Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Pandemia

Semana foi de queda da covid no Brasil, mas ainda perto das mil mortes por dia

Redação
14 de agosto de 2021
An Israeli health worker grabs a dose of the Pfizer-BioNtech COVID-19 vaccine on August 13, 2021, at the Maccabi Health Service in the Israeli town of Rishon Lezion, as Israel launches its campaign to give booster shots to people aged over 50, in a bid to stem spiking infections driven by the Delta variant. - Israelis rushed to sign up for the booster shots, with the nation's largest health provider, Clalit Health Services, reporting this morning it gave 5,000 shots to people between ages 50-59. (Photo by AHMAD GHARABLI / AFP)

O Brasil registrou 966 mortes pela covid-19 nesta sexta-feira (13). No mesmo período de 24 horas, foram 33.933 casos confirmados da doença.

Com os acréscimos, o país chegou a 567.862 vítimas e ao menos 20,319 milhões de infectados desde o início do surto, em março de 2020. Isso desconsiderando ampla subnotificação, já que em nenhum momento o governo federal traçou estratégias de combate à covid-19.

Entre as principais medidas negligenciadas, estão a realização intensa de testes, rastreio de contágios e adoção de medidas de isolamento social.

Ao contrário, o presidente Jair Bolsonaro adotou uma postura de negar a ciência e as orientações dos pesquisadores e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Muitos países adotaram a receita indicada pelos cientistas e controlaram de forma eficaz o surto. Na Austrália, por exemplo, o governo realiza um intenso rastreio dos casos confirmados. Ao menor sinal de descontrole, as cidades adotam medidas rígidas de isolamento social, o chamado lockdown. No início da semana, a capital Camberra iniciou o distanciamento social após a identificação de apenas um caso.

Resultados

Os resultados são claros. O país da Oceania tem 948 mortos pela covid-19 desde o início da pandemia. Enquanto isso, o Brasil é a segunda nação com maior número de mortos, atrás apenas dos Estados Unidos.

A mortalidade em relação à população no Brasil é 4,4 vezes superior à média mundial. Cientistas afirmam que, caso o governo federal tivesse adotado medidas para proteger a população, poderiam ter sido salvas mais de 400 mil vidas.

A Austrália também se destaca positivamente em relação à estratégia vacinal. O governo local foi duramente criticado por não traçar uma estratégia rápida para compra de vacinas. Com escassez de imunizantes tal como o Brasil, a Austrália optou por acelerar as segundas doses, em vez de priorizar o avanço das primeiras.

É uma lógica que faz sentido em um cenário de disseminação da variante delta, até 70% mais contagiosa do que outras cepas e que derruba a eficácia das primeiras doses. Agora, o país tem 23,16% de imunizados com duas doses, diante de 23,95% no Brasil. Já em relação às primeiras, são 44,12% entre australianos e 57,75% dos sul-americanos.

Embora as vacinas sejam a principal estratégia para controle do vírus, epidemiologistas de entidades como a OMS e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) argumentam que a crise só será superada com a adoção de estratégias conjuntas.

Não existem vacinas 100% eficazes, logo, elas devem ser combinadas com isolamento social, rastreio de contágios, vacinação em massa e uso de máscaras. Todas estas medidas rejeitadas pelo governo brasileiro.

Vacinação

O cenário do combate à pandemia no Brasil é turbulento e passa também por escândalos de corrupção envolvendo o governo Bolsonaro e a aquisição tardia de vacinas.

Então, tanto a prevaricação como a corrupção e o favorecimento ilícito são investigados na CPI da Covid. Contudo, os resultados da vacinação são positivos no Brasil. Embora cientistas critiquem a ausência de outras medidas para controle da pandemia e a lentidão na vacinação, os indicadores estão em ritmo de queda sustentável desde o dia 12 de abril.

Hoje, a média diária de mortes pela covid-19 no Brasil, calculada em sete dias, está em 871, número similar às primeiras semanas deste ano. Já o mesmo indicador médio de casos diários está em 30.036, melhor situação desde o dia 24 de novembro.

Negacionismo

Enquanto a variante delta ganha espaço no Brasil e ainda circula de forma tímida, em outros países a cepa provocou elevação brusca nos casos registrados. A relevância da vacinação fica explícita em um cenário comparativo.

Países que vacinam com maior velocidade e sociedades que aceitam de forma mais positiva os imunizantes mantém a redução das mortes, mesmo com aumento de infectados. Entretanto, em países que enfrentam dificuldades com a vacinação não vivem o mesmo cenário positivo.

Os Estados Unidos possuem abundância de vacinas, suficiente para toda a população. Entretanto, menos da metade dos norte-americanos estão vacinados com duas doses, 46,31%. Pesa sobre o país o problema da desinformação e das fake news.

Movimentos negacionistas e antivacinas divulgam mentiras sobre a segurança dos imunizantes. O resultado é o avanço descontrolado da doença, com mais de 100 mil casos diários em média nesta semana. O Centro de Controle de Doenças (CDC) do país afirma que 99% das mortes nas últimas três semanas são de pessoas que rejeitaram as vacinas.

Enquanto isso, o Canadá, com mais de 60% da população totalmente imunizada, não experimenta o mesmo avanço, como é possível ver nos gráficos comparativos a seguir.

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