Rubens Otoni vê contradição no discurso de Perillo

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Deputado federal petista questiona postura diferente do governador em reuniões em que busca recursos do Governo Federal e em eventos políticos entre tucanos

O deputado federal Rubens Otoni (PT) afirma enxergar com “estranheza” os ataques do governador Marconi Perillo (PSDB) ao ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) e ao Governo Federal, proferidos durante a Convenção Nacional do PSDB no último domingo (5). O parlamentar destaca que as ofensas contradizem o comportamento assumido pelo tucano diante da própria presidenta Dilma Rousseff (PT), durante visita a Goiânia, e diante do ministro da Saúde, Arthur Chioro, presente na inauguração no Hospital de Urgências Governador Otávio Lage nesta segunda-feira (6).

“Quando Dilma esteve na Capital, há pouco tempo, o próprio governador reconheceu a boa administração do PT. Dele mesmo, Dilma ouviu todos os elogios possíveis. Assim como o ministro da Saúde, na inauguração do Hugol. Marconi foi absolutamente elogioso”, ressalta o deputado para a reportagem do jornal O Hoje.

Na Convenção deste domingo, que reelegeu o senador Aécio Neves (PSDB) presidente da legenda, o governador goiano agiu diferente. Ele voltou a mirar aquele que elegeu lá atrás como seu principal adversário nacional: o ex-presidente Lula. No combo, Marconi atacou o Governo Federal que, segundo o próprio, está “assolado na corrupção”.

“O governo está assolado na corrupção. Esta crise política e econômica que vivemos é a confirmação de que o ex-presidente Lula, como eu disse há muito tempo, é um canalha”, bradou o governador.

Volta ao debate

Marconi Perillo estava ausente do debate nacional que seu partido trava com o PT. Concentrado em agenda interna, no Estado, ele pouco fez nos últimos meses para chamar a atenção. Agora, faz isso no momento em que busca se firmar como um possível nome do PSDB na disputa pela Presidência da República em 2018.

Rubens Otoni não comentou a tentativa do governador de se projetar nacionalmente e destacou somente que o próprio posicionamento prova o republicanismo da presidenta. “O governador sempre contou com ajuda do Governo Federal, como conta agora com R$ 32 milhões para fazer o Hospital de Urgências funcionar”, destaca.

Não é a primeira vez que Marconi conta com recursos da União. Em discursos recentes, o mesmo governador admitiu a necessidade dos empréstimos para dar andamento aos projetos do Estado. Antes do escândalo do ‘mensalão’, Marconi contou também com ampla ajuda do então presidente Lula, e os dois mantinham uma relação bastante amistosa.

A proximidade entre ambos foi citada pelo tucano como prova de sua testemunha do esquema de corrupção, julgado recentemente pelo Supremo Tribunal Federal e que condenou petistas. 

Acusações começaram com “testemunho” em2006 

Foi em 2006, quando era candidato ao Senado, que Marconi se posicionou claramente como testemunha do mensalão. “Não adianta o Lula falar que não sabia de mensalão, porque eu avisei a ele em 2004, durante uma visita oficial ao município de Rio Verde”, afirmou na época. Após a negação do ex-presidente, Marconi ironizou: “Ele tem problema de amnésia.”

Lula acusou Perillo de “molecagem”. E, tempos depois, na Convenção Nacional do PSDB de 2013, o governador intensificou o desgaste. “Nunca antes neste País foi tão difícil ser oposição ao maior canalha do Brasil. Eu sei o que é enfrentar esse poderio”. Marconi voltou a citar o suposto aviso e  em função disso, foi eleito alvo.

“Um dia eu tive a coragem de alertar este canalha que no governo dele havia mesada para comprar deputados, nem sabia do nome do mensalão. Desde então, fui escolhido, ao lado de Arthur Virgílio, José Agripino e Tasso Jereissati, como seus adversários maiores”, disse.

Reativo

Na campanha eleitoral de 2014, Marconi chegou a dizer que a investigação do escândalo Cachoeira – caso de espionagem ilegal envolvendo o governo de Goiás – tinha o peso da raiva de Lula contra sua pessoa.

O mote do seu discurso oposicionista foi reciclado no domingo, mas ignorado pela imprensa nacional. Além da repetição dos ataques, o governador se prolongou na divulgação constante das ações administrativas realizadas em Goiás. Somente a inauguração do Hugol tomou quase a metade do tempo usado pelo tucano para o discurso e nenhuma repercussão de fato foi vista  fora do Estado.

Nos bastidores, companheiros do partido em Goiás avaliaram como “provinciano” o pronunciamento do governador. Em um momento de crise nacional e discursos de mudança, Marconi se restringiu às fronteiras goianas. Perdeu uma boa chance de fazer um discurso nacional diferenciado e propositivo. 

Hoje