Soluções para mobilidade urbana, resíduos e recursos hídricos são discutidas em Curitiba

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As propostas foram apresentadas no Seminário de Sustentabilidade Territorial Urbana, promovido pela Unilivre

Na última quinta-feira, 8 de dezembro, aconteceu em Curitiba o STU 2016 – primeiro Seminário de Sustentabilidade Territorial Urbana, promovido pela Universidade Livre do Meio Ambiente – Unilivre em parceria com a Paraná Metrologia, no Campus da Indústria da Fiep.

O evento reuniu especialistas, autoridades, gestores e técnicos para discutir os problemas, desafios e soluções no desenvolvimento sustentável dos centros urbanos, especialmente, na capital paranaense. “É fundamental debatermos e procurarmos soluções para os problemas no desenvolvimento sustentável, além de proporcionar informação e ajudar a mobilizar e conscientizar os cidadãos sobre a importância da participação na gestão dos recursos naturais, resíduos sólidos e mobilidade urbana”, disse Celso Kloss, superintendente da Unilivre. Para avançar nas discussões, ele anunciou a próxima edição do evento: o STU 2017, previsto para o segundo semestre.

Durante o evento foi apresentado o Sistema Hazus, utilizado nos Estados Unidos desde a década de 1990, mas inédito no Brasil, que foi trazido ao país por meio de uma parceira entre a Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR e o Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres – CEPED/PR. O Hazus auxilia no mapeamento de risco de desastres naturais e desenvolve medidas para diminuir impactos.

Outra questão importante abordada foi o fantasma do desabastecimento hídrico. “Os mecanismos de planejamento fazem esse risco ser menor, mas o fundamental para garantir a disponibilidade da água é saber manter e cuidar dos mananciais”, afirmou o gerente de Desenvolvimento de Planejamento Ambiental da Sanepar, Pedro Franco. “O Ministério da Saúde exige um certo grau de pressurização da água para garantir a qualidade dela. Isso causa uma perda de água e faz com que seja complicado avaliar as dimensões do problema. Contudo, sempre trabalhamos muito nos combates aos vazamentos”, comentou.

Gestão do lixo

O gerenciamento dos resíduos sólidos também foi debatido. De acordo com dados da Abrelpe (Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), somente 3% de lixo urbano é reciclado no Brasil e isso é devido à falta de triagem nas residências e compreensão da importância pela população. “Com a reciclagem, ajuda-se na economia do município, pois o material é enviado para cooperativas, além de proporcionar a volta para a indústria do que pode ser reutilizado. Mas, é preciso informar mais a população sobre a separação do lixo orgânico, que pode ser reutilizado para compostagem e biogás, por exemplo, mas existem os rejeitos, que só podem ser destinados para aterros e contaminam outros materiais se forem descartados juntos”, ressaltou Franciele TomczykTeran de Freitas, consultora ambiental do Senai.

A produção de biogás também foi comentada por Cícero Bley, presidente da ABiogás. “Tirar energia dos resíduos sólidos é o mínimo que podemos fazer para criar a sustentabilidade nas operações com o lixo. O biogás produzido com o lixo pode ser utilizado para movimentar motores, inclusive, de máquinas utilizadas para a própria reciclagem do lixo”, revelou.

Mobilidade urbana

Outro grande problema no desenvolvimento sustentável das cidades é a mobilidade urbana. Curitiba, que já foi modelo em transporte coletivo, hoje apresenta diversos impasses nesse setor. “Muitos lugares fizeram o que não fizemos aqui: integraram o sistema a outros meios de transporte. Isso fez com que evoluíssem mais do que nós”, enfatizou a Dra. Márcia Pereira Bernardinis, professora do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná – UFPR. Ela defende que a solução é integrar priorizando o pedestre. “Precisamos criar bicicletários e estacionamentos de carros que permitam às pessoas fazer o deslocamento até um terminal, onde utilizariam o transporte coletivo. Também é fundamental parar de priorizar o sistema viário do veículo particular e melhorar a infraestrutura das ciclovias e também aumentar o conforto no transporte coletivo”, apontou.

No fim do dia das discussões, foram apresentadas formas de obter recursos para financiamento em projetos de sustentabilidade, com representantes do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE e da Agência de Fomento do Paraná.