Aparecida de Goiânia, quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Polícia

Polícia prende ex-servidores contra ex-servidores públicos

Redação
14 de maio de 2021

Crimes aconteceram entre os anos de 2016 e 2018, na Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás. Prejuízo chega a R$ 1 milhão.

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A Polícia Civil cumpriu 14 mandados de prisão, nesta quinta-feira (13/05), durante a Operação Cherokee. A ação apura a existência de uma associação criminosa, que teria atuado no âmbito do Poder Executivo Estadual, entre os anos de 2016 e 2018, extorquindo empresários goianos. Entre os alvos estão ex-servidores públicos da Companhia de Desenvolvimento Econômico de Goiás (Codego), familiares e outras pessoas que participaram do esquema. Estima-se que as vítimas tenham tido prejuízo de R$ 1 milhão com o pagamento de propinas.

Segundo a investigação da Delegacia Estadual de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a quadrilha identificava empresários interessados em instalar seus estabelecimentos em Distritos Industriais, administrados pela antiga Goiás Industrial, hoje Codego. Depois disso, passavam a cobrar valores indevidos.

“Se não pagassem, eles ameaçavam não dar andamento no processo ou até gerar retaliação de despejo para alguns empresários que já estavam instalados e não queriam ceder às cobranças”, informou a delegada Débora Melo. Pelo menos nove empresas, vítimas do grupo criminoso, já foram identificadas.

Durante a apuração, os policiais descobriram que parte dos investigados assinava recibos para confirmar as propinas recebidas. Um deles usou o cheque emitido por uma das vítimas para comprar um carro. “Nós temos na investigação alguns comprovantes dos pagamentos das propinas, de empresários diretamente aos servidores, que é uma situação absolutamente irregular, porque tudo que o cidadão precisa resolver com alguma instituição ou órgão público, o pagamento deve ser feito no CNPJ ou mediante pagamento de boleto, jamais em pagamento individual para quem ocupa cargo ou uma função pública”, disse.

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Os integrantes do grupo ostentam vida de luxo, inclusive com diversas viagens internacionais, todos os anos. “O mais chocante desse caso é que parte dos investigados, em um período muito curto de tempo, construiu um patrimônio totalmente incompatível com o valor que eles recebiam de remuneração”, afirmou a delegada. Além das prisões, foram cumpridos durante a operação 12 mandados judiciais de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Caturaí, Cristianópolis e Catalão.

“Encontramos carros esportivos caríssimos, adegas com vinhos importados, armamentos em valores altíssimos, no total de R$ 100 mil. E o que choca mais, é que, apesar dessas pessoas morarem em coberturas, fazerem viagens internacionais, elas ainda tiveram a coragem de solicitar o auxílio emergencial do Governo Federal no ano passado, durante a pandemia, o que demonstra que realmente não se importavam com a sociedade”, ressaltou. Entre os investigados, 12 tiveram os mandados de prisão cumpridos e os outros dois seguem foragidos. “O vínculo deles (com o Estado) se findou nos últimos anos”.

A investigação do caso continua, com o intuito de identificar outras empresas que tenham sido vítimas da quadrilha. “É importante que os empresários que tenham passado por essa situação procurem a Polícia Civil. Estamos fazendo diversas diligências para descobrir toda a verdade que envolve esse caso. A Polícia Civil vai trabalhar para que esses valores, indevidamente cobrados, sejam devolvidos a quem tem direito”, completou a delegada Débora Melo.

Combate à corrupção

De acordo com o diretor-geral da Polícia Civil, delegado Alexandre Lourenço, essa é a terceira operação deflagrada pela corporação, com o intuito de desarticular a quadrilha, que agiu por anos na Codego. “É a imobilização da estrutura financeira para que eles comecem a sentir o peso da responsabilidade e para que não tenham mais como se articular”, disse.

“O Estado de Goiás precisa ter os seus empresários com liberdade para produção, para a contribuição que eles trazem, seja com emprego, imposto e desenvolvimento para a região. Nós vamos fazer o que for necessário para que eles consigam trabalhar em paz”, destacou.

O chefe da PC-GO destacou ainda a importância do combate à corrupção no Estado, que é um dos crimes mais danosos à população. “A Polícia Civil trabalha na defesa da sociedade e essa é uma missão que a gente vai cumprir indistintamente, doa a quem doer. Não vamos deixar de investigar e trabalhar, especialmente contra esse mal que acaba com a nossa sociedade, que é a corrupção, porque tira todo o recurso público que deveria voltar em saúde, educação, em segurança pública e em inúmeras outras utilidades que a população tanto carece. Goiás não é terra pra criminoso”, concluiu.

Secretaria de Estado da Segurança Pública – Governo de Goiás

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