Reitor da UnB visita adolescentes do regime fechado

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Ivan Marques de Toledo Camargo fez palestra motivacional para mostrar que a universidade está de portas abertas para recebê-los

unbMatheus Souza*, de 18 anos, ex-socioeducando da Unidade de Internação do Recanto das Emas (Unire), iniciou, na semana passada, sua trajetória na Universidade de Brasília (UnB) após ser aprovado para Educação Física. Inspirado por essa história, o reitor Ivan Marques de Toledo Camargo e a secretária da Criança do DF, Eliane Aparecida da Cruz, reuniram-se com cerca de 100 ex-colegas do jovem na semana passada para uma palestra que teve o intuito de motivar os internos a iniciarem uma carreira universitária.

O reitor começou a conversa ressaltando sua história acadêmica, destacou a necessidade de cada um mudar sua própria trajetória de vida e aconselhou os jovens a não desistirem de seus ideais. “Todos nós cometemos erros em nossas vidas, mas temos a chance de nos transformamos para consertar esses erros. A universidade é um lugar de novas experiências, onde poderão adquirir uma nova mentalidade e deixar o passado para trás”, discursou Ivan Marques.

O representante da UnB sugeriu três cursos aos socioeducandos: Engenharia Elétrica, Artes e qualquer outro na área de licenciatura. O primeiro, por ser sua formação de origem, o segundo, por ver nas expressões artísticas uma ferramenta capaz de mudar o cidadão, e o último, por acreditar que o Brasil sempre vai precisar de bons professores.

De acordo com a secretária da Criança, o DF possui aproximadamente 620 jovens em cumprimento de medida socioeducativa. Para Eliane, a tarefa da secretaria é buscar parceria para oferecer aos internos outras possibilidades de vida. “A partir de hoje, todos eles vão pensar na UnB como uma possibilidade, e a universidade vai pensar neles como possíveis alunos. A faculdade deixa de ser um sonho impossível para eles a partir de agora”, enfatizou.

Um dos mais empolgados com o discurso do reitor e da secretária era Lucas Silva*, de 18 anos. O jovem, que cumpre medida por infração análoga ao roubo, interessou-se pela sugestão e pretende tentar o vestibular para Engenharia Elétrica assim que terminar seus estudos na escola da Unire. “Quando (a gente) entra na UnB nossa rotina muda e nossa vida, também. Estou em um processo de transformação e pretendo chegar lá para concretizar esse processo”, sintetizou.

SEM TABU – Toledo Camargo garantiu que a chegada de um ex-socioeducando à Universidade de Brasília vai reforçar a capacidade da instituição em promover a diversidade e a democracia. Ele garantiu que o jovem não será motivo de discriminação pelo fato de ter sido apreendido por alguma transgressão do passado.

“Nós temos milhares de alunos e, assim como todos esses, ele será mais um aluno no campus. Ele e os demais estão lá para estudar e cumprir uma carreira acadêmica, e na universidade não são admitidos preconceitos ou discriminações”, reforçou.

*Os nomes são fictícios para proteger a identidade dos adolescentes.

GDF