Policial civil briga com a noiva, apanha da PM e acaba detido

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Informações do boletim de ocorrência apontam que o policial da Polícia Civil foi agredido por policiais militares

Um novo episódio entre policiais militares e um agente da Polícia Civil acentuou a disputa das duas forças de segurança pública. Um policial civil lotado no serviço administrativo da 3ª Delegacia de Polícia (Cruzeiro) teria sido agredido por dois militares — um sargento e um cabo — durante o atendimento a uma ocorrência. A equipe da PM foi chamada a um endereço em Águas Claras após suposta agressão cometida pelo agente da Polícia Civil contra a namorada e o porteiro do prédio ao fim da festa de noivado do casal. O policial civil teria resistido à prisão e desacatado a dupla de militares e, por isso, acabou apanhando. A ocorrência está sendo investigada pela 21ª Delegacia de Polícia (Taguatinga Sul) e o caso também foi parar na corregedoria das duas corporações.
A confusão começou por volta das 22h30 deste domingo (23/5). Segundo consta no registro da ocorrência, o agente da Polícia Civil teria se alterado com a companheira no fim da comemoração de noivado dos dois. O delegado-chefe da 21ª DP, Raimundo Vanderly Alves de Melo, contou que o porteiro viu a cena de discussão pelo circuito interno de câmeras do prédio e foi até o local. “Lá ele se desentendeu com o policial civil e os dois entraram em uma discussão. Quando o porteiro tentou intervir, a briga ficou mais acalorada entre os dois”, explicou. No boletim de ocorrência consta que o policial civil agrediu o porteiro.
Ainda segundo o delegado, a noiva disse, em depoimento, que não teria sido agredida e apenas citou uma discussão entre os dois por causa um desentendimento no fim da festa de noivado. O porteiro foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML) para exame de corpo de delito, assim como o policial civil agredido. “Foi lavrado Termo Circunstaciado e, agora, a nossa seção comunitária que investiga crimes de menor potencial ofensivo apura o caso. Estamos vendo por meio de filmagens se houve ou não excesso. Uma cópia também foi encaminhada para cada corregedoria”, explicou.
O agente assinou o TC por lesão corporal contra o porteiro, desacato e resistência à prisão. Em nota, a Polícia Militar disse que a equipe foi acionada pela noiva e pelo porteiro. De acordo com a corporação, vítimas e testemunhas contaram que o agente teria agredido a noiva e a família, assim como o porteiro do prédio. “A equipe da PM chegou ao local e encontrou o suspeito de cueca, aparentemente fora de si, esbravejando contra todos. Na tentativa de conversar e conduzir o agressor à delegacia, ele proferiu xingamentos, desacatou e resistiu à prisão, tentando, de qualquer modo, socar e chutar os policiais militares que usaram da força necessária para contê-lo e conduzi-lo a DP”, informou.
Para a corporação, os militares agiram “dentro da legalidade” e alegou que não há, até o momento, “qualquer motivo para abertura de procedimento apuratório por parte da PMDF”.
Na Polícia Civil, o agente não tem porte de arma. De acordo com fontes ouvidas dentro da instituição, o policial toma remédio controlado e exerce serviço administrativo na 3ª DP (Cruzeiro) em razão de tratamento contra depressão e insônia. Na noite de domingo, ele enviou mensagens a grupos restritos em aplicativos de mensagens instantâneas pedindo ajuda dos colegas. Disse que teria sido “maltratado” por policiais militares e por agentes da 21ª DP (Taguatinga Sul). Segundo a instituição, a Corregedoria da Polícia Civil apura se o servidor cometeu infração disciplinar.
CorreioBraziliense