Separação familiar às vezes é ‘necessidade moral’, diz papa Francisco

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Ele evitou usar palavra ‘divórcio’; durante audiência no Vaticano, pontífice argentino ressaltou o impacto de problemas conjugais na ‘alma das crianças’

O papa Francisco declarou na quarta-feira (24/06) que a separação de uma família pode ser “moralmente necessária”, durante uma audiência geral na praça de São Pedro, no Vaticano. Contudo, ele evitou a expressão “divórcio”.

“Às vezes, isso [a separação] pode tornar-se mesmo moralmente necessária, quando se trata de proteger o cônjuge mais frágil ou as crianças das feridas mais graves causadas pela intimidação e pela violência, a humilhação e a exploração”, argumentou o pontífice argentino.

Durante a audiência, o papa ressaltou o impacto desses problemas conjugais nas crianças. De acordo com o líder católico, falam-se muitos em “distúrbios comportamentais, de saúde psíquica”, mas quase ninguém analisa “as feridas das almas das crianças”. “Como acompanhar a situação de modo que a criança não se torne refém do pai ou da mãe?”, questiona.

As polêmicas declarações acontecem um dia após ser publicado um documento sobre a família na atualidade que servirá como base para a Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos. Previsto para início de outubro, o encontro abordará a temática “Vocação e Missão da Família na Igreja e no Mundo Contemporâneo”.

No documento divulgado na terça (22/06), há uma abertura para os divorciados que se casaram novamente no civil e debates que incluem a questão dos casamentos homossexuais  e as novas formas de família. Tradicionalmente, a Igreja Católica mantém uma postura rigorosamente contra o divórcio.

Operamundi