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Meio Ambiente

Sai o garimpo, fica o mercúrio

Marcus Vinicius
2 de dezembro de 2021
Handout photo released by Greenpeace of accommodations and mining structures on the Madeira River, near the Rosarinho community, in Autazes, Amazonas state, Brazil, on November 23, 2021. - Rumours of gold discovery in the area have prompted a huge gold rush with many dozens of gold mining rafts and tugger boats arriving at the Madeira river. Autazes is just over 100 km from the capital Manaus. (Photo by Bruno KELLY / GREENPEACE / AFP) / RESTRICTED TO EDITORIAL USE-MANDATORY CREDIT - AFP PHOTO / GREENPEACE - NO MAFRKETING - NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS - NO THIRD PARTIES, NO RESALE, NO ARCHIVE, CREDIT-LINE COMPULSORY

O garimpo ilegal é pratica comum nos rios da Amazônia, mas nas últimas semanas um boato de que haveria ouro nas proximidades do município de Autazes (AM) gerou uma corrida de garimpeiros ilegais até o local. No último sábado (27), uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), Marinha e Aeronáutica retirou os garimpeiros do local, mas as consequências para as pessoas que ficam na região é sem precedentes. 

A professora Simone Pereira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estuda os impactos que a água contaminada causa para as populações tradicionais afirma que os danos causados ao Rio Madeira serão sentidos por muitos e muitos anos.

Assista:

:: Tráfico, trabalho escravo, poluição: os crimes que podem estar ocorrendo agora no rio Madeira ::

Pereira tem doutorado em Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atualmente é professora associada II da UFPA. Ela desenvolve pesquisas em vários rios da Amazônia, entre eles, o Rio Murucupi, em Barcarena, o Rio Xingu e o próprio Rio Madeira. 

"Até hoje, na Amazônia, eu desconheço a existência de um rio que foi remediado para mercúrio. Essa é uma atividade muito perigosa e tem o lado da toxicidade do mercúrio que acaba contaminando tudo ao seu redor, inclusive, o próprio garimpeiro. Além disso, o mercúrio causa muitos problemas de saúde, principalmente neurológicos", afirma. 

:: Código de Mineração vai a votação em semana de invasão no Rio Madeira: saiba o que está em jogo ::

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Desemprego é motivo da explosão de homens na região, diz minerador / Bruno Kelly/Greenpeace

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  1. INÍCIO
  2. GERAL

GARIMPO ILEGAL

Sai garimpo, fica o mercúrio: saiba quais as consequências para o meio ambiente no Rio Madeira

Depois da repercussão na imprensa e nas redes sociais, operação conjunta foi realizada e apenas uma pessoa foi presa

Catarina BarbosaBrasil de Fato | Belém (PA)

Centenas de balsas e dragas bloqueiam trecho do Rio Madeira (AM) para garimpo ilegal
Centenas de balsas e dragas bloqueiam trecho do Rio Madeira (AM) para garimpo ilegal - Bruno Kelly / Greenpeace

O garimpo ilegal é pratica comum nos rios da Amazônia, mas nas últimas semanas um boato de que haveria ouro nas proximidades do município de Autazes (AM) gerou uma corrida de garimpeiros ilegais até o local. No último sábado (27), uma operação conjunta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA), Marinha e Aeronáutica retirou os garimpeiros do local, mas as consequências para as pessoas que ficam na região é sem precedentes. 

A professora Simone Pereira, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que estuda os impactos que a água contaminada causa para as populações tradicionais afirma que os danos causados ao Rio Madeira serão sentidos por muitos e muitos anos.

Assista:

:: Tráfico, trabalho escravo, poluição: os crimes que podem estar ocorrendo agora no rio Madeira ::

Pereira tem doutorado em Química pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e atualmente é professora associada II da UFPA. Ela desenvolve pesquisas em vários rios da Amazônia, entre eles, o Rio Murucupi, em Barcarena, o Rio Xingu e o próprio Rio Madeira. 

