiça pelos homicídios de Rosirene Gualberto da Silva, 29; Wanessa Oliveira Felipe, 22; Ana Maria Victor Duarte, 27; Juliana Neubia, 22 e Isadora Cândido, 15. Ele também é reu nos processos de dois roubos a uma agência lotérica na capital.

O vigilante foi preso no dia 14 de outubro do ano passado. Ele aguarda os julgamentos no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.

Na ocasião da prisão, Tiago confessou à Polícia Civil ter matado 39 pessoas desde 2011. Entretanto, segundo informou o delegado Murilo Polati, o vigilante prestou novos depoimentos na companhia de advogados e reduziu o número de confissões para 29.

Além dos crimes contra mulheres, ele também confessou assassinatos de homossexuais e moradores de rua.

Na ocasião, o vigilante ficou em uma cela da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos (Denarc) por oito dias. No local, segundo revelou o delegado Eduardo Prado, o suspeito afirmou aos policiais que “estava com vontade de matar”.

Em outubro, Tiago foi transferido para o Núcleo de Custódia do Complexo Prisional. Durante a transferência, mesmo escoltado por 20 policiais, ele conseguiu agredir um fotógrafo com um chute no abdômen antes de ser colocado no carro da polícia.

No dia seguinte, o delegado Murilo Polati afirmou, durante entrevista coletiva, que o vigilante voltou a fazer ameaças de morte, desta vez, para os detentos do Núcleo de Custódia. Atualmente, a unidade informou que o jovem não tem apresentado sinais de agressividade e passa a maior parte do tempo lendo na própria cela, onde fica sozinho.

“Desde a chegada dele ao Complexo Prisional, não manifestou nenhum comportamento anormal. Ele está com a rotina normal: banho de sol, alimentação, está sendo acompanhado por psicólogos e não manifestou nenhum comportamento agressivo”, relatou o gerente regional prisional, Leandro Ezequiel.

Em janeiro, o vigilante teve a audiência de instrução sobre a morte de Rosirene Gualberto, de 29 anos. Esta foi a primeira oitiva em relação à série de homicídios da qual é acusado. Na ocasião, ele declarou que foi “obrigado” a matar a jovem por um “sentimento demoníaco”.

G1

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