Aparecida de Goiânia, quarta-feira, 22 de setembro de 2021
Investigação

PF vê elo entre EUA e rede de fake news que incentiva atos anti-democráticos

Redação
9 de setembro de 2021
A Polícia Federal e a Receita Federal

Além de um público bem menor que o esperado, após o investimento de tanto dinheiro e da mobilização de todo o aparato governamental, Bolsonaro tinha outro motivo para se mostrar tão irritado no 7 de Setembro: a ameaça ao seu esquema criminoso de propagação de fake news, essencial para que chegasse à Presidência e para, hoje, manter hipnotizado seu grupo de fanáticos.

Enquanto Bolsonaro fazia seu discurso golpista em Brasília, na terça-feira (7), a Polícia Federal interpelava os empresários Jason Miller e Gerald Brant. O primeiro é norte-americano, ex-assessor de Donald Trump e fundador de uma rede social de extrema-direita. O segundo, nascido no Brasil e residente nos Estados Unidos, é amigo do atual presidente brasileiro e, segundo a Folha de S. Paulo, um dos elos entre a família Bolsonaro e a direita americana.

Ambos vieram participar de uma conferência organizada pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) em Brasília e foram recebidos por Bolsonaro no domingo (5). Na terça-feira, foram abordados no aeroporto de Brasília por agentes da PF que trabalham no inquérito das milícias digitais, uma das três investigações sobre o uso de fake news para atacar a democracia que estão sob responsabilidade do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) – as outras duas são um inquérito aberto pela Procuradoria-Geral da República sobre as ameaças relacionadas aos atos de 7 de Setembro e o inquérito das fake news (no qual Bolsonaro é um dos investigados).

Após conversarem por cerca de três horas com os agentes, os amigos de Bolsonaro foram liberados. Mas, ao pará-los, a PF mostrou que está se aprofundando nas origens da rede de fake news bolsonarista, que claramente tem origem no exterior. Segundo a Folha, a PF tinha Miller e Brant na mira por entender que a tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas feita por Bolsonaro repetem o modelo usado por Trump para colocar em dúvida as eleições nos Estados Unidos.

“A concepção mais recente dessa estratégia de comunicação é atribuída a Steve Bannon, guru da campanha de Trump. Ele foi conselheiro da consultoria Cambridge Analityca, envolvida no escândalo do uso de dados de usuários do Facebook na campanha eleitoral, e comandava o site Breitbart News, conhecido por disseminar desinformação”, informa o jornal.

Raízes norte-americanas

A vinda de um ex-assessor de Trump para uma conferência organizada por Eduardo é mais uma clara evidência de que a rede de fake news de Bolsonaro, que o ajudou a se eleger e agora o ajuda a tentar um novo golpe dentro do golpe de 2016, tem raízes norte-americanas.

Indícios dessa origem estrangeiras já vieram à tona antes, como quando, por exemplo, a CPI das Fake News identificou que diversas linhas telefônicas estrangeiras foram utilizadas para disparos de mensagens falsas durante a campanha de 2018.

Não é por acaso, portanto, que Bolsonaro volte sua artilharia para o Supremo, que na figura de Moraes acompanha as investigações. Sem sua rede de mentiras, Bolsonaro não teria forças para manter seus seguidores atiçados contra ameaças imaginárias e insensíveis aos reais problemas do Brasil (centenas de milhares de mortos na pandemia, vacinação lenta, inflação, fome, desemprego, alto custo dos alimentos e dos combustíveis etc. etc. etc.).

Com informações da Folha de S. Paulo

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