Seis detentos de Guantánamo são transferidos ao Uruguai na condição de ‘refugiados’

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Sob custódia dos EUA desde 2002, ex-prisioneiros foram entregues ao governo de Mujica

quatamoA transferência faz parte de um acordo firmado entre Washington e Montevidéu anunciado no início do ano. O presidente uruguaio, José Pepe Mujica, afirmou ontem, 07, em entrevista que os prisioneiros chegarão ao país sul-americano na condição de “refugiados”. Segundo Mujica, seu governo não aceitou o pedido dos EUA de que os seis detentos tivessem que permanecer dois anos no Uruguai antes de sair do país.

“No primeiro dia que quiserem ir embora, poderão”, afirmou o presidente, durante viagem ao Equador para participar da cúpula da Unasul (União das Nações Sul-Americanas). “Para mim, o mecanismo do refúgio está entre as mais nobres instituições que tornam viável a humanidade”, completou Mujica, que deixará a presidência no ano que vem para seu sucessor Tabaré Vázquez, eleito há uma semana.

Há dois dias, o presidente uruguaio — para quem a base norte-americana na ilha de Cuba “não é uma prisão e sim um ninho de sequestros” — divulgou a carta que enviou a Obama reiterando seu compromisso em receber os prisioneiros.

No documento, Mujica aproveita para pedir, como contrapartida, a suspensão do embargo econômico que Washington impõe a Havana e também a libertação de alguns prisioneiros políticos dos EUA: além de um porto-riquenho acusado de insubordinação, os quatro cubanos detidos há mais de dez anos enquanto atuavam como espiões para identificar organizações terroristas anticastristas na Flórida.

Em nota oficial, o Departamento de Defesa dos EUA agradeceu a parceria com Mujica. “Os Estados Unidos são gratos ao governo do Uruguai pela disposição em apoiar os atuais esforços para fechar a unidade de detenção da Baía de Guantánamo”, escreveu o Pentágono.

Presos sem acusação há 14 anos

Os ex-prisioneiros deverão chegar ao Uruguai na noite de segunda ou na madrugada de terça-feira. De imediato, serão levados ao Hospital Militar, mas, uma vez terminados os tratamentos médicos, não se sabe o que acontecerá com eles.

Os seis transferidos são: Ahmed Adnan Ahjam, Ali Hussain Shaabaan, Omar Mahmoud Faraj, Abdul Bin Mohammed Abis Ourgy e Mohammed Tahanmatan.

Conforme reporta o jornalista Glenn Greenwald no site The Intercept, todos os seis estavam sob custódia de Guantánamo pelo menos desde 2002 — há mais de 14 anos, portanto. Sob eles não pesa nenhuma condenação criminal ou qualquer outro tipo de delito. O próprio Pentágono já retirou todas as acusações que constavam contra os seis, deixando-os aptos para serem libertados anos atrás.

Um dos ex-prisioneiros, o sírio-libanês Abu Wa’el Dhaib foi entregue aos EUA em 2002 e liberado das acusações em 2009. Desde então, vinha praticando greve de fome para protestar contras as condições degradantes de tratamento no campo. Ao completar 43 anos de idade, Dhaib teve sua saúde fortemente debilitada e vinha sofrendo represálias das autoridades carcerárias de Guantánamo. “Vinha sendo negado o acesso de Dhiab à cadeira de rodas, fazendo com que tivesse de ser brutalmente arrastado de uma cela a outra e diariamente alimentado à força contra sua vontade”, revelou a entidade humanitária Reprieve.

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