PF prende seis por boato de sequestro de crianças

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PF prende por áudio em redes sociais que citava a corporação para alertar sobre pedófilos. Envolvidos, que foram soltos após depoimentos, podem responder por calúnia.

Seis pessoas foram levadas até a sede da Polícia Federal, em Goiânia, na manhã desta terça-feira (24), para prestar esclarecimentos sobre um áudio que circula em redes sociais sobre uma suposta quadrilha internacional de pedofilia. Na mensagem, o nome da corporação é citado para dar credibilidade à informação sobre um suposto sequestro de crianças. No entanto, a PF diz que esse crime não ocorreu.

No áudio falso, uma mulher fala que a mãe de uma aluna de uma escola de Goiânia foi convocada a comparecer à sede da PF, onde, ao lado do marido e de outros pais de estudantes, foi avisada sobre o suposto sequestro.

“Eram 12 crianças aqui de Goiânia, que estavam em uma rota, que estão, né, para serem sequestradas por um grupo de sequestradores de pedofilia. Esse grupo age na internet, puxando e trocando fotos de crianças, e tem um leilão no mundo inteiro. E as mais comentadas, mais desejadas por esses doentes, são colocadas a um preço absurdo”, diz a mulher na mensagem.

Na gravação, ela continua explicando como esses menores seriam sequestrados. “As quadrilhas de pedofilia de cada país são responsáveis por raptar essas crianças, levar para o país de origem do lance maior do leilão. No caso, a filha dela [mãe que teria sido convocada pela PF] ia para a Espanha”, destaca o áudio.

De acordo com o delegado Rômulo Cavalcante, responsável pelo caso, a informação falsa começou com um casal que mora em Goiânia, sendo a mulher brasileira e o marido português. Eles teriam tentado alertar uma prima sobre o risco de expor fotos da filha pequena em redes sociais. Para isso, se passaram por agentes da PF e disseram para a mulher que imagens da criança estavam em sites de pedofilia.

Assustada, a prima do casal deixou de levar a filha para o colégio em que estuda por uma semana. Questionada sobre os motivos pela direção da escola, a mulher relatou sobre a suposta rede de pedofilia. Com isso, uma nora da dona da instituição, que também ouviu a história, gravou o áudio, que se espalhou pelas redes sociais.

Mandados
Nesta manhã, a PF cumpriu seis mandados de condução coercitiva na capital para pessoas envolvidas na gravação. “Estamos vendo ainda se existe algum crime, alguma imagem envolvendo crianças. Se houver, eles poderão responder pela exposição de imagens de menores e pedofilia”, disse o delegado.

Após prestarem depoimentos, os detidos foram liberados. Por usar o nome da PF, eles poderão responder pelo crime de calúnia.

O investigador ressaltou que as pessoas devem ficar atentas com as informações falsas que são disseminadas pela internet e em aplicativos de celular. “Fica a lição para a gente refletir sobre o uso das redes sociais, das mídias, que deve ser responsável”, afirmou Cavalcante.

G1