Sem pagamento, médicos não fazem hora extra e atendimento fica comprometido

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Segundo o SindMédico, os profissionais não recebem o benefício desde outubro

20141228182531475287eAs denúncias de problemas no atendimento dos hospitais da rede pública do Distrito Federal continuam. No último fim de semana do ano, pacientes que procuraram atendimento médico em hospitais públicos e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) reclamam que passaram horas e horas em filas de espera, quando não tiveram que se deslocar para outras unidades de saúde para conseguir assistência. De acordo com o Sindicato dos Médicos (SindMédico), todos os servidores da categoria estão cumprindo a carga horária. No entanto, muitos deixaram de fazer as horas extras por falta de pagamento, causando gargalos na escala.

Segundo o vice-presidente do órgão, Carlos Fernando da Silva, os médicos não recebem o benefício desde outubro. No dia 9 de dezembro, o SindMédico comunicou – por meio do site da entidade, e-mail e meios de comunicação – que os funcionários não seriam mais obrigados a trabalhar mais do que a carga horária, devido à falta de pagamento. “Como a Secretaria de Saúde tem um déficit de 3 mil médicos para cumprir a escala nas unidades de saúde, se os médicos não fizerem horas extras, os hospitais e postos de saúde ficam sem profissionais”, explica Silva.

O vice-presidente explica que as principais áreas prejudicadas com o problema são a clínica geral, cirurgia, pediatria e ginecologia, especialidades mais demandadas pelos pacientes. “São necessários servidores fazendo hora extra para completar a escala de todos os dias. Então, a previsão é de que a situação continue a mesma durante esta semana”, acrescenta. Assim como os funcionários públicos de outras categorias no DF, os médicos também não receberam parte do 13º salário. A reportagem contatou a Secretaria de Saúde mas até a publicação desta matéria não havia recebido resposta. De acordo com o Governo, os últimos depósitos serão realizados até terça-feira (30/12).
Sem atendimento

As pessoas que foram ao Hospital Regional da Asa Norte (Hran) na manhã deste domingo (28/12) encontraram os consultórios vazios. Um funcionário do hospital que não quis ter a identidade revelada disse que a orientação dada aos pacientes era para que eles procurassem outros hospitais. “Estamos pedindo para que eles se desloquem para outras unidades, pois estamos sem atendimento de clínica médica”, diz.

O vigilante Luis Fernando Soares da Silva, 46 anos, foi ao Hran no início desta tarde para ser atendido com problema de arritmia cardíaca, mas não conseguiu atendimento. “É um desrespeito com a população. Toda vez que preciso de hospital público não sou atendido. Desta vez, eles só falaram que não havia médico e deram orientação para ir para a Ceilândia ou para o Paranoá. A situação é crítica”, declara o vigilante.

Mãe de uma criança de 1 ano e 5 meses, Suenia Martins de Andrade, 27 anos, contou que a filha sofre de bronquite e apresentava falta de ar quando ela resolveu levá-la ao hospital. Segundo Suenia, a criança passou pelo Hospital do Gama e de Santa Maria e como não conseguiu atendimento, resolveram seguir para a Asa Norte. “A nossa saúde é uma vergonha. Moro no Pedregal e foi horrível para chegar aqui. Não quero voltar para casa com ela nesse estado. Ela está com dificuldade para respirar. Vou esperar pelo pediatra o tempo necessário”, relata.

A Secretaria de Saúde (SES/DF,) afirma que o pagamento do 13° salário e das horas extras dos servidores da saúde depende de repasse da Secretaria de Administração Pública. Assim que for finalizado, os pagamentos serão realizados.

Correiobraziliense