Polícia investiga se ordem para matar advogado partiu de presídio em GO

Vítima tinha desavenças com pessoas dentro da cadeia, segundo delegado.

advogadoA Polícia Civil investiga se ordem para matar o advogado Uberth Domingos Cordeiro, de 30 anos, partiu de dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Responsável pelo caso, o delegado Isaias de Araújo Pinheiro disse que essa é a principal linha de investigação da corporação. “Um cliente dele tinha sido morto dentro do presídio e ele abraçou a causa. Isso mexeu com muitos interesses lá dentro. Ele tinha outros desentendimentos com algumas pessoas lá dentro”, disse. A vítima segue internada em estado regular no Instituto Ortopédico de Goiânia.

O G1 tentou contato com a assessoria de imprensa da Superintendência Executiva da Administração Penitenciária (Seap), mas as ligações não foram atendidas até a publicação dessa reportagem.

As investigações ainda estão em fase inicial, mas o delegado afirma que a perícia no local já foi realizada e que imagens de câmeras de segurança também foram analisadas pela corporação. Entretanto, ainda não existem pistas dos suspeitos.

Colega de trabalho da vítima, a também advogada Amanda Alves, disse que ainda resta um sentimento de temor e indignação após o crime. “De maneira geral, todos os advogados ficam com a sensação de insegurança, porque chega alguém que se diz ser cliente e você não sabe realmente se é ou não. Além disso, quem deu a ordem para matar o Uberth, sabe que o serviço não foi feito. Então, eles podem voltar”, disse ao G1.

Ainda segundo Amanda, a família e os amigos ainda não sabem o que motivou o crime. “O Uberth viu as imagens da câmera de segurança, nós vimos também, mas não reconhecemos ninguém, então não sabemos quem cometeu o crime. Agora esperamos uma posição da polícia para que possamos voltar ao trabalho. Desde o dia do crime, o escritório está fechado”, completou.

Crime
Uberth Domingos Cordeiro foi baleado no último dia 19 dentro do próprio escritório, no Setor Aeroporto, em Goiânia. Segundo a colega de trabalho Amanda Alves, os criminosos são dois homens que se passaram por clientes e, inclusive, agendaram o atendimento.

“Ele perguntou: ‘Pois não, o que eu posso ajudar?’. E os bandidos falaram: ‘Não doutor, o senhor não vai nos ajudar em nada, viemos aqui só para te matar’. E tirou uma arma da mochila. Ele [advogado] avançou nesse rapaz, eles entraram em luta corporal. Foi disparado sete tiros, três vieram a acertá-lo no braço”, relata a advogada.”Eles só foram embora porque pensaram que o Uberth estava morto”, completa.

Membro da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Goiás, o advogado recebia ameaças há um mês. Conforme Amanda, elas começaram após a morte de um cliente de Uberth dentro do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana.

O advogado chegou a publicar em seu perfil em uma rede social uma crítica ao sistema prisional. Ele questiona quem matou o cliente e que a tese de suicídio foi irresponsável. “Uma tentativa de justificar o injustificável, nunca vi algo do tipo em uma cela com seis reeducandos”.
No texto, Uberth também questiona o motivo de o cliente, que cumpria pena no regime semiaberto, ter sido transferido para o Núcleo de Custodia, onde ficam os presos considerados mais perigosos. Segundo ele, o cliente foi preso por roubar R$ 50.

Amanda acredita que a transferência do detento foi motivada por uma discussão entre ele e o diretor do semiaberto. Segundo a advogada, o Ministério Público Estadual cobra providências da Justiça em relação à morte do rapaz e o escritório de advocacia acompanha o caso.

“Nós já acionamos a OAB, a OAB esteve presente, inclusive nos informaram que vão entrar com uma medida protetiva em relação a todos nós que estamos atuando no caso porque a advocacia criminal é perigosa”, disse.

No dia do crime, a assessoria da Superintendência Executiva da Administração Penitenciária (SEAP) informou que o detento foi transferido ao Núcleo de Custódia junto com outros reeducandos para cumprimento de medida disciplinar. O órgão alegou que não afirmou que o detento suicidou. Além disso, uma sindicância está em andamento para apurar as circunstâncias e as responsabilidades da morte do reeducando.

De acordo com a assessoria, o fato também é apurado criminalmente pelo Grupo de Investigação de Homicídios de Aparecida de Goiânia. A assessoria informou ainda que apenas o exame do Instituto Médico Legal (IML) vai apontar a causa da morte.

G1

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