"Até hoje, na Amazônia, eu desconheço a existência de um rio que foi remediado para mercúrio. Essa é uma atividade muito perigosa e tem o lado da toxicidade do mercúrio que acaba contaminando tudo ao seu redor, inclusive, o próprio garimpeiro. Além disso, o mercúrio causa muitos problemas de saúde, principalmente neurológicos", afirma. 

:: Código de Mineração vai a votação em semana de invasão no Rio Madeira: saiba o que está em jogo ::

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Desemprego é motivo da explosão de homens na região, diz minerador / Bruno Kelly/Greenpeace

Segundo ela, há relatos de crianças e adultos na Amazônia com a Doença de Minamata, uma síndrome neurológica causada por severos sintomas de envenenamento por mercúrio. Os sintomas incluem distúrbios sensoriais nas mãos e pés, danos à visão e audição, fraqueza e, em casos extremos, paralisia e morte.

Simone detalha que existem quatro formas de mercúrio e uma delas é o reativo. De forma simplificada, depois de usado na atividade da mineração, o mercúrio fica solúvel e se agrega a formas de vida que servem de alimentação para os peixes como é o caso do plancton

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"O desafio é justamente retirar o mercúrio dessa cadeia. É igual você pegar uma colher de cloreto de sódio (sal) e colocar dentro de um copo de água. Enquanto ele é sal você enxerga, consegue retirá-lo, mas quando você o coloca em um copo d’água você continua a ver o sal? Não. Você não vê mais. A mesma coisa ocorre com o mercúrio reativo. Quando ele chega no rio, ele chega na forma solúvel e é praticamente impossível você recuperar um rio desses", diz a pesquisadora.

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A repreensão policial envolve equipes que entraram pelo rio, por meio de helicópteros e pelas estradas da região. Ao menos 15 balsas foram apreendidas. / Bruno Kelly/Greenpeace

Garimpo ilegal

Entre os anos de 2019 e 2020 foram extraídas cerca de 49 toneladas de ouro com indícios de irregularidades de Terras Indígenas e de Unidades de Conservação, segundo um estudo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Do total de extrações, 90% eram da Amazônia.

"Estamos há anos vendo as consequências para as populações. É comum encontrar criança com queda de cabelo, problemas de coordenação motora  e tremores. Acho que além disso vale dizer que não é para o garimpeiro que devemos olhar com repúdio. Quem está comprando esse ouro? Para onde ele está indo? Os garimpeiros fazem a extração, mas quem compra o ouro deles?".

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Nessa corrida pela mineração ilegal cerca de 1.800 garimpeiros se deslocaram para o Rio Madeira e desse total, apenas um foi preso, o que deixa forte indícios de que eles tiveram acesso a informação de que a operação seria realizada. 

Para o coordenador do Fórum da Amazônia Oriental, Marquinho Mota, os crimes na Amazônia são cometidos com o anuência do governo federal. "A gente vê tráfico de drogas, tráfico de armas, tráfico de ouro, lavagem de dinheiro de uma forma nunca vista antes e de uma forma sem medo com o aval do governo. A pergunta que a gente tem que fazer é quem paga isso?", questiona. 

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O coordenador diz ainda que o maquinário usado na atividade tem valores elevados e irreais de serem adquiridos de forma independente pelos garimpeiros.

"Uma draga dessa que cava ouro não sai por menos que R$ 2 milhões. Quem está pagando isso? Esse dinheiro não fica na Amazônia, esse dinheiro vai embora. Dentro do Brasil, ele vai para São Paulo e fora do Brasil para a bolsa de Nova York. A coisa é muito grande, é a globalização do crime organizado e aqui encontraram terreno fértil. Assim, você tem crime atrás de crime o tempo todo e o governo não faz nada, porque não tem competência, porque não quer ter competência para isso".

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