Pobres e famintos não podem ser ignorados, diz papa na Bolívia

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O papa Francisco, em uma missa para centenas de milhares de pessoas na Bolívia, disse nesta quinta-feira que todos têm um dever moral de ajudar os pobres e que aqueles com mais condições não podem desejar apenas que eles “vão embora”.

O pontífice de 78 anos, no quinto dia de sua viagem por três países da América do Sul, está mostrando alguns sinais de fadiga, mas geralmente aparenta estar bem, apesar das mudanças na altitude e na temperatura.

Na quarta-feira, ele saiu de La Paz, a mais de 3.650 metros acima do nível do mar, para Santa Cruz, a cidade que mais cresce e a maior da Bolívia, que fica a 416 metros.

Num sinal evidente do desenvolvimento da cidade, a loja que foi usada para o papa trocar de roupas no local da missa possuía o símbolo da rede de lanchonetes Burger King em cima da porta. O vidro foi coberto com cortinas brancas para a ocasião.

Santa Cruz possui menos pessoas de origem indígena do que outras partes da Bolívia. Seus 2,6 milhões de habitantes são em grande parte de descendência europeia e mais ricos do que pessoas de outras partes do país, um dos mais pobres das Américas.

O papa Francisco pediu aos fiéis para terem cuidado com uma atitude de resignação perante os grandes desafios que a sociedade enfrenta, porque “isto nos desorienta, fecha nossos corações para outros, especialmente os pobres”.

“Diante de muitos tipos de fome no nosso mundo, podemos dizer para nós mesmos: ‘As coisas não se somam; nós nunca iremos gerenciar, não há nada a ser feito’. Então nossos corações cedem ao desespero”, disse.

Ele usou a história bíblica da multiplicação de pães e peixes, quando os apóstolos de Jesus queriam que ele enviasse multidões para longe porque não haveria nenhuma maneira de alimentar a todos.

A história diz que Jesus multiplicou a comida, mas alguns estudiosos bíblicos modernos acreditam que o verdadeiro milagre foi que ele convenceu todos a compartilhar o que tinham.

Francisco disse que a história tem uma “ressonância particular” no mundo de hoje e disse aos fiéis: “Ninguém precisa ir embora, ninguém precisa ser descartado; vocês mesmos, deem algo a eles para comer. Jesus fala essas palavras para nós, aqui nesta praça.”

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