Aparecida de Goiânia, sexta-feira, 17 de setembro de 2021
Vacinação

Saiba tudo sobre a vacina da Janssen, o imunizante de dose única que chega ao Brasil

Redação
27 de junho de 2021

País comprou 3 milhões de doses do produto, que precisa ser mantido refrigerado e deve ser distribuído até 8 de agosto

O primeiro lote com 1,5 milhão de doses do imunizante do laboratório Janssen, do grupo Johnson & Johnson, chegou nesta terça-feira (22) ao Brasil. O uso emergencial da vacina - que é aplicada em dose única - foi aprovado em 31 de março de 2021 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 

Até o fim do mês, mais um lote com 1,5 milhão de doses deve chegar ao país. Com isso, com as doses compradas pelo Ministério da Saúde, será possível imunizar 3 milhões de pessoas até 8 de agosto, quando os imunizantes perdem a validade. O protocolo de armazenamento prevê a refrigeração do medicamento entre 2°C a 8°C, como recomendado pelo fabricante e determinado pela Anvisa.

Pelas condições logísticas demandadas pelo imunizante, apenas as capitais de estado receberão as 3 milhões de doses, conforme determinou a pasta da Saúde.

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Taxa de eficácia, variantes e quantidade de doses

A aplicação em uma dose única é a grande diferença prática do produto da Janssen em relação aos demais imunizantes distribuídos no Brasil até então, como CoronaVac, AstraZeneca e Pfizer. Cada ampola deve ser suficiente para a aplicação de dez doses, sendo de 0,​5 ml cada dose.

Segundo dados da farmacêutica publicados na revista científica "New England Journal of Medicine", o imunizante apresenta uma eficácia de 66% contra casos moderados, 85,4% contra casos graves e, por fim, 100% contra hospitalização e morte por covid-19, após 28 dias da aplicação da dose. 

O estudo que permitiu chegar a esses números foi realizado com pouco menos de 44 mil voluntários de oito países, incluindo Estados Unidos, Brasil e África do Sul. Desses, 34% tinham mais de 60 anos de idade.

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Proteção contra variantes

Em relação às variantes do Sars-CoV-2, o imunizante apresentou uma proteção de 64% contra casos moderados e de 82% contra casos graves da variante Beta, identificada pela primeira vez na África do Sul e considerada uma das mais contagiosas, ao lado da variante Delta, identificada na Índia. 

Quanto a esta última, ainda não foram divulgadas as taxas de proteção. Mas, segundo a chefe do programa de emergências da Organização Mundial de Saúde (OMS), Maria van Kerkhove, as vacinas existentes até o momento são eficazes contra a variante indiana. 

"A boa notícia é que até agora as vacinas funcionam contra a Delta", afirmou Kerkhove, durante entrevista coletiva, nesta segunda-feira (21). No entanto, caso a imunização não seja acelerada, “pode haver um momento em que surja uma 'constelação de mutações' e tenha uma contra a qual elas percam sua potência”.

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Tecnologia utilizada

O laboratório Janssen utiliza a tecnologia de vetor viral recombinante: um outro vírus, denominado cientificamente como adenovírus, carrega o material genético do Sars-CoV-2 para dentro do corpo humano, o que estimula a infecção de células humanas e, consequentemente, de anticorpos, mas sem a reprodução do vírus. Por isso, não causa doença. Mecanismo semelhante é utilizado pelas vacinas Sputnik V, AstraZeneca e Pfizer.

Reações provocadas pelo imunizante

De acordo com a bula da vacina, as reações mais comuns são dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. Também foram registrados alguns efeitos colaterais como dor de cabeça, cansaço, dores musculares, febre e náusea.

Alguns efeitos adversos graves, considerados extremamente raros, podem ser identificados até uma hora após a aplicação, o que inclui inchaço na garganta, batimento cardíaco acelerado, tontura, fraqueza e dificuldade de respirar. Já a formação de coágulos sanguíneos pode afetar somente uma a cada 10 mil pessoas. 

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Vale lembrar que um estudo britânico, publicado no dia 15 de abril, demonstrou que há mais riscos de aparecimento de coágulos sanguíneos cerebrais em pacientes com covid-19 do que entre aqueles que foram imunizados.

De acordo com a pesquisa, a trombose venosa cerebral ocorreu em 39 pessoas dentro de um universo de 1 milhão de infectados. Já os números da Agência Europeia de Medicamentos (EMA) mostram que cinco entre 1 milhão de imunizados tiveram trombose.

Quem pode tomar a vacina da Janssen?

Segundo a bula da vacina, o imunizante pode ser aplicado em indivíduos com idade igual ou superior a 18 anos. Quanto aos adolescentes e crianças, não foram estabelecidas a segurança e a eficácia da vacina contra a covid-19, que, portanto, não deve ser aplicada nesse público.

Aqueles que têm reação alérgica a qualquer um dos ingredientes, como ácido cítrico mono-hidratado, etanol, ácido clorídrico, polissorbato 80, cloreto de sódio e hidróxido de sódio, também não podem ter o produto inoculado.

Quanto às gestantes e mulheres que estejam amamentando, a orientação buscar um médico antes de tomar a vacina. Também devem ficar atentos e procurar uma consulta médica aqueles que já tiveram alguma reação alérgica após a aplicação de outra vacina; estão com alguma infecção grave com febre acima de 38ºC; têm problemas de hemorragia ou cujo sistema imunológico esteja enfraquecido.

Clique aqui para conferir a bula do imunizante.

Edição: Vinícius Segalla - Brasil de Fato

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