Polícia apura se garota achada morta com amiga foi torturada e estuprada

Vítima de 15 anos sofreu agressões e, segundo polícia, tinha dívida de drogas.

terrenoA Polícia Civil suspeita que Talita Gonçalves de Oliveira, de 15 anos, encontrada morta junto com a amiga Nayara Paula, de 17, tenha sido torturada e estuprada antes de ser executada. Segundo o delegado Alexandre Alvim, responsável pelo caso, a menina apresentava várias marcas de agressão pelo corpo, estava com a calça abaixada, a blusa na altura do pescoço e o sutiã preso à cintura. Já Nayara estava amarrada, mas não tinha sinais de violência. Ambas foram baleadas na cabeça.

As duas menores foram encontradas mortas no último dia 28 de outubro em uma chácara da zona rural de Senador Canedo, na Região Metropolitana de Goiânia, dois dias após saírem do Setor Parque Santa Cruz, em Goiânia, onde moravam, dizendo que iriam a uma festa.

“A Talita tinha hematomas nas costas e marcas nas mãos semelhantes às produzidas por queimadura de cigarro. Então a gente acredita que ela possa ter sido torturada. Além disso, pela posição em que as roupas foram encontradas a gente não afasta a possibilidade de dela ter sofrido abuso sexual. Porém, estamos aguardando o laudo do IML [Instituto Médico Legal]”, afirmou. O documento deve ficar pronto em até 30 dias.

Nayara, que tem uma filha de 1 ano e 9 meses, estaria grávida de aproximadamente dois meses, segundo familiares relataram em depoimento à polícia. Porém, de acordo com Alvim, essa confirmação também só poderá ser feita com o laudo.

Para o responsável pela investigação, as duas amigas não conseguiram chegar à festa onde pretendiam ir, no dia 26 de outubro, provável data em que morreram. “Acredito que elas foram abordadas no caminho pelos assassinos, que as levaram para o local onde o crime ocorreu”, destacou o delegado.

No mesmo dia, Talita postou uma foto em uma rede social com a legenda: “Pra que juízo se eu já perdi o meu”. Na mesma publicação, Nayara fez um comentário dizendo que a amiga estava “linda”. Depois disso, se encontraram para ir à festa e não foram mais vistas com vida.  A roupa com que Talita aparece na foto é a mesma com que foi encontrada morta.

Dívida
A polícia colheu na quinta-feira (6) os primeiros depoimentos sobre o caso. Familiares de Talyta revelaram que ela era usuária de drogas e tinha uma dívida no valor de R$ 2 mil com um traficante do bairro onde morava, segundo o delegado. A garota já havia, inclusive, sido ameaçada de morte.

“Ela já tem passagens por lesão corporal, receptação e por dirigir inabilitada, além de ser suspeita de participação em roubos de carros. Parece que a família era desestruturada, tanto que nem chegou a registrar uma ocorrência pelo desaparecimento da jovem”, disse Alvim.

Nayara não tinha nenhuma passagem pela polícia. Em virtude disso, a polícia acredita que ela tenha morrido somente por estar junto com a amiga. “Ao que parece, ela estava no lugar errado, na hora errada. Por enquanto, não há nada que indique o envolvimento dela com algo que possa ter ocasionado o seu homicídio”, pontua.

Investigação
A polícia trabalha com duas linhas de investigação, ambas relacionadas aos atos infracionais cometidos por Talita. “A gente trabalha com duas hipóteses: a de que ela tenha sido morta por conta da dívida da droga com o traficante ou por envolvimento com uma quadrilha especializada em roubo de veículo. Nesse caso, poderia ser um caso de queima de arquivo ou disputa por território”, salienta o delegado.

O inquérito também apura se a execução das duas garotas está relacionada com a morte de um homem, de cerca de 20 anos, que não teve a identidade revelada. O corpo dele também foi encontrado no mesmo local, cerca de 20 dias antes.

“A gente acredita que possa ter alguma ligação em razão desse indivíduo ter passagem por roubo de veículos em Goiânia. Como foi um prazo muito pequeno, três corpos foram encontrados no mesmo local e antes não havia evidências de ser um descarte de corpo, a gente imagina que possa ter uma relação entre eles”, analisa Alvim.

‘Ouvi tiros’
Morador de uma casa a cerca de 500 metros de onde as garotas foram encontradas, o marceneiro autônomo Paulo Amancio de Araújo contou ao G1 que, na noite em que ocorreu o crime, ouviu o barulho de pelo menos oito tiros.

“Não só eu como alguns vizinhos meus também ouviram. Dois dias depois, meu sogro estava passando pelo local e viu que a Polícia Militar estava procurando os corpos. Depois que encontraram, bateu a curiosidade e fomos lá ver”, salienta.

G1

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