Presos em festa são suspeitos por cerca de 50 assassinatos

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Grupo foi detido em uma chácara e atirou contra policiais, no domingo (29).

A Polícia Civil diz que o grupo preso durante uma festa, no domingo (29), é responsável por cerca de 50 assassinatos cometidos desde 2012 em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital.

O delegado responsável pelo caso, Fabrício Flávio Pereira, também destacou que há suspeitas sobre a ligação dos envolvidos com facções criminosas que atuam em São Paulo e do Rio de Janeiro.

“Nós colhemos nos celulares deles diversas trocas de mensagens com pessoas de outros estados, nas quais eles citam organizações criminosas de São Paulo e Rio de Janeiro. Ainda estamos apurando quais eram os atos criminosos compartilhados entre eles”, disse o delegado.

O grupo foi detido durante uma operação conjunta entre as polícias Civil e Militar no Jardim Dom Bosco I, no domingo (29). Segundo Pereira, os policiais foram até uma chácara, onde era comemorado um aniversário, para prender dois suspeitos que tinham mandados de prisão em aberto por assassinato.

“No local já fomos recebidos com uma rajada de tiros, e alguns dos nossos alvos conseguiram fugir por uma mata próxima da região. Eles planejavam matar mais uma pessoa. Mas conseguimos levar 12 suspeitos para a delegacia, sendo que seis deles ficaram presos. Os demais foram ouvidos e tiveram as suas condutas identificadas. Eles foram liberados, mas vamos pedir a prisão deles. Além disso, seguimos em busca dos fugitivos”, relatou o delegado.

Com os suspeitos, os policiais encontraram veículos roubados, além de munições e drogas. Os seis suspeitos que ficaram presos foram autuados por homicídio, tentativa de homicídio, receptação de veículo roubado, posse ilegal de munição, tráfico de drogas e associação para o tráfico.

Os seis presos, identificados apenas como Hugo Sérgio, Wesley (Conde), Ricardo, Rafael, Elvis e Jean, não foram apresentados durante a entrevista coletiva, na manhã desta segunda-feira (30), pois participavam da audiência de custódia na Justiça.

‘Bonde do Latão’
O delegado explica que as investigações começaram há cerca de três meses, mas que os suspeitos foram identificados a partir de um homicídio cometido em um açougue, no último dia 3 de abril. Na ocasião, a vítima foi um homem identificado como David, que era integrante da quadrilha chamada de “Cristiane”.

“O David tinha emprestado uma arma para o grupo rival, que é o ‘Bonde do Latão’, e estava tentando se infiltrar entre eles. Ele chegou a fazer um funk, no qual dizia que a Cristiane e sua quadrilha seriam mortos. Só que os integrantes desconfiaram da postura dele e o mataram dentro do açougue”, contou Pereira.

A vítima estava dentro do açougue, em um supermercado, quando quatro homens armados entraram no estabelecimento e a mataram. Outras duas pessoas ficaram feridas na ocasião, mas sobreviveram.

A partir daí, os policiais identificaram os suspeitos que integravam as duas gangues rivais, que atuavam com tráfico de drogas e roubos de veículos no Jardim Tiradentes, Jardim Cascata, Himalaia, Alto Paraíso, todos em Aparecida de Goiânia.

“Todos os suspeitos que foram presos integram o ‘Bonde do Latão’, que era liderado pelo Marcos, mais conhecido como Latão. Agora, depois de trabalharmos na responsabilização de cada um deles, partiremos para o grupo da Cristiane, do qual muitos integrantes já foram mortos. Mas os que ainda estão vivos são apontados como autores de muitas mortes”, destacou o delegado.

No total, a polícia diz que cerca de 30 inquéritos serão concluídos com a prisão dos suspeitos. “São muitos crimes, mas o que mais choca é que os grupos são responsáveis por cerca de 50 homicídios. Eles agiam sem dó em nome de uma guerra travada em busca de espaço para os atos criminosos”, concluiu Pereira.

G1