Quatro policiais acusados de matar cantor sertanejo têm audiência em GO

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cantorQuatro policiais militares acusados de matar o cantor sertanejo José Bonifácio Sobrinho Júnior, conhecido como Boni Júnior, de 28 anos, devem participar de uma audiência de instrução do processo em Goiatuba, no sul do estado, na tarde desta terça-feira (3). A sessão, realizada no Fórum da cidade, será presidida pelo juiz Marcos Vinícius Alves de Oliveira. O crime aconteceu há quase dois anos e os PMs aguardam em liberdade.

Bonny Júnior morreu depois de uma perseguição policial entre as cidades de Panamá e Goiatuba, na madrugada de 28 de outubro de 2012 . Na primeira versão, os policiais militares disseram que o cantor morreu após bater contra um carro da PM durante uma barreira policial. No entanto, após exumação do corpo, foi constatado que o rapaz havia sido baleado na cabeça. Os PMs, então, alegaram que reagiram depois que o músico disparou contra os policiais.

Na época, a família do cantor contestou as duas versões apresentadas pelos militares. “Meu filho nunca portou arma de fogo. Ele não era bandido. Era cantor, músico e intérprete. A única arma dele era o violão”, ressaltou a mãe Terezinha Vinhal.

O caso foi investigado pela Polícia Civil, que constatou que houve adulteração da cena do crime e os quatro PMs acabaram indiciados. Um cabo e um soldado do Grupo de Patrulhamento Tático da Polícia Militar de Goiatuba respondem por homicídio e fraude processual. Já um soldado e um sargento da cidade de Panamá respondem por fraude processual.

Apesar do indiciamento, a assessoria de imprensa da Corregedoria da Polícia Militar informou que os agentes continuam em liberdade e exercendo suas funções na área administrativa da corporação. Ainda segundo a PM, eles não foram afastados dos cargos por falta de um pedido judicial.

De acordo com a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO), a audiência desta terça-feira é a segunda a ser marcada para o caso, pois a primeira foi suspensa depois que a defesa dos policiais alegou que eles sofriam de transtornos psicológicos. Ainda segundo o TJ-GO, os agentes passaram por uma perícia médica, que os liberou para as oitivas desta tarde.

Cena adulterada
Os delegados que investigaram o caso, Ricardo Chueire e Gustavo Carlos Ferreira, afirmaram na conclusão do inquérito que tanto o laudo da Polícia Técnico Científica quanto a reconstituição do crime apontaram que o confronto foi forjado.

“A perícia prova que os próprios militares plantaram a arma na cena do crime, como sendo ela pertencente ao cantor, e ainda atiraram com a mesma arma contra as viaturas para forjar o confronto e justificar a morte de um homem desarmado”, afirmou Ricardo Chueire.

O delegado ressaltou, ainda, que seria fisicamente impossível Boni ter atirado. “A reconstituição mostrou que um indivíduo sentado e dirigindo em alta velocidade não teria posicionamento para acertar os dois carros ocupados pelos policiais e mostra que quem atirou contra as viaturas estava em pé e próximo a elas”, descreveu.

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Durante as investigações, o corpo do cantor foi exumado com o objetivo de encontrar a bala que teria causado a morte. No entanto, segundo a Polícia Civil, o procedimento não gerou uma prova conclusiva, pois o projétil extraído do corpo da vítima estava muito amassado e impossibilitava a comparação com armas apreendidas e fornecidas pela PM de Goiatuba.

Saudade
Enquanto o processo caminha no Poder Judiciário, a família do cantor sofre com a saudade. O pai de Boni Júnior, José Bonifácio, afirma que até hoje eles tentam provar a culpa dos PMs na morte do filho, mas faltam testemunhas. “Eles têm medo de serem repreendidos e a gente não pode nem forçar, pois quem testemunha contra esse pessoal corre um risco muito grande”, disse.

Já a mãe afirma que espera que os responsáveis sejam devidamente julgados. “Nada que fizerem vai trazer meu filho de volta, mas eu quero justiça até o fim. Nunca vou me cansar”, ressaltou Terezinha.

G1

Notícia postada em  

  • 3 de junho de 2014
  • Da Redação