Aparecida de Goiânia, domingo, 19 de setembro de 2021
Arbitrariedade

PM de Caiado prende petista que protestou contra Bolsonaro

Redação
1 de junho de 2021

Mesmo após a Câmara dos Deputados aprovar um projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional (LSN) - o texto ainda precisa passar pelo Senado -, a Polícia Militar (PM) continua usando a legislação, aprovada em 1983, durante a ditadura militar, para prender críticos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Desta vez, a PM do governador Ronaldo Caiado (DEM) prendeu um dirigente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) no estado, por causa de uma faixa exibida no seu carro com os dizeres "Bolsonaro Genocida".

O caso ocorreu na tarde de segunda-feira (31), em Trindade, cidade da região metropolitana de Goiânia. Arquidones Bittes, que é secretário de movimentos populares do PT goiano, foi abordado por PMs que exigiram que ele retirasse a bandeira do veículo, ou seria preso em flagrante. Após a recusa, ele foi algemado, preso e conduzido até a superintendência da Polícia Federal da capital.

::Utilizada contra opositores de Bolsonaro, Lei de Segurança Nacional pode ser revista::

A reportagem do Brasil de Fato teve acesso a dois vídeos. Um deles mostra o início da abordagem, em que um policial justifica a prisão com base no artigo 26 da LSN, que estabelece como crime caluniar autoridades da República, incluindo o presidente, muito embora o crime de calúnia, para se consubstanciar, necessite de prévia representação na polícia da pessoa caluniada - o que não ocorreu no presente caso.

A interpretação, dessa forma abusiva da lei, levou a uma prisão sem respaldo legal, e que tem sido repetida em diversas partes do país para prender pessoas críticas a Bolsonaro.  


https://www.youtube.com/embed/g6VB1AsNX18


No outro vídeo, já na PF, Bittes diz que foi agredido pelos policiais durante a prisão. "Levei tanta pancada".

Segundo Kátia Maria, que é presidente estadual do PT, ele foi incialmente levado para uma Delegacia da Polícia Civil de Trindade, que não quis registrar a ocorrência, e só depois foi conduzido para a PF.

"A Polícia Civil não quis registrar o caso porque entendeu que não era um crime. Não satisfeita, a PM trouxe ele para a Polícia Federal, em Goiânia,.

A Superintendência da PF em Goiás se recusou a prender o petista que foi solto, porque o delegadoconsiderou inconstitucional usar a Lei de Segurança Nacional e fere as liberdades democráticas.

A reportagem entrou em contato com a PM de Goiás para pedir esclarecimentos sobre o caso, mas não obteve resposta. Já a Comissão Pastoral da Terra Regional Goiás publicou a nota que segue.

Nota de Repúdio contra a Perseguição Política no Estado de Goiás 

A Comissão Pastoral da Terra regional Goiás vêm repudiar a ação da Polícia Militar de Goiás que prendeu o professor Arquidones Bites, defensor de Direitos Humanos dos trabalhadores e trabalhadoras do Campo e da Cidade.

A prisão ocorreu porque Arquidones Bites se recusou a retirar uma bandeira que estava fixada em seu carro particular com os dizeres "Bolsonaro Genocida". 

Apesar da pandemia e do professor não agir de forma violenta, os PM's sem máscara agiram de forma violenta, chegando a jogar o professor no chão e o prenderam. 

Entendemos que o Brasil e o estado de Goiás precisa de vacinas. A violência gratuita e a censura só demonstra o tipo de governantes que agem contra o povo!

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