Sandero 2015 muda bastante e mantém bons preços

Quando a Renault concebeu a dupla Logan e Sandero a ideia era oferecer carros com preços competitivos nas categorias de acesso e baixos custos de manutenção. Isso foi conseguido e os números de vendas nos últimos anos foram favoráveis, mas os dois modelos nunca fugiram da fama de terem acabamento sofrível e visual questionável, para não dizer feio dependendo do gosto. Essa economia em design e na cabine, porém, permitia a marca produzir produtos mais baratos.

Mas agora são outros tempos e a marca conseguiu aliar o bom gosto aos baixos custos. O Logan já evoluiu e todo mundo elogiou. As linhas quadradas foram suavizadas, o conjunto óptico, antes muito simples, ganhou arrojo e o interior, enfim, ganhou itens de sofisticação. Essas mesmas mudanças aplicadas no sedã foram passadas ao Sandero 2015, que mudou bastante. De acordo com a montadora francesa, 80% dos componentes do carro é novo.

Como a Renault gosta de falar, o visual do Sandero ficou mais “atraente”. A reforma é a mesma do Logan, com cantos suavisados, faróis maiores, lanternas mais “estilosas” e o logotipo da marca enorme na grade frontal. Em outras palavras, em termos de design o Sandero 2015 está mais para “Logan hatch”. De frente eles são iguais. Já de traseira…

A Renault acertou em cheio ao retirar os enormes faróis na parte médio superior das colunas. Agora o Sandero tem faróis com tamanho mais conservador e posicionado na parte central da traseira. O desenho das luzes com a tampa do porta-malas lembra o do VW Gol, que também “inspirou” a GM na criação doChevrolet Onix. Copiado, parecido, influenciado, tanto faz, ficou bonito.

O tão criticado interior do Sandero, que antes era abusadamente simples, com excesso de plástico de qualidade inferior (que até cheirava mal), melhorou. Continua simples, mas desta vez com capricho e tecnologia. A Renault também melhorou a posição de dirigir ao inserir regulagens de altura no banco e volante. Este, por sinal, também é novo, com melhor empunhadura. Mais uma vez, a cabine do carro repete todos os pontos da evolução do Logan.

O espaço interno continua generoso. Com uma cabine montada entre uma distância entre-eixos de 2,59 metros, há espaço para todos os ocupantes, especialmente na traseira, que pode levar três pessoas com facilidade. Já o porta-malas continua com o selo de maior da categoria, com 320 litros de capacidade. Por essa característica, o Sandero também é procurado por casais com filhos, além de habituais solteiros e casados acostumados com compactos.

Impressões ao dirigir

A posição de dirigir do novo Logan é o que chama atenção de imediato. O volante menor e mais grosso tornou a dirigibilidade mais interessante, embora a marca não tenha feito alterações do câmbio manual de cinco marchas, que mantém a alavanca longa muito longa e com engates imprecisos. A suspensão também continua com o antigo “molejo”, balançando além da conta, principalmente na traseira.

A versão 1.6 8V flex, que segue com a mesma configuração da linha passada capaz de gerar até 106 cv, é o mais interessante dos Sandero. Anda bem, com boas arrancadas e retomadas, mesmo com alguma carga (três jornalistas “bem alimentados”), e o número de consumo nunca é assustador. Em trânsito urbano em Florianópolis, a média ficou na casa dos 10 km/l.

Ao andar na versão 1.0 sente-se a falta de fôlego, como na linha anterior (e como em qualquer carro com motor 1.0). O motor usado na versão de entrada do Sandero 2015 é o mesmo 1.0 16V com atualizações que estraram no Clio nacional. Esse bloco gera mais 3 cv a mais que o anterior, chegando até 80 cv com etanol, e também consome menos, segundo a marca.

Os dados da ficha técnica aponta consumo médio de 12,6 km/l com gasolina e 8,6 km/l com etanol. Tais médias são das mais baixas da categoria. Mas para acelerar, continua devagar. O Sandero 1.0 acelera do 0 aos 100 km/h em 14 segundos e atinge até 161 km/h, conforme dados do fabricante.
Conteúdo

A versão de entrada do Sandero 2015, a Autentique, ganhou dois importantes itens de série sem alterar significativamente o preço final. Ele agora tem direção hidráulica e rádio com CD player de fábrica e o preço ficou em R$ 29.900 – na linha anterior, sem esses itens, o carro partia de R$ 28.690. A versão Dynamique (R$ R$ 42.390), top de linha, ganhou ar condicionado automático e controlador de velocidade de cruzeiro (“piloto automático”) com comandos no volante.

Mas o item mais legal do Sandero continua sendo a central Media Nav, que avançou para a versão “1.2”. O equipamento possui entradas USB e auxiliar, além de pareamento de smartphones e outros dispositivos via Bluetooth com funções para realizar ligações sem as mãos e streaming de áudio, que toca músicas armazenadas em dispositivos externos. Mas o principal é o GPS com sistema de navegação integrado e não via conexão com a internet, como no My Link da GM. O item é oferecido no Sandero 2015 a partir da versão intermediária Expression.

Mercado

A Renault conseguiu envolver o Sandero em uma nuvem “premium” sem modificar seriamente a tabela de preços. Por isso, a expectativa da marca é grande. O grande objetivo é chegar a terceira posição da categoria dos hatch compactos, hoje liderado por VW Gol e Fiat Palio. O terceiro posto anda oscilando entre Chevrolet OnixFord Fiesta e Fiat Uno e o volume para alcançá-lo está na casa dos 12 mil carros por mês. O hatch da Renault, está atualmente na sétima colocação e neste ano tem uma média mensal que se aproxima de 9 mil carros.

Com as mudanças, a Renault espera que quem torceu o nariz para o Sandero na versão passada volte a considerá-lo como uma opção. O carro está bonito, tem bons equipamentos e o mais importante, os preços são competitivos para o segmento. O carro chega às lojas neste mês e entre agosto e setembro vem a inédita versão com câmbio automatizado, o primeiro da fabricante francesa, que substituirá a caixa automática sequencial.

IG

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