Polícia indicia médico por morte de paciente grávida em hospital de GO

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Com 8 meses de gestação, mulher teve edema no pulmão não medicado.

orte-certoA Polícia Civil indiciou criminalmente o médico ginecologista e obstetra Atenevir Teles da Silva pela morte da paciente Ortenizia da Costa Dias, de 30 anos, em abril deste ano, na Maternidade Municipal Amor Esperança, em Caldas Novas, região sul de Goiás. De acordo com o inquérito, concluído nesta segunda-feira (8), o médico foi negligente no atendimento, o que culminou com a morte, além de emitir uma informação inverídica em relação à causa da morte. Ele irá responder pelos crimes de homicídio culposo, quando não há a intenção de matar, e falsidade ideológica.

Ao G1, o secretário de Comunicação da prefeitura de Caldas Novas, João Paulo Teixeira do Carmo, disse que o médico teve o seu contrato com o município rescindido  após ser indiciado pela polícia. Ele afirmou ainda que uma sindicância apurava o caso simultaneamente e que todos os documentos desta serão remetidos ao Ministério Público.

O médico Atenevir Teles da Silva informou ao G1 que não sabia sobre o indiciamento e que só vai se pronunciar quando for oficialmente comunicado.

Grávida de 8 meses, Ortenizia morreu no dia 10 de abril, após ficar três dias internada. Segundo a delegada Sabrina Leles Miranda, responsável pelo caso, um dia antes de morrer, ela apresentou uma piora em seu quadro clínico, com tosse e dificuldade para respirar, que culminou com uma parada cardiorrespiratória.

Um exame comprovou que a paciente apresentava uma mancha no pulmão, mas, segundo a delegada, Atenevir não receitou tratamento para a lesão. “Ele nos disse que viu o exame de raio-X meio nebuloso, que precisava de outro exame, mas não determinou a sua realização nem tampouco medicou a paciente para esta mancha. Ele determinou apenas que ela continuasse tomando os remédios para a diabete que a paciente já consumia”, explicou ao G1.

Além disso, quatro enfermeiros e quatro médicos que trabalhavam no hospital afirmaram em depoimento que avisaram o médico em relação ao estado de saúde crítico de Ortenizia, mas, mesmo assim, ele não prescreveu a medicação necessária.

Exumação
A pedido da família, a polícia realizou a exumação do corpo no dia 26 de abril e confirmou, por meio de um laudo do Instituto Médico Legal (IML), que a gestante foi enterrada com o feto ainda na barriga. Segundo a delegada, o procedimento é incorreto.

“O perito me disse que, segundo a literatura médica, quando constatada a parada cardíaca na mãe, é preciso fazer a cesárea perimortem, ou seja, a retirada do bebê até 4 minutos após o problema, com o intuito de tentar salvar o bebê. Mas ele [médico] disse que não era possível, porque já havia passado mais de 5 minutos”, informa.

Por esse motivo, uma cópia do inquérito será encaminhada ao Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) para analisar se ele também cometeu erro médico.

Procurada pelo G1 na segunda-feira, o Cremego disse que só poderia checar sobre a existência de uma sindicância sobre o caso na manhã desta terça-feira (9). A reportagem voltou a tentar contato com o conselho nesta terça, mas as ligações não foram atendidas.

A exumação confirmou ainda que a causa da morte de Ortenizia foi um edema pulmonar. Porém, o médico, em seu atestado, escreveu Infarto Agudo Fulminante do Miocárdio. Daí, a denúncia por falsidade idológica, conforme explicou a delegada. O feto morreu por sofrimento fetal agudo, em consequência de insuficiência placentária, uma complicação da lesão no pulmão.

Como Atenevir colaborou com as investigações, a delegada disse que ele, a princípio, responderá ao inquérito em liberdade. Caso ele seja condenado pelos dois crimes, pode pegar de 1 a 8 anos de prisão.

G